Surto história - O Boicote africano em 1976 - Surto Olimpico

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Surto história - O Boicote africano em 1976

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Em 1976, a África do Sul viva o auge do seu regime racista, o Apartheid, retirando a cidadania do cidadãos negros, que viviam à margem de uma sociedade branca, que governava o país. Os sul-africanos estavam desde os jogos de Tóquio em 1964 sem pisar nos Jogos olímpicos, proibidos por conta do regime segregador que viviam.

Também em 1976, a ONU (Organização das Nações Unidas) pediu aos países que fizessem um embargo esportivo ao país. Mas em janeiro do mesmo ano, a Nova Zelândia descumpriu o acordo, com a seleção nacional de Rugby, os All Blacks, desembarcando no país para disputar partidas amistosas contra a África do Sul.

Tal excursão enfureceu os países africanos, afinal, não era suficiente que a África do Sul não estivesse nos jogos olímpicos. O desejo era que todo país filiado ao COI não deveria por o pé em solo sul-africano enquanto o regime racista estivesse funcionando. O congolês Jean-Claude Ganga, criador dos Jogos africanos nos anos 60 e vice-presidente do Conselho Supremo do esporte da África na época, articulou um protesto no COI para a Nova Zelândia fosse excluída dos Jogos e se não fosse atendido, os jogos olímpicos de 1976 sofreriam o boicote do continente africano. Em 1968, os dirigentes africanos já tinham se unido contra a volta da África do Sul aos jogos realizados na Cidade do México com sucesso e buscavam repetir sua força política esportiva novamente.

A pressão foi aumentando durante os meses, pois as nações africanas comandadas por negros viram  essa oportunidade uma ótima chance de pressionar o governo sul-africano, tão execrado no resto do continente por conta do regime racista. A excursão foi organizada pela New Zealand Rubgy Union, órgão não filiado ao comitê olímpico neozelandês, e por isso o Comitê olímpico internacional afirmou aos representantes africanos que estavam de mãos atadas e não poderiam excluir os neozelandeses dos jogos olímpicos de Montreal que se aproximavam. Um massacre  com a morte de 350 manisfestantes feito pelo governo sul-africano em Soweto antes dos jogos aumentou ainda mais a pressão dos países africanos em cima do COI. 

Os países que boicotaram os jogos de Montreal em grená

Mas não teve jeito. No dia da abertura dos Jogos, no dia 17 de julho de 1976, vinte e nove nações se retiraram dos jogos, vinte e sete africanas, além da Guiana e do Iraque. Atletas que disputaram provas preliminares eram orientados a abandonar as provas e irem de volta para casa. Apenas Costa do Marfim e Senegal não aderiram ao boicote e disputaram os Jogos normalmente.

Os países africanos foram ameaçados de sanções pelo COI, mas no fim, o Comitê deixou de lado essa possibilidade por conta de uma possível impopularidade do ato. O boicote africano de 76 acabou sendo marcante, pois conseguiu mostrar para o mundo a questão do apartheid, o que aumentou a pressão contra a África do Sul, com manifestações contra o regime aumentando ao redor do mundo. Em 1981, a seleção sul-africana de rugby foi recebida sob muitos protestos na Nova Zelândia, o que fez o país romper ligações definitivamente com os sul-africanos.

Outro aspecto marcante é que ele abriu caminho para dois boicotes marcantes: O dos países capitalistas comandados pelos Estados Unidos em Moscou 1980 e o boicote socialista liderados pelos Soviéticos em Los Angeles 1984.

Já um detalhe mórbido é que Ganga, idealizador do boicote, foi expulso do comitê olímpico internacional em 1999, por ter sido um dos que venderam seu voto para que Salt Lake City fosse escolhida como jogos olímpicos de inverno em 2002.

foto: Montreal Gazette e Wikipedia

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