Surto História - Alemanha Oriental nas Olimpíadas



Após a divisão da Alemanha ao fim da II Guerra Mundial, tanto o lado ocidental quanto o oriental foi proibidos pelos vencedores da guerra, os Aliados, de participar dos Jogos olímpicos de 1948 em Londres. Em 1952, a Alemanha oriental buscou enviar sua delegação em separado, o que foi vetado pelo COI, que autorizou apenas a participação da Alemanha ocidental. 

Em 1956, as duas Alemanhas se uniram para disputar os jogos de Melbourne formando o O time unificado alemão. Essa parceria durou por mais duas edições dos jogos olímpicos - em Roma 1960 e Tóquio 1964 - e nos jogos da Cidade do México em 1968, começava a caminhada da Alemanha Oriental nos Jogos olímpicos, com o seu recém criado comitê olímpico em 1966.

Embora com uma população de 16 milhões de habitantes, os alemães orientais fizeram ótimas participações em jogos olímpicos, participações que foram bem contestadas na época, pois seu crescimento no quadro de medalhas foi praticamente uma progressão geométrica até sua última participação, em Seul 1988, muit opor conta das atuações de seus atletas no atletismo e na natação.

A questão é que o governo da Alemanha Oriental investia pesado no esporte, muito por prestígio e por rivalidade com a Alemanha ocidental, pois os orientais queriam sempre estar à frente dos seus vizinhos nas competições. E eles conseguiram. De 25 medalhas em 1968, os alemães orientais chegaram ao seu recorde de 125 medalhas em Moscou em 1980. Em Los Angeles 1984 aderiram ao boicote soviético e em 1988 disputaram seus últimos jogos olímpicos, em Seul. Sempre com a suspeita do doping pairando sobre eles. 

Os anos 80 foram os anos mais suspeitos pelos adversários, mas por falta de tecnologia e conhecimento, o COI nunca conseguiu fazer uma investigação eficiente para detectar o programa de doping sistemático da Alemanha Oriental

Em 9 de novembro de 1989, começa a queda do muro de Berlim, símbolo da divisão das Alemanhas. Sem o muro, as Alemanhas se uniram novamente e nas olimpíadas de 1992 em Barcelona, a Alemanha disputava seus jogos olímpicos como uma só. E o bom desempenho dos atletas da Alemanha Oriental ajudaram a aumentar o desempenho dos alemães nos jogos. Se em Seul os alemães ficaram em quinto com 40 medalhas, em Barcelonas os alemães terminaram em terceiro com 82 medalhas.

Entre 1998 e 2000, investigações revelaram o sistema de doping do governo da Alemanha oriental e todas as sequelas deixadas nos atletas: Hepatite, doença cardíaca, tumores hepáticos e câncer de fígado. Mulheres que receberam injeções ou ingeriram testosterona sintética também tiveram efeitos colaterais físicos, como acne, vozes mais grossas, crescimento excessivo de pelos nas pernas e pelos pubianos e clitóris aumentados. Algumas atletas deram à luz crianças com deficiências físicas e/ou motoras. Alguns atletas da época alegaram tomar os esteroides achando que eram vitaminas, outros como a nadadora Kristin Otto afirmam que nunca tomaram nada de ilegal em toda a carreira. Alguns políticos da época foram punidos e desde 2002, atletas que tiveram danos de saúde comprovados recebem um fundo para ajuda para problemas médicos.

Até hoje existem quatro recordes mundiais no atletismo - Jurgen Schult (74,08m em 1986 no Lançamento de Disco), Marita Koch (47s60 nos 400m rasos feminino em 1985) e Gabriele Reinsch (76,80m no lançamento de disco em 1988) - recordes que a IAAF cogitou em excluir, por conta da suspeita de doping.

foto: Wikipedia.org

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