Coluna Surto Mundo Afora #17

Por Bruno Guedes

Jogos da Comunidade Britânica
Terminaram nesse final de semana os Jogos da Comunidade Britânica, realizados em Gold Coast, na Austrália. E a grande surpresa ficou por conta da anfitriã terminar em primeiro no quadro de medalhas superando a potência Inglaterra. Foram 198 no total, sendo 80 de ouro, 59 de prata e 59 de bronze. Representou 31 medalhas douradas a mais do que em Glasgow 2014.

Chama-se de surpresa o resultado final por conta de alguns fatores. Ainda que pese ter sido em casa, os australianos conseguiram derrubar do topo a grande campeã dos Jogos, quatro anos antes. A Inglaterra faz forte investimento esportivo desde antes de Londres 2012, algo que levanta grande discussão na Terra da Rainha, inclusive. Mesmo não levando todos os seus atletas de nível top, os ingleses eram tratados como quase insuperáveis em número de medalhas. Mas foram superados.

Mas há algumas explicações. A primeira delas, como já citada, é o auge do ciclo olímpico. Muitos dos atletas considerados de ponta estão se preparando para outras competições e já visando Tóquio 2020. Ainda que tenha acontecido em outras edições dos Jogos da Comunidade, desta vez representou a transição de gerações. Ao contrário de Glasgow 2014 e Délhi 2010, onde o evento serviu como uma espécie de laboratório para as Olimpíadas e havia muitos nomes fortes de diversas partes da Ilha, desta vez nem tanto.

A maior prova está justamente na queda de desempenho, em medalhas, dos outros países que fazem parte da Grã-Bretanha. Uma das grandes potências na Rio 2016 e Londres 2012, País de Gales ficou sem sétimo (10 de ouro,12 de prata e 14 bronze, num total de 36) e a Escócia em oitavo (9 de ouro, 13 de prata e 22 bronze e 44 total). Há quatro anos, os escoceses terminaram em em 4ª e com 53 medalhas ao todo. Ambas fazem parte da delegação Britânica.

Na Inglaterra o fato não tem despertado tanta preocupação quanto ao futuro esportivo, mas deixa a luz acesa sobre como será o desempenho daqui a dois anos, em Tóquio. Após críticas às enormes cifras destinadas ao esporte e o Brexit, a questão é se haverá um legado olímpico e manutenção dos programas olímpicos como antes. Ou teria sido apenas uma fase para exposição mundial com as Olimpíadas em casa?

Hóquei na Grama

E ainda sobre a Terra da Rainha, atual campeã olímpica e anfitriã daqui a alguns meses da Copa do Mundo de Hóquei na Grama, a Inglaterra ficou apenas em terceiro lugar nos Jogos da Comunidade Britânica no feminino. Perderam, nas semifinais, para as medalhistas de ouro Nova Zelândia.

Mesmo levando um time com a base de 2016, a melhor goleira do mundo Maddie Hinch, Alex Danson, Hollie Webb, Sophie Bray e outras, o desempenho preocupa. Essa atual geração é tratada como a maior da História das inglesas graças ao ouro no Rio, porém vem oscilando no desempenho
em competições importantes. A Copa do Mundo, que acontecerá do dia 21 de julho a 5 de agosto, será o grande tira-teima. As seleções mais fortes do planeta estarão presentes e com a força máxima.

E o páreo promete ser mais duro que as Olimpíadas de dois anos atrás. Além de uma Argentina mais forte (e com Delfina Merino, atual melhor jogadora do mundo, em ótima fase) e a Holanda que consolidou sua renovação, a vice-campeã dos Jogos da Comunidade, Austrália, começou a colher frutos da sua fortíssima reformulação. Mas sem dúvidas a grande força emergente é a Nova Zelândia. Após ótimo desempenho na Liga Mundial, as meninas da Oceania conquistaram o título, no último sábado, batendo Inglaterra e as donas da casa.

Para piorar a situação, uma das suas grandes estrelas e promessa, Lily Owsley, sofreu uma cirurgia na mão há um mês e está em fase de recuperação justamente no fim da temporada europeia. Será que teremos mais surpresas em agosto?

Já no masculino, não houve zebra. Com a mesma final do feminino, os australianos vingaram as compatriotas e levaram o ouro. E a Inglaterra repetiu o bronze, também sobre a Índia, ex-potência no esporte e que tenta se reerguer após décadas.

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