Parada das Nações Tóquio 2020 - Etiópia - Surto Olímpico

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Parada das Nações Tóquio 2020 - Etiópia

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Introdução

República Democrática da Etiópia é um país africano, ex-colônia italiana, cuja capital é Adis Abeba. Dona da segunda maior população do continente com 104 milhões de pessoas, a nação é considerada um dos berços da população humana. Uma prova disso é o fóssil de Lucy, que para os cientistas é o primeiro hominídeo do mundo, ser achado na Etiópia, na região de Afar.


Por muito tempo, a Etiópia foi uma monarquia, desde os antigos impérios até 1870, com o domínio da dinastia salomônica. No final do século XIX, a Conferência de Berlim, um marco do neocolonialismo, definiu em reunião dos países europeus quais partes da África cada um ocuparia e quem ficou com a Etiópia foi a Itália. A nação africana respondeu e venceu a ocupação europeia, se mantendo independente até 1936, quando Benito Mussolini recuperou o domínio do país, o chamando de África Oriental Italiana.


Durante a Segunda Guerra Mundial, o Reino Unido forçou os italianos a saírem da região e reconheceu a soberania do país. Até 1974, a Etiópia tinha como regime de governo a monarquia comandada pelo imperador Hailê Selassiê, até que foi derrubado por um golpe militar que instaurou o regime socialista no país, perdurando até o ano de 1995, quando ocorreram as primeiras eleições democráticas da história etíope.


Um dos mais pobres do mundo, a Etiópica tem sua economia baseada na agricultura, mas seu solo pouco fértil prejudica a produção e a indústria não contribui, sendo sua prioridade, alimentos, bebidas, produtos químicos e produtos têxteis e de couro.


Etiópia nos esportes

A Etiópia estreou nos Jogos Olímpicos na edição de Melbourne, em 1956, com atletas no atletismo e no ciclismo sem conseguir nenhuma medalha. Na edição seguinte, em Roma-1960, o país ganhou sua primeira medalha e foi de ouro, com Abebe Bikila, numa das histórias mais conhecidas do esporte olímpico.


Abebe Bikila foi descoberto pelo técnico sueco Onni Niskanen quando estava no exército e foi convocado para os Jogos após o atleta Wami Biratu lesionar o tornozelo ao jogar futebol. Bikila foi ouro e sua conquista ficou famosa por ser feita com pés descalços, já que com a substituição de última hora, a Adidas, patrocinadora dos Jogos, não tinha um tênis que ficasse confortável nele. Isso não foi problema e o etíope venceu prova com 25 segundos de vantagem.


Bikila na chegada da maratona; Foto: COI



Na Olimpíada de Tóquio-1964, Bikila se tornou bicampeão olímpico da maratona, na única medalha do país na edição. Já na Cidade do México-1968, a maratona proporcionou mais um ouro para a nação africana, mas desta vez com Mamo Wolde, que na mesma edição também conquistou a primeira prata do país nos 10.000 metros. 


Em Munique-1972, a Etiópia conquista seus primeiros bronzes, com Wolde mais uma vez medalhado na maratona e com Miruts Yifter nos 10.000 metros. 


A África na época assistia a um de seus países mais importantes, a África do Sul, manter uma política segregacionista privilegiando brancos e marginalizando ao máximo a população negra. Em resposta, a comunidade internacional mantinha um embargo comercial a país, que em 1976 foi quebrado pela seleção neozelandesa de rugby (All Blacks) que fez um amistoso contra a seleção local. O jogo foi interpretado como quebra do embargo pelos países chamada África negra que pediram o banimento da Nova Zelândia dos Jogos. Como isso não aconteceu, 26 países boicotaram a edição de Montreal-1976, entre eles a Etiópia.


Em Moscou-1980, o país voltou a participar de uma edição olímpica e conquistou duas medalhas de ouro com Miruts Yifter nos 5.000m e nos 10.000m, este último com o compatriota Mohamed Kedir levando o bronze. Eshetu Tura ainda foi bronze nos 3.000m com obstáculos.


Alinhado ao regime soviético, o país aderiu ao boicote na edição de Los Angeles-1984 e se juntou a Coreia do Norte no boicote à vizinha Coreia do Sul em 1988.


Em Barcelona-92, a Etiópia voltou a competir e conquistou dois bronzes, com Addis Abebe nos 10.000m e com Fita Bayissa nos 5.000m. A edição entrou para história do esporte etíope pela primeira medalha conquista por uma mulher e foi de ouro, com Derartu Tulu nos 10.000m. 


 A edição seguinte em Atlanta, o país conquistou dois ouros, nos 10.000m masculino com Hebre Gebrselassie e na maratona feminina com Fatuma Roba, somados com o bronze de Gete Wami nos 10.000m feminino.


As edições do terceiro milênio deram à Etiópia mais medalhas. Logo na primeira edição, em Sydney-2000, o país fez sua segunda melhor campanha até hoje com quatro ouros, uma prata e três bronzes. Os ouros foram conquistados na maratona masculina com Gezahegne Abera, nos 10.000m e 5.000m masculinos e o bicampeonato olímpico de Derartu Tulu nos 10.000m femininos. Gete Wami, mesmo sem conquistar o ouro, se destacou por ganhar a prata nos 10.000m e o bronze nos 5.000m feminino.


Derartu Tulu comemora a vitória em Barcelona-92; Foto: The Next Canvas



Os Jogos de Atenas-2004 revelaram novos medalhistas para a Etiópia com Kenenisa Bekele conquistando a prata nos 5.000m masculino e o ouro nos 10.000m e o ouro de Meseret Dafar na prova feminina dos 5 mil. Em Pequim, Bekele se consagrou bicampeão dos 10 mil e conquistou o ouro nos 5 mil, enquanto Dafar foi prata em sua prova.


Ainda na edição realizada na China, a Etiópia fez sua segunda melhor campanha com quatro ouros, duas pratas e um bronze. Em Londres, o país voltou a conquistar a maratona feminina após 16 anos com Tiki Gelana. Os outros dois ouros etíopes foram também conquistados por mulheres, com Tirunesh Dibaba vencendo os 10 mil metros e Dafar voltando a ocupar o lugar mais alto no pódio dos 5 mil.


Nos últimos Jogos no Rio, o país conquistou oito medalhas, sendo cinco de bronze, duas de prata e o ouro de Almaz Ayana nos 10.000m femininos. A esperança para Tóquio é que venham mais medalhas no atletismo, principalmente na maratona com foco em Bekele que em 2019 fez seu melhor tempo com 2h01min41seg na maratona de Berlim e no campeão das Maratonas de Boston e Nova York, Lelisa Desisa.

Almaz Ayana na Rio 2016 Foto: COI



Jogos Africanos

A Etiópia participa dos Jogos Africanos desde a sua primeira edição em 1965, e diferentemente dos Jogos Olímpicos, as medalhas não são exclusivas do atletismo, sendo obtidas também no boxe, no ciclismo e no taekwondo. Na última edição, em 2019, o país conquistou 23 medalhas, sendo seis de ouro, cinco de prata e doze de bronze, terminando a competição em nono lugar.




Esporte destaque

Atletismo

Para surpresa de absolutamente ninguém, o esporte de destaque absoluto na Etiópia é o atletismo, esporte responsável por todas as medalhas olímpicas do país.


Cabe o destaque que todas estas provas eram ou maratona ou provas de fundo, no caso, 10 mil metros, 5 mil metros e 3 mil metros com obstáculos, portanto, provas na qual a velocidade está aliada a consistência e a resistência da corrida.


Atletas destaque


Lelisa Desisa


O já citado Lelisa Desisa, é bi campeão da Maratona de Boston, vencendo as edições de 2013 e 2015, além de ser campeão da prova de Nova York, a mais charmosa do circuito, em 2018. Se consagrou campeão mundial no mundial de atletismo realizado em Doha no ano de 2019, após um sprint nos metros finais para ultrapassar o compatriota Mosinet Germew que ficou sem reação.


Cruzando a fita; Foto: Diulgação/IAAF


  Tariku Girma

 O atleta do taekwondo se destaca por ter ganho o ouro nos Jogos Africanos de 2019, única dourada não conquistada no atletismo naquela edição, vencendo o tunisiano Yassine Khezami na final na categoria até 63 quilos. Ele conquistou a vaga olímpica agora na categoria até 68 quilos, após ficar em terceiro no pré olímpico realizado ainda em 2020, vencendo a disputa do terceiro lugar contra o nigeriano Ifeoluwa Ajayi por 17 a 5.






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