Coluna Gran Willy: Fusão ATP-WTA pode fazer bem ao tênis, além de impor fim ao machismo na modalidade - Surto Olimpico

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Coluna Gran Willy: Fusão ATP-WTA pode fazer bem ao tênis, além de impor fim ao machismo na modalidade

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Na última semana, o tenista suíço Roger Federer falou em seu perfil no Twitter sobre a vontade de ver o tênis feminino e masculino ser gerenciado por uma mesma entidade, sugerindo a fusão entre ATP e WTA. 

Essa será a grande oportunidade de revigorar a modalidade, que ainda é muito tradicionalista e acabar com o machismo dentro do tênis. A própria fundadora da WTA, a ex-tenista Billie Jean King, afirmou que sempre sonhou a união do circuito e que esse era o plano principal antes de criar a associação.

Após as declarações de Federer, outros fatos vieram a tona com as afirmações de Stan Wawrinka e Vasek Pospisil, de que a ATP já discute esse tema nos bastidores desde o início do ano. Entretanto, Nick Kyrgios disse que era necessário "ouvir a maioria", dando a entender que o projeto não foi amplamente debatido ou aberto aos tenistas. 

Enquanto muitos debatiam o assunto levantando por Federer, que era amplamente apoiado entre mulheres e homens dentro do tênis, a norte-americana Serena Williams publicou um tuíte falando sobre a confidencialidade de determinado assunto, sem citar exatamente o que seria, e rapidamente apagou a publicação. 

Foto: Divulgação/WTA
Mas tirando as questões burocráticas como contratos de patrocínio e transmissão na TV, é inadmissível que uma coisa tão "simples" leve tanto tempo para ser debatida. A WTA foi fundada há 46 anos e nem era a ideia principal, como a própria Billie Jean King confessou. Isso significa que os homens levaram todo esse tempo para finalmente decidirem que iriam sentar e debater a possibilidade de unificação do circuito.

Uma fusão entre ATP e WTA iria impactar o esporte de forma positiva em aspectos como premiação, calendário, partidas, ranking, patrocinadores, promoção de eventos e até mesmo popularidade. Para que você possa entender melhor vou comentar os principais tópicos deste impacto. 

Premiações

Apenas em 2007 as premiações em Grand Slam foram devidamente equiparadas. Mas em torneios de menor escala os homens faturam muito mais que as mulheres e isso é motivo de grande discussão dentro do esporte. Não bastasse isso, os argumentos para defender premiações maiores para homens são completamente esdrúxulos. 

A fusão entre ATP e WTA pode por um ponto final na discussão, equiparando de uma vez por todas as premiações. Afinal, não faz sentido defender premiação maior para homens, só porque eles jogam partidas em melhor de cinco sets nos Grand Slams, por exemplo. Isso não é garantia de permanência maior na quadra. Em torneios menores, o número de sets disputados por homens é o mesmo que o das mulheres, dando menos sentido ainda à teoria. 

Foto: Divulgação/ATP Tour
Calendário

Unificar as entidades não significa juntar todos os torneios. Mas seria interessante ver mais campeonatos em conjunto, isso levaria maior variedade de jogos aos fãs locais, divulgaria melhor os circuitos masculino e feminino, além de facilitar o acesso para quem assiste partidas pela TV ou via streaming

A barreira que deverá ser enfrentada neste caso é em relação a estrutura. Não são todos os torneios que podem receber tantos atletas (simples e duplas para mulheres e homens). Também não seria interessante unificar todo o calendário, já que isso iria reduzir a expansão do circuito para determinados países. Se tiver bom planejamento, tudo pode dar certo. 

Ranking e níveis de torneios

Talvez essa seja uma das coisas mais confusas entre ATP e WTA. Quem acompanha mais o circuito masculino saberia qual torneio WTA é o equivalente ao Masters 1000? E será que o tenista vice-campeão de um Grand Slam gostaria de somar 1.300 pontos como é no circuito feminino, ao invés dos 1.200 pontos que são concedidos no masculino?

Pois é, os sistemas de pontuação e hierarquia dos torneios são diferentes entre mulheres e homens, e este é mais um ponto onde a unificação das entidades traria benefícios ao fã de tênis. Seria muito mais fácil para o espectador entender o que está em jogo e quais os impactos nos dois rankings um torneio pode proporcionar. Aliás, a unificação dos sites da ATP e WTA seria fundamental na busca por informações e na divulgação do circuito. 

Partidas

O tênis masculino resiste a determinadas mudanças, como por exemplo, a quantidade de sets disputados por homens nos Grand Slams. É lindo ver uma batalha de cinco horas entre Federer e Djokovic, por exemplo? Sim. 

Mas acho que inevitavelmente em algum momento as partidas entre homens nos Grand Slams serão reduzidas de melhor de cinco sets, para melhor de três sets, como é no feminino. E isso pode acontecer por causa da grade das emissoras de TV, que precisam de partidas mais rápidas ou até mesmo para preservar o físico dos jogadores visando maior longevidade das carreiras. Vale lembrar que um formato menor de partida já é testado no ATP Finals da Next Gen. 

Foto: Divulgação/Wimbledon

Promoção de eventos e popularidade

Um circuito integrado, com mais interações entre homens e mulheres, sem tanta polarização, pode trazer mais popularidade ao esporte. 

Imaginem uma ATP Cup, no molde da Copa Hopman, contando com mulheres nas equipes de cada país. Além disso, com mais torneios em conjunto, pode crescer a possibilidade da criação de um circuito de tênis em duplas mistas.

Imaginem uma dupla com Murray e Serena, Nadal e Muguruza ou Djokovic e Osaka. Fora que a criação de um circuito misto regular, com calendário e distribuição de pontos abriria novos horizontes para tenistas de ranking mais baixo. 


Smash!

Hora de comentar outras coisas da última semana no tênis

- Dominic Thiem fez comentários polêmicos em relação a possibilidade de doar dinheiro para o fundo de auxílio aos tenistas com ranking inferior, durante esse período de paralisação do circuito. Para ele muitos desses atletas "não são profissionais o suficiente" e "não jogam para pagar a sobrevivência". 

- O alemão Dustin Brown rebateu Thiem, dizendo que se não tivesse se comprometido, isso custaria sua carreira. Além disso o tenista disse que já encordoou raquetes de outros atletas no início como profissional, para arrecadar mais dinheiro.

Foto: Divulgação

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