Mesmo sem medalhas, campanha no Mundial de Atletismo no Catar anima Brasil para Tóquio-2020


Os integrantes da Seleção Brasileira que participaram do Campeonato Mundial de Atletismo de Doha, encerrado no domingo (6/10), no Estádio Internacional Khalifa, consideraram muito boa a campanha da equipe na competição - a segunda melhor da história por pontos. O Brasil foi a nove finais nos dez dias de disputas. "Faltou apenas uma medalha para ser brilhante", disse o presidente do Conselho de Administração da Confederação Brasileira de Atletismo, Warlindo Carneiro da Silva Filho.

"De fato tivemos resultados excepcionais e batemos na trave. Mostramos evolução e que estamos no caminho certo para os Jogos de Tóquio-2020", disse o presidente. "O Darlan Romani, o revezamento masculino e a Erica de Sena fizeram excelentes provas, o Thiago Braz voltou a saltar bem, apresentamos ao mundo o Alison dos Santos e o 4x100 m feminino foi infeliz, cometeu um meio erro e acabou desqualificado", acrescentou.

Eleito Coordenador Técnico e de Competições da Associação Pan-Americana de Atletismo (APA), Warlindo lembrou que João Paulo Alves da Cunha e Anderson Rosa, da diretoria técnica da CBAt, se reuniram em Doha com Carlos Alberto Cavalheiro, que cuida do atletismo no Comitê Olímpico do Brasil (COB) já traçando as ações de 2020 para os Jogos de Tóquio. "Vamos entrar na fase decisiva do ciclo olímpico, que teve dois Mundiais, competições em que o importante é fazer resultado. Na Olimpíada, o que vale é a medalha", observou.

O presidente aproveitou para mandar um recado para a delegação. "Parabenizo e agradeço a todos os treinadores e atletas e ao departamento médico, porque ninguém saiu lesionado da competição e isso é muito bom. E é sempre bom lembrar que tudo só foi possível graças ao apoio que temos da Caixa e do COB."

Segunda melhor campanha por pontos - O treinador-chefe do Brasil, João Paulo Alves da Cunha, concorda com Warlindo e dá como exemplo o fato de a equipe ter somado 25 pontos na competição. Com isso, a campanha de Doha só perde para a do Mundial de Sevilha-1999, quando a equipe acumulou 26 pontos. Até o início da última etapa, neste domingo, o Brasil ocupava o 14º lugar entre os 62 países que pontuaram.

"Não veio a medalha, mas nossa participação foi excelente. Mostramos que temos atletas com chances reais de brigar por medalha em Tóquio e de ir para a final. Mostramos foco na evolução dos atletas", comentou João Paulo.

O treinador diz que o planejamento para os Jogos de Tóquio está bem encaminhado. "A preparação se inicia em janeiro e fevereiro, com treinamento e competições indoor. Em março e maio, os campings de treinamento e competição, principalmente nos Estados Unidos, algumas provas específicas em outros locais, como maratona e marcha atlética, em altitude. E finalmente em junho e julho, praticamente com a equipe olímpica definida serão realizados campings de treinamento e competição na Europa, de onde já embarcamos para Saitama, no Japão", explicou João Paulo.

O Brasil fez seis finalistas entre os oito melhores em Doha
4º - Erica de Sena - 20 km de marcha atlética
4º - Darlan Romani - arremesso do peso
4º - Revezamento 4x100 m masculino (com recorde sul-americano)
5º - Thiago Braz - salto com vara
6º - Fernanda Borges - lançamento do disco 
7º - Alisson Santos - 400 m com barreiras (com recorde sul-americano sub-20)
8º - Revezamento 4x400 m misto

Dois finalistas (provas de campo) entre os 12 melhores
10º - Augusto Dutra - salto com vara
12º - Almir Cunha - salto triplo

Quase medalha
A prova do arremesso do peso masculina foi a mais forte da história dos Mundiais. Um exemplo disso é com os 22,53 m obtido por Darlan Romani no sábado (5/10) ele seria campeão em todas as 15 edições anteriores da competição. Em Doha, porém, acabou em quarto lugar, atrás dos norte-americanos Joe Kovacs, com 22,91 m (recorde do torneio) e de Ryan Crouser, com 22,90 m (recorde pessoal) e do neozelandês Tomas Walsh, também com 22,90 m (recorde da Oceania).

No revezamento masculino 4x100 m, os brasileiros Rodrigo Nascimento, Vitor Hugo dos Santos, Derick de Souza e Paulo André Camilo de Oliveira fizeram a lição de casa. Quebraram no sábado o recorde sul-americano que durava 19 anos - desde a Olimpíada de Sydney-2000 -, com 37.72. Qualificado para a Olimpíada de Tóquio, acabou em quarto lugar, sendo superado por três equipes fantásticas.

Os Estados Unidos conseguiram a melhor marca da temporada, com 37.10, seguidos da Grã-Bretanha, com 37.36 (recorde europeu), e do Japão, com 37.43 (recorde asiático).

Foto: Wagner Carmo/CBAt

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