Após seis dias de treino, dupla de Tonga fica em último lugar, mas mira Tóquio-2020 e conquistas maiores que o esporte


Depois de errar a posição do barco na linha de largada do K1 200m, Pita Taufatofua voltou às águas do Centro Olímpico de Szeged para disputar a terceira bateria dos 500m no K2 durante o Mundial de Canoagem de Velocidade, na Hungria. Nem o último lugar na bateria, com um tempo de 2:37.81, ao lado de Malakai Ahokava, presidente da Federação de Canoagem de Tonga, desanimou a dupla. 

"Claro que vi ontem e fiquei pensando 'não quero cometer esse erro mais uma vez'. Hoje deu tudo certo, então estou feliz", comentou Pita em entrevista exclusiva para o Surto Olímpico. O barco de Tonga ficou em 24º geral, mais de 40 segundos atrás da dupla da Macedônia do Norte, penúltima colocada.

O atleta de Tonga que virou celebridade instantânea ao desfilar usando uma roupa tradicional do país e com óleo de coco na Cerimônia de Abertura das Olimpíadas do Rio, busca sua terceira vaga olímpica em um esporte diferente, após competir no Esqui de Velocidade em PyeongCheang-2018. "O nosso objetivo aqui era fazer a nossa melhor marca pessoal. Como foi a primeira competição da qual participamos, o objetivo foi alcançado", brincou Pita. 

"Sigo treinando Taekwondo, mas a canoagem significa muito para mim também. E é algo que qualquer menino pode fazer, no Brasil, também, essa relação com a natureza é muito importante para nosso país", revelou o atleta que espera melhorar as condições do esporte no país.

Ahokava torce para que a atenção da mídia em torno da dupla possa auxiliar o desenvolvimento do esporte no país. "Temos muitos espaços para treinar, naturalmente, mas quase nenhum equipamento. Ter chegado na linha de chegada já foi uma vitória para nós, pois estamos treinando há apenas seis dias", revelou o atleta, um dos responsáveis pela primeira delegação de Tonga em Mundial de Canoagem.

A dupla informou que a Federação Húngara de Canoagem foi responsável pelo convite da dupla e tem auxiliado eles a treinar, mas revelou que outros sacrifícios foram feitos. "Ahokava teve que plantar batata-doce e vender para financiar sua vinda, eu necessitei de ajuda da família. Nosso barco é um barco de passeio, não é adequado para competição. Tivemos que ir conversando o trajeto todo para manter o equilíbrio", comentou Taufatofua. Ele está preparando uma arrecadação de fundos para a compra de equipamentos melhores em busca do sonho olímpico.

Ao ser perguntado como considera suas chances de ir para Tóquio, ele mantêm o pensamento positivo e diz ter certeza de estar presente nos Jogos Olímpicos de 2020, lembrando que o principal objetivo do país na disputa pela vaga é o Campeonato da Oceania que será disputado em Auckland, Nova Zelândia, entre 1 e 3 de fevereiro. 

"Se em seis dias conseguimos esse resultado, imagina em seis meses", comentou, declarando ainda que o treinamento será feito tanto na Europa, quanto em Tonga, no Japão e na Austrália, onde ele mora. O pensamento positivo marcou a entrevista e a maneira em que os dois estão encarando a experiência na Hungria e Taufatofua garantiu que é isso que o motiva a seguir competindo. 

A dupla aproveitou o campeonato para lançar Earfh, uma rede social "baseada em respeito ao planeta, aos outros e a nós. Não é uma rede social para ter likes ou postar selfies, mas algo maior, em que podemos nos ajudar a desenvolver uma sociedade melhor e mais sustentável", declarou a celebridade de Tonga, que segue carregando a bandeira do país em competições mundo afora.

foto: Mateus Nagime/Surto Olímpico

Postar um comentário

Copyright © Surto Olimpico. Designed by OddThemes