Preste a estrear nos Jogos Paralímpicos, Giovane Vieira conta a sua história: “De muleta, eu pegava quatro ônibus para ir e mais quatro para voltar” - Surto Olímpico

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Preste a estrear nos Jogos Paralímpicos, Giovane Vieira conta a sua história: “De muleta, eu pegava quatro ônibus para ir e mais quatro para voltar”

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Giovane Vieira de Paula participará de sua primeira edição dos Jogos Paralímpicos, ele vai remar nas categorias KL3 e VL3 200m. Ele já tem boa experiência em provas internacionais participando de dois Campeonatos Mundiais e uma Copa do Mundo. Mas Tóquio será com certeza muito diferente, uma conquista sonhada desde quando começou a remar. “Acordar todos os dias para treinar e buscar um sonho não é fácil, ainda mais quando seu corpo está exausto, mas sempre tive fé em Deus e nesse sonho de participar dos Jogos Paralímpicos”.

A sua vaga veio durante a Copa do Mundo de Paracanoagem realizada em Szeged na Hungria no mês de maio, ele chegou a Final B do KL3 200 metros, e garantiu o 3º lugar onde veio a conquista da cota olímpica. Também participou da final do VL3 200 metros onde chegou em 5º lugar.

Nascido em Apucarana, centro-norte do estado do Paraná. Aos 11 anos, Giovane sofreu um acidente que lhe causou a amputação de uma das pernas, enquanto brincava. Aos 13 anos de idade, durante um passeio com a família, conheceu a canoagem. “Em um final de semana, havíamos ido passear em Londrina no Paraná, que na oportunidade estava sediando o Campeonato Brasileiro de Canoagem Maratona. Eu me interessei, queria assistir, ver como era e acabei vendo que havia competidores com deficiência. Acabei recebendo um convite para treinar e desde a primeira vez que eu entrei no barco, eu me apaixonei. Nunca mais quis sair de lá”, fala.

“Uma jornada de muito esforço para garantir bons treinos”
O caminho não foi fácil e os obstáculos começavam antes mesmo de cair na água. Treinando de segunda à sábado, acordava às 4h para começar a treinar às 8h da manhã. “De muleta, eu atravessava a cidade para chegar em outra cidade. Pegava quatro ônibus para ir e mais quatro para voltar. Por vezes, aconteceu de eu chegar às 23h em casa, mas no dia seguinte, eu estava lá de novo. Por cansaço, acordava e precisava correr para pegar o ônibus. Podia ter sol, chuva, mas eu nunca faltava”.

O esforço rendeu frutos e o atleta coleciona conquistas. Já foi campeão da Copa Brasil de Paracanoagem, além de ter conquistado os títulos de campeão brasileiro, sul-americano, pan-americano.

Hoje, aos 23 anos e a três integrando a seleção brasileira e treina no litoral sul de Ilha Comprida, no estado de São Paulo. O tempo de percurso para remar é bem menor, mas não menos rígido. Ele acorda às 5h para entrar na água às 6h. “É quando a água está mais calma. Nossa rotina é de segunda à sexta, com dois treinamentos por dia”. Depois de Tóquio, Giovane já tem outro desafio: ele disputará o Mundial de Paracanoagem na Dinamarca.

Foto: Divulgação

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