Grand Prix de Judô - Montreal - Último Dia: Chuva de medalhas para o Brasil


A seleção brasileira de judô finalizou no domingo, 07, mais uma etapa de preparação para os Jogos Pan-Americanos de Lima e para o Campeonato Mundial de Tóquio com pódios no Grand Prix de Montreal, no Canadá. Depois de Sarah Menezes (-52kg) e Aléxia Castilhos (-63kg) conquistarem dois bronzes nos primeiros dias de disputa, neste domingo foi a vez de Rafael Macedo (-90kg), Leonardo Gonçalves (-100kg) e David Moura (+100kg) faturarem mais bronzes para o Brasil, que fechou a competição, portanto, com cinco pódios. 

O primeiro a garantir a medalha foi o médio Rafael Macedo. Ele conseguiu uma virada espetacular sobre Eduard Trippel, da Alemanha, buscando duas projeções depois de sofrer um waza-ari nos segundos iniciais. A única derrota do brasileiro foi para o atual campeão olímpico Mashu Baker, do Japão, que terminou com o ouro em Montreal. 

Em seguida, no meio-pesado, Leonardo Gonçalves venceu o croata Zlatko Kumric, por ippon, e ampliou o número de medalhas brasileiras no Canadá. Assim como Macedo, Leo só perdeu para o campeão do Grand Prix, o egípcio Ramadan Darwish, que bateu o brasileiro na semifinal. 

Antes disso, Gonçalves bateu o canadense Tavis Jamieson e seu compatriota Rafael Buzacarini, que fechou a competição em sétimo lugar ao cair na repescagem diante do canadense Kyle Reyes. 

Fechando a conta, David Moura controlou Vladut Simionescu após marcar um waza-ari e venceu a disputa de terceiro lugar do peso pesado masculino. O ouro ficou com o francês Teddy Riner e prata com o japonês Hisayoshi Harasawa, algoz de David na semifinal. 

O Brasil teve ainda a chance de uma sexta medalha de bronze com a meio-pesado Samanta Soares, mas a brasileira foi superada nas punições pela equatoriana Vanessa Chala. 

Do Canadá, a seleção masculina embarcará para um período de treinos na França, no tradicional Treinamento de Campo Internacional de Houlgate. 

A equipe feminina, por outro lado, finaliza nesta semana o treinamento de campo internacional em Valência e disputará no próximo final de semana o Grand Prix de Budapeste. A preparação faz parte do planejamento integrado entre a CBJ e o Comitê Olímpico do Brasil. 

Para o último dia de Judo no primeiro Grand Prix, além da recuperação da seleção masculina do Brasil, o fracês Teddy Riner mostrou que está de volta e pronto para conquistar novos títulos e ser o grande adversário dos brasileiros David Moura e Rafael Silva no mundial, mas não foi um dia fácil para o dez vezes campeão mundial e bicampeão olímpico. Além disso, o Japão terminou no topo do pódio de medalhas com 7 medalhas de ouro, o Canadá em segundo com nove medalhas. 

Vejamos os demais destaques do dia que teve a volta de Teddy Riner.



MULHERES
-78kg
A atual campeã mundial e concorrente direta de Mayra Aguiar no próximo mundial e nas olimpíadas de Tóquio, Shori Hamada era a grande favorita da esvaziada chave da categoria – 78kg. 

A atleta venceu todos os seus combates preliminares por ippon, deixando para trás Sophie Berger (BEL), Teresa Zenker (GER) e Vanessa Chala (ECU). Na final, ela se opôs à russa Aleksandra Babintseva, medalha de bronze no último campeonato mundial. 

Chamava atenção a diferença de altura entre as lutadoras, sendo Hamada bem menor. Porém, a japonesa não se intimidou e aplicou, em menos de um minuto, um uchi-mata, levando à russa ao solo e vencendo o ouro. 

Maike Ziech (GER) venceu o primeiro combate valendo medalha de bronze, derrotando Nefeli Papadakis (EUA). Na segunda luta, Samanta Soares enfrentou a equatoriana Vanessa Chala. A luta foi duríssima e levada ao Golden Score. Porém, após um falso ataque, a brasileira recebeu o terceiro shido e terminou na 5ª posição. 

(+ 78 kg) 

E a saga vitoriosa do Japão continuou. A também campeã mundial, Sarah Asahina, favorita ao título, fez valer sua condição. Na final, diante de Raz Hershko (ISR), não deu qualquer chance a sua adversária. Em poucos segundos a japonesa aplicou um waza-ari que, após a encaixar um te-waza, chegou ao fim do combate. Ippon. 

As medalhas de bronze ficaram para Nami Inamori (JPN), que venceu Ivana Sutalo, e Melissa Mojica (PUR), que venceu Ninca Cutro-Kelly (USA). 

HOMENS

(-90kg)



Três vezes medalhista continental, Colton Brown (USA) estava confiante e subir ao lugar mais alto do pódio em um Grand Prix pela primeira vez. Só que no meio do caminho tinha Baker Mashu, atual campeão olímpico. O norte-americano vinha de quatro vitórias convincentes nas preliminares: três por ippon e uma por waza-ari. 

O equilíbrio da luta fez com que a Golden Score parecesse um caminho certo. No entanto, a poucos segundos do fim do tempo regular, o americano tentou aplicar um uchi-mata, tendo o campeão olímpico usado um contra-ataque, conseguindo pontuar com um waza-ari, que não foi superado. 

A primeira medalha de bronze colocou frente a frente o campeão mundial júnior de 2014, nosso Rafael Macedo, contra o medalhista de bronze do mundial júnior de 2017, Eduard Trippel (GER). A disputa foi espetacular. Com um sumi-gaeshi, o alemão abriu a pontuação com um waza-ari. Porém, o brasileiro encontrou forças para empatar a luta com um waza-ari e, em um contra-ataque, marcar seu segundo waza-ari e garantir um lugar no pódio. 

A segunda medalha ficou com Milan Randl (SVK), deixando para trás o atleta da casa Mohab Elnahas (CAN). 

(-100kg)


No embate final da categoria, Ramadan Darwish (EGY) e Shady Elnahas (CAN) se enfrentaram. A luta foi rápida, durando pouco mais de trinta segundos, quando o egípcio contra-atacou um golpe de Elnahas e garantiu a medalha de ouro para o continente africano. 

A primeira medalha de bronze foi disputada entre Kyle Reyes (CAN) e Karl-Richard Frey (GER). Com um ko-soto-gake o canadense marcou um waza-ari que lhe rendeu a vitória e o pódio. 

A segunda disputa pelo bronze contou com Leonardo Gonçalves (BRA), que enfrentou Zlatko Kumric (CRO). Outra luta de pura emoção. O brasileiro saiu vencendo com um ko-uchi-gari, rendendo seu primeiro waza-ari. O croata, no entanto, buscou a luta e com um golpe bem executado aplicou um waza-ari. No final da luta, Leonardo contra-atacou o croata e conseguiu o segundo waza-ari para garantir a medalha no peito, sua primeira em Grand Prix. 

(+ 100kg) 


A lenda voltou. A expectativa era tremenda para ver Teddy Riner no tatame novamente. Com quase 150 lutas consecutivas de invencibilidade (PASMEM!), cada luta do francês é uma final a parte consigo com a história. Para apimentar, o astro disse não estar 100% ainda. 

A chave do Canadá não estava fácil não. O bicampeão olímpico e dez vezes campeão mundial (contando com a conquista por equipes) enfrentou na semifinal o campeão olímpico da categoria -100kg, que subiu de peso neste ciclo olímpico, o tcheco Lukas Krpalek. 

A luta na semifinal foi duríssima e levada para o Golden Score. Após três minutos, o gigante francês conseguiu encaixar um golpe e se garantir na final, em uma reedição da final olímpica contra o japonês Hisayoshi Harasawa. 

A final foi outro show de nervos e emoções. O francês começou penalizado. Depois, o japonês recebeu duas penalizações e ficou “pendurado”, a um shido de ser desclassificado. No entanto, já próximo do Golden Score, o francês foi penalizado novamente, deixando tudo igual. 

A tensão do público era notória. E a chance de uma derrota de Riner era real. No entanto, o que aconteceu é o que vem acontecendo há anos: Riner venceu. O francês aplicou um lindo golpe que lhe rendeu um waza-ari. Volta em grande estilo. 

O primeiro bronze foi conquistado pelo brasileiro David Moura, que venceu o romeno Vladut Simionescu. David conseguiu um waza-ari logo no início da luta e sua vantagem não foi mais alcançada. Foi sua sétima medalhas em Grand Prix. 

O campeão olímpico Lukas Krpalek (CZE), que perdeu para Riner nas semifinais, venceu com tranquilidade o atleta Johannes Frey (GER) e se garantiu no pódio. 

QUADRO DE MEDALHAS

A competição foi no Canadá e contou com dezenas de atletas da casa. Porém, que parecia estar muito a vontade eram os japoneses. Com um time fortíssimo e mesclando experientes atletas campeões mundiais e medalhistas olímpicos com atletas mais jovens, com facilidade ficou na primeira colocação. 

O Brasil ficou bem atrás na classificação por “peso” de medalha, que considera a cor de cada conquista. No entanto, em relação ao número de medalhas, o Brasil ficou atrás apenas do Canadá e do Japão, com cinco medalhas.


Fotos: IJF
Fonte: CBJ/IJF

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