Coluna Surto Mundo afora #48 - Quem para a Holanda no Hóquei na grama?


Por Bruno Guedes

Se foi vice no futebol, quem vai parar a Holanda no hóquei na grama? Esta é a pergunta que todos fazem nesse ciclo olímpico para Tóquio 2020. A Austrália quase conseguiu, mas de novo não foi desta vez. As holandesas venceram as australianas na disputa dos shootouts e foram campeãs da primeira Pro League, a nova competição da Federação Internacional.

Numa disputa muito equilibrada no placar porém com mais poderio em campo das europeias, a final deu o tom da superioridade que o time dirigido por Alyson Annan conseguiu desde a Rio 2016. Prata naquela ocasião, uma fortíssima renovação foi colocada em curso e novamente a Holanda dominou o esporte desde então. Se o empate em 2 a 2 levou a disputa para os tiros livres, a vitória continuou com a Oranje.

Este foi o terceiro título de expressão em três anos. Em 2017 as holandesas foram campeãs europeias, ano passado campeãs mundiais e agora da Pro League, o torneio que durou cerca de seis meses no formato de jogos fora e dentro de casa. E os números mostram o tamanho da superioridade: foram 16 jogos na primeira fase, 15 vitórias e 45 pontos no total. 

A segunda colocada na fase de classificação, a Argentina, fez as mesmas 16 partidas mas com 10 vitórias e 38 pontos. Vice-campeã, a Austrália teve nove vitórias e 30 pontos com a mesma quantidade de jogos. Vale lembrar que, após um empate no tempo normal, um ponto extra era dado para quem vencesse nos shootouts. 

A diferença na pontuação é grande, mas a quantidade de triunfos é que mostra o estágio em que as holandesas estão, muito à frente das demais. Além do título, também tiveram a melhor jogadora do torneio. A jovem atacante Frederique Matla, de 22 anos, é certamente a maior expoente desta nova geração que ainda conta com diversas estrelas como Eva de Goede - Melhor do Mundo no último ano - e Lidewij Welten, uma das maiores jogadoras da história da modalidade.

Por outro lado, duas das seleções que dominaram o cenário recente vêm decepcionando. Atual campeã olímpica, justamente batendo a Holanda, a Grã Bretanha faz um ciclo para Tóquio frustrante. Foi a penúltima colocada, à frente apenas do fraco selecionado dos Estados Unidos, com 3 vitórias, 14 pontos e incríveis 10 derrotas. Com uma renovação do plantel em curso, os resultados chamaram a atenção da imprensa local que já não descarta até mesmo um vexame nas Olimpíadas.

Caso parecido, porém ainda mais forte em decepção, é a da Argentina. Desde a aposentadoria da maior jogadora de todos os tempos, Luciana Aymar, Las Leonas não conseguem mais se reerguer como potência mundial. Eliminada pela mesma Austrália no Mundial, novamente caiu diante das rivais. Preocupante é que as argentinas não conseguem mais se impor nos momentos decisivos, marca das meninas durante mais de uma década.

Já no masculino foram os australianos que colocaram um tempero a mais nas muitas forças do esporte. Derrotando a Bélgica na final 3 a 2, a seleção fez barba, cabelo e bigode como as holandesas no feminino. Isso porque também foi a líder na fase de classificação (14 jogos, 10 vitórias e 32 pontos) e teve o MVP do torneio, Araz Zalewski.

Os belgas, vice-campeões olímpicos e campeões mundiais, são os grandes destaques deste ciclo para 2020. Mostram que não foi por acaso a prata na Rio 2016. Bem como a renovação e consolidação da Holanda, com o grande técnico argentino Max Caldas à frente. Os Oranjes terminaram em terceiro mas mostrando que pode almejar algo a mais em Tóquio.

Os campeões olímpicos da Argentina, assim como as Leonas, decepcionaram. Ficaram apenas em quinto lugar. Mas ao contrário das meninas, têm boas perspectivas porque o masculino está bem mais imprevisível. Há mais seleções ganhando e embaralhando as cartas. Quem vence hoje, amanhã não mantém o título.

Falta pouco mais de um ano para as Olimpíadas. Como será até lá, com a Holanda dominando entre as mulheres e a grande disputa nos homens?

foto: Divulgação

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