Coluna Surto Mundo Afora #44



Por Bruno Guedes 
Principal potência do judô, o Japão acabou em primeiro no quadro de medalhas do Grand Slam de Baku. Ao todo foram cinco medalhas em três dias de competição, sendo duas de ouro, duas de prata e uma de bronze. Só neste ano já são 41 no total, sendo 17 douradas, 10 prateadas e 14 bronzeadas. Os japoneses, neste momento, contam com 3 judocas no topo do ranking: Chizuru Arai na categoria -70kg, Tskusaka Yoshida na -57kg e Funa Tonaki na -48kg. Para efeito de comparação, o Brasil tem apenas a Mayra Aguiar por enquanto e 14 medalhas ao todo este ano. E nada disso é por acaso.

Dono de um estilo chamado "clássico", os asiáticos têm apreço muito grande por razão particular. Fundada por Jigoro Kano no século XIX, foi durante os últimos 100 anos que a modalidade se popularizou. Por render bastante medalhas, ganhou adeptos principalmente pelas potências esportivas como Estados Unidos, União Soviética e Cuba, com outros estilos sendo desenvolvidos. O Brasil também tem forte tradição graças a imigração japonesa, que popularizou esta e outras artes marciais. Nas últimas décadas a França foi quem assumiu um certo protagonismo.

Após oscilar na última década, os orientais retomam com muita força o protagonismo no ciclo olímpico do esporte. E isso está diretamente ligado ao fato de as Olimpíadas estarem voltando para Tóquio. A preparação foi feita com base em descobrir novos atletas e a busca por talentos. Não à toa que as três judocas supracitadas têm 25, 23 e 23 anos, respectivamente. E o caso se repete na categoria masculina, onde há três nomes em segundo no ranking e baixa média de idade: Ryuju Nagayama (-60 kg) com 23, Soichi Hashimoto (-73 kg) com 27 e Joshiro Maruyama (-66 kg) de 25.

Este trabalho tem a ver também com a distribuição de medalhas que o Japão projeta para dar um salto ainda maior no quadro olímpico. Ao contrário do Brasil, cuja tradição esportiva sempre está ligada aos esportes coletivos e que rendem apenas um pódio, nos individuais há diversas categorias e mais chances para conquistas múltiplas. E o judô distribui 14 medalhas, sendo o grande carro chefe exatamente da turma do Sol Nascente.

Na Rio 2016 os japoneses ficaram em sexto no quadro geral, com 41 conquistas em todas as modalidades, sendo 12 douradas. Destas, 12 medalhas vieram do judô, sendo três de ouro, uma de prata e oito de bronze. Ou seja, 30% de tudo conquistado. Quatro anos antes, em Londres, os judocas foram responsáveis por sete medalhas do total de 38 pela delegação inteira (uma dourada e outras três de cada cor). Correspondente a 18% delas. Mesma quantidade que em Pequim 2008, porém com mais atletas em primeiro lugar, quatro ao todo. O que fez com que tal esporte ajudasse com 28% das 25 medalhas de 2012.

O judô já rendeu 84 pódios na História olímpica do país: 39 de ouro, 19 de prata e 26 de bronze. Tais dados recentes mostram o quanto os japoneses conseguiram melhorar em termos de desempenho e, consequentemente, nas Olimpíadas. A expectativa é que esses números cresçam consideravelmente em 2020. Segundo a Federação local, a projeção é de conquistarem mais medalhas douradas em relação a 2016, algo em torno de cinco ou seis. Mantendo a média da modalidade e impulsionada por outros esportes, o Japão pretende assim ficar entre os quatro primeiros colocados no quadro geral.

Menos de um ano antes das Olimpíadas em casa, o Mundial de Judô de Tóquio, em agosto deste ano, promete ser um grande teste da geração que vislumbra o olimpo durante 2020. Além da atmosfera, os judocas poderão sentir o clima de uma competição a nível global como anfitriões. O cenário é bom. A esperança é grande. E os números não mentem: a arte marcial voltou para seus donos.

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