Laboratório das categorias de base do vôlei de praia avalia atletas e tem "aula" com Alison/André


Imagine ser convocado pela primeira vez para um treinamento das seleções brasileiras de base do vôlei de praia. E neste período, ter a oportunidade de receber ao pé do ouvido dicas de campeões olímpicos e mundiais, além de palestras e dicas de preparação física. Foi o que 22 meninos e 20 meninas já vivenciaram nesta primeira semana do Laboratório de Detecção de Talentos da Confederação Brasileira de Voleibol, em Saquarema (RJ). 

A ideia foi criada no final de 2018, e a primeira lista de convocados foi definida no final de janeiro. Os atletas foram selecionados a partir de indicações regionais das federações, observação dos técnicos nos Campeonatos Brasileiros Interclubes e de Seleções (CBI e CBS)) e na disputa dos Jogos Escolares Brasileiros de 2018. O grupo se apresentou no último domingo (24.02), no Centro de Desenvolvimento de Voleibol (CDV).

Durante parte do período, a dupla Alison/André Stein (ES) também irá treinar no CDV, proporcionando uma integração entre as categorias de base e o profissional. A mineira Emanuely Cardoso, 16 anos, comentou sobre os momentos de convívio com os ídolos e a importância dos treinos em Saquarema para o desenvolvimento dos jovens.

“Ter a oportunidade de assistir ao treino de grandes atletas, treinar em dois períodos, com orientação de vários profissionais, faz com que a gente evolua muito e persiga esse objetivo de ser um atleta profissional. Ver a humildade de um campeão olímpico, que divide os mesmos espaços conosco e aparece nos nossos treinamentos é motivador. É como ouvi dizerem: Saquarema é um parque de diversões para quem ama e quer viver do voleibol”.

Alison, que soma um ouro olímpico (Rio-2016) e uma prata (Londres-2012), também falou sobre o contato com as garotas e garotos convocados. O bloqueador deu dicas práticas durante atividade nas quadras de areia e até participou do treino dos defensores, isso tudo  após seu próprio treinamento com o parceiro André Stein. O capixaba lembrou que no passado procurava seguir os passos de nomes como Loiola e Fábio Luiz.

“Esse contato é muito legal, primeiro com a palestra, onde tive a oportunidade de conversar com eles, e depois com os treinamentos de hoje. É importante para aproximar, para que não exista uma distância grande entre o sonho dessa criançada de 15, 17, 20 anos, e o profissional. Quando comecei, tive a referência do Loiola, ajudava nos treinamentos do Fábio Luiz. Via que era isso que queria para minha vida”, disse o campeão olímpico, que completou.

“Ser uma referência para esses meninos é muito gratificante para mim. Quero poder contribuir de alguma forma, assim como grandes atletas contribuíram comigo no passado. Temos 42 atletas aqui, se conseguirmos que 10 deles sigam na modalidade, e que os demais se tornem bons esportistas, boas pessoas, já vamos fazer um bem para sociedade e para o voleibol”.

A ideia do laboratório, além de garimpar talentos, é manter um acompanhamento permanente dos jovens observados. Fazendo também com que esses atletas levem para seus centros de treinamento regionais muitos dos conceitos aprendidos em Saquarema. Existem jovens de 14 estados diferentes entre meninos e meninas. O campeão mundial André Stein, que passou por convocações da base em Saquarema, elogiou a iniciativa.

“Achei muito bacana, são garotos mais novos, mais altos, mais preparados até do que quando eu fui convocado pela primeira vez. Certamente sairão bons atletas daqui, e fico feliz por perceber que sou uma referência para esses garotos, participar ali da rotina deles. Conhecer o centro de desenvolvimento de voleibol, ter essa vivência, é muito importante para que muitos deles não deixem de acreditar no sonho após um resultado adverso”.

André também comentou os benefícios de um período de treinos na “casa do voleibol” para a jovem parceria com Alison, que em 2019 terá a corrida por uma vaga olímpica pela frente.

“Passar um período em Saquarema, ao menos uma vez por ano, é quase que obrigatório. É a oportunidade de reunir a equipe inteira, ficar junto durante uma semana, com todo apoio de nutrição, preparação física, fisiologista. Treinamos e já colhemos amostras de sangue para avaliar desgaste, saber como organismo reage. É uma semana muito boa, intensiva e que nos ajuda a acertar muitos detalhes para a temporada”.

O gerente de seleções de vôlei de praia, Pedro Paladino, também comentou a importância do período de observação de novos talentos e destacou o apoio do Comitê Olímpico do Brasil.

“Essa semana de treinos é importante no sentido de identificarmos e desenvolvermos novos atletas, buscar uma renovação na modalidade. E atrair novos jogadores de vôlei em potencial, fazer com que esses jovens tenham continuidade. A ideia é que possamos ter uma periodicidade maior dos ‘camps’, monitorando esses atletas com mais frequência, para que no futuro eles possam representar o Brasil. Pretendemos fazer ao longo dos próximos quatro anos, em parceria com Comitê Olímpico do Brasil (COB), que nos dá muito apoio. Estão engajados com a CBV nesse novo projeto”.

Os técnicos responsáveis pela coordenação do trabalho serão Robson Xavier (masculino) e Marcelo Carvalhaes, o ‘Big’ (feminino), que comandam as equipes de base do vôlei de praia. Além deles, mais nove treinadores auxiliarão na missão de lapidar talentos. 

Além desta primeira convocação, com foco na detecção de novos talentos, um segundo período de treinamentos será realizado em Saquarema antes da disputa do Campeonato Mundial Sub-21. Neste segundo ‘camp’, os nomes de destaque desta seleção inicial se juntarão aos atletas que já vinham sendo acompanhados pelas comissões técnicas das seleções de base e já participam dos circuitos nacionais.

Foto: CBV

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