Coluna Surto Mundo Afora #37

Ano novo, campeão velho. Cercada por expectativas sobre a nova geração começando a assumir o protagonismo do tênis masculino, não foi bem isso que aconteceu no Aberto da Austrália. A final, aliás, foi um clássico: Rafael Nadal e Novak Dkokovic. E deu Djoko, pela sétima vez.

Segundo maior vencedor de Grand Slam em todos os tempos, com 17, atrás apenas do suíço Roger Federer, Nadal disputou a 25ª final em um torneio deste nível. Agora já vê Novak na sua cola com 15. E no domingo foi superado pelo sérvio sem vencer nenhum set sequer.

Djokovic sempre precisou vencer a desconfiança dos analistas sobre seu real patamar frente aos outros, mesmo dentro de quadra provando ser um dos melhores. E começa a temporada disposto a derrubar não só quem ainda coloca em dúvida o seu lugar na história, como reescrevê-la. Para isso, portanto, precisará domar o seu calcanhar de Aquiles: o saibro. O número 1 do ranking da ATP  tem pela frente seu maior desafio entre os torneios da categoria, Roland Garros.

Em entrevista após a final, o campeão na Austrália citou o fato: "Obviamente tenho que trabalhar em meu jogo no saibro um pouco mais, mais especificamente do que na última temporada. Preciso jogar melhor no saibro do que no último ano. Já estou jogando melhor, mas preciso jogar melhor especificamente no saibro. O desafio máximo lá é ganhar do Nadal. Aí você tem o Dominic Thiem, o Alexander Zverev e o Roger Federer."

Se para a glória maior o sérvio precisará ser dominante, para a a nova geração o caminho está ainda mais árduo com tanta fome de títulos ainda dessas feras...

Já no feminino a renovação sim parece ter chegado. A japonesa Naomi Osaka, de apenas 21 anos, conquista seu segundo Grand Slam e de forma consecutiva. Muitos apontam a campeão como a possível sucessora da Serena Williams. Isso porque, além do seu precoce talento, consegue dominar as qualidades que lançaram a americana ao status de uma das maiores da história do esporte.

Osaka terá, a partir de agora, um peso que colocará em prova sua força frente às demais: o favoritismo. Nos próximos torneios chegará com credenciais que não carregava antes de vencer o US Open, seu primeiro título de Grand Slam. Isso se inverte, assim como a vontade de ser derrubada pelas demais.  Dominante durante toda a competição, a japonesa mostrou evolução física que ganhou destaque até mesmo na imprensa internacional. Mais forte que na temporada passada, o recurso sempre foi um grande diferencial na categoria.

O Austrália Open, apesar de disputado em um piso de jogo rápido, é uma demonstração de como se desenha o cenário esportivo e como os atletas se prepararam. Algumas já fizeram suas apresentações. É o caso da Sharapova, que após longo período de inatividade por suspensão tenta retomar a carreira. Fez boas partidas, mas terminou sua jornada nas oitavas de finais. Ainda longe da sua forma ideal, a russa tentará voltar ao auge em 2019.

Petra Kvitová, finalista e bicampeã de Wimbledon, volta a uma final de Grand Slam após cinco anos no simples. Bronze nas Olimpíadas do Rio, a tcheca pode ser uma das surpresas na temporada. Já a campeã do Aberto da Austrália no ano passado, a dinamarquesa Caroline Wozniacki caiu no início da competição. Após um 2018 irregular, novamente levanta suspeitas sobre sua forma física para o restante dos torneios.


foto: Getty Images

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