Autoridades olímpicas coreanas prometem ações após acusações de abuso sexual

O Comitê Olímpico da Coreia do Sul pediu desculpas a atletas que se manifestaram nas últimas semanas com alegações de abuso, abalando a instituição esportiva do país asiático.

Numa coletiva de imprensa na terça-feira (15), Lee Kee-heung - presidente do Comitê Esportivo e Olímpico da Coreia (KSOC) - se curvou em desculpas ao admitir que a organização havia permitido que indivíduos influenciassem seus procedimentos internos e impedissem que investigassem as alegações de abuso.

"Para os atletas que estão trabalhando, suportando um regime de treinamento árduo neste exato momento; os esportistas que estão se dedicando silenciosamente ao campo do esporte, apesar das más condições. A eles também, peço minha sincera desculpa", disse Lee.

Ele prometeu "erradicar a prática de técnicos terem controle absoluto sobre o futuro de seus atletas e usar o poder para cometerem má conduta", e proibir permanentemente qualquer perpetrador de violência sexual de empregos futuros no mundo esportivo.

Na semana passada, novas revelações sobre bullying e abuso surgiram da incrível equipe de patinação de velocidade da Coreia do Sul, que dominou o esporte olímpico por décadas, conquistando seis medalhas nos recentes Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang - incluindo três ouros.

Patinadora de velocidade, Shim Suk-hee veio a público para acusar um ex-treinador de abusar sexualmente dela desde os 17 anos. O treinador, Cho Jae-beom, já havia sido considerado culpado no ano passado por assaltar Shim e outros três patinadores, e foi preso 10 meses. Ele negou as novas alegações.

"Espero que nenhuma outra pessoa seja vitimizada como eu no campo dos esportes. Eu reuni coragem e vim aqui para dar um pouco para a causa", disse Shim a repórteres. "Por qualquer motivo, a violência deve cessar".

Ums das principais atletas olímpicas do país, Shim conquistou o ouro em Pyeongchang e em Sochi, quatro anos antes, somando-se a um total que inclui vários campeonatos mundiais.

Mas os observadores temem que o prestígio que ela e outros patinadores trouxeram ao país no gelo possa ter incentivado as autoridades a encobrir acusações de abuso dentro da equipe olímpica.

Na segunda-feira (14), o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, pediu uma contagem geral da sociedade sobre "testemunhos sobre violência e abuso sexual na indústria do esporte", que segundo ele mostrou um "retrato vergonhoso" do país que havia sido escondido pela "gloriosa aparição da Coreia do Sul como uma potência esportiva".

Em coletiva de imprensa organizada pelo grupo Solidarity for Young Skaters (SYS), o atleta Yeo Jun-hyung acusou o órgão de patinação do país de silenciar atletas que se aproximaram enquanto os abusadores era protegidos. 

"Os atletas seriam penalizados, mas os executivos permaneceriam em seus lugares", disse Yeo. "Vendo isso, senti-me cínico e me perguntei como isso poderia mudar".

Ele culpou o problema sobre a cultura do esporte sul-coreano, comparando-o com outros países, onde "os atletas e o treinador agem uns com os outros como amigos e isso é natural. O sistema coreano não é assim", disse Yeo.

Em um comunicado, SYS afirmou que as revelações de Shim eram apenas a ponta do iceberg: "Nós descobrimos através da investigação que outros atletas estavam sofrendo a agressão sexual e assédio dos pessoas com influência e poder na patinação".

A declaração acrescentou que o grupo evitou divulgar os casos de acusação por medo de que "a acusação só possa resultar em vitimização secundária e retaliação contra os atletas".

Foto: Divulgação


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