Mundial de Ginástica Artística 2018 – Dia 8

O oitavo dia de competições no Mundial de Ginástica Artística em Doha, no Catar, já está gravado na história. Simone Biles conquistou seu quarto título mundial no individual geral e, agora, de forma isolada, é a ginasta que mais vezes foi campeã nessa categoria.

As brasileiras Flavinha Saraiva e Jade Barbosa tiveram bons desempenhos e melhoraram as posições das qualificatórias.

BILES SE TORNA A MAIS VITORIOSA GINASTA FEMININA NO INDIVIDUAL GERAL EM MUNDIAIS

É verdade que a americana Simone Biles não estava em seus melhores dias. Apesar dos erros atípicos, a campeã olímpica seguiu firme para conquistar o quarto título mundial. Um recorde entre as mulheres.

Antes de Doha, Biles venceu três títulos mundiais: Antuérpia/2013, Nanning/2014 e Glasgow/2015. Lembrando que ela não participou da última edição do mundial, em Montreal/2017. Desempenho similar ao de Simone Biles, apenas a ginasta russa Svetlana Khorkina, também vencedora de três mundiais no individual geral: Laussane/1997, Gante/2001 e Anaheim/2003. Agora, Biles está isolada na frente.

Mas Khorkina ainda detém o recorde de número de medalhas em mundiais. A russa subiu ao pódio nada menos do que 20 vezes. Biles, agora, tem 16 medalhas, mas ainda tem quatro disputas individuais em aparelhos para tentar, ainda neste mundial, empatar com a incrível ginasta russa.

De toda forma, ninguém tem mais medalhas de ouro, no feminino, do que a americana. Já são 12 no total e, como dito, podem vir mais. Ela é franco favorita em mais três provas: solo, salto e trave.

O CAMINHO DE BILES ATÉ FAZER HISTÓRIA

Simone Biles parecia que ia ter vida fácil no dia de hoje. Parecia. Ela sofreu duas quedas em aparelhos nos quais já conquistou ouro em mundiais. Na primeira rotação, no salto, Biles fez um salto com um grau de dificuldade elevadíssimo (6.4), mas a execução não foi boa e a campeã mundial caiu de costas no acolchoado. Mesmo assim, ela conseguiu uma nota bem alta, 14.533, a sexta melhor pontuação do aparelho no dia.

Depois de uma forte rotina nas barras assimétricas, a americana fez sólidos 14.725 e já assumiu a primeira colocação.

Na terceira rotação, a trave, a ginasta foi mal mais uma vez. Uma queda e um grande desequilíbrio fizeram a atleta ficar com a nota de 13.233, apenas a nona melhor do dia.

No fim, ela se recusou diminuir a dificuldade da apresentação no solo e se redimiu: 15.000 foi a nota, 1.000 pontos a frente da segunda colocada no aparelho, assegurando, assim, a medalha de ouro no individual geral.

Simone Biles, que ficou em primeiro lugar nas eliminatórias com uma margem de 4,5 pontos, ainda conseguiu vencer com uma boa diferença 57.491 a 55.798 da japonesa Mai Murakami.

Apesar do feito histórico, a alienígena da ginástica feminina afirmou que ficou desapontada com sua performance e não responsabilizou seus erros ao seu estado de saúde (Biles descobriu que está com pedras nos rins neste mundial e tem reclamado de dores).

"Foi um dia difícil. Eu não sabia se ia conseguir, então comecei a duvidar de mim mesma". Ninguém pode duvidar do que essa menina é capaz, não é mesmo?

MURAKAMI SE TORNA A PRIMEIRA MEDALHISTA DE PRATA DO JAPÃO NO INDIVIDUAL GERAL FEMININO

Na incrível preparação que os japoneses têm feito para a Olímpiada de Tóquio/2020, surgiu uma nova estrela: Ami Murakami. A japonesa conquistou a medalha de prata no individual geral, com quatro apresentações sólidas: 13.566 nas barras assimétricas, 14.566 no salto, 13.666 na trave e 14.000 no solo, o suficiente para garantir uma medalha inédita.

"Queria apenas fazer um por um os exercícios. E eu fiz. Trouxe a medalha de prata. Terminei sorrindo”, completou a medalhista.

A medalha de Murakami é a terceira medalha no individual geral para as japonesas em mundiais, mas a primeira de prata. Antes dela, os bronzes de Keiko Ikeda, em Praga/1962, e de Koko Tsurumi, em Londres/2009.

MORGAN HURD FELIZ COM O BRONZE

A atual campeã mundial (Montreal/2017) sabia que teria uma trajetória difícil neste mundial, principalmente pela força de sua compatriota, Simone Biles, uma das melhores da história.

Hurd lamentou um erro na trave, que teria lhe custado a medalha de prata. Ela ficou a apenas 0.066 de Murakami: “Tentei ser perfeita”.

A americana disse ainda ser impossível comparar os mundiais de Montreal/2017 e o de Doha: "É difícil, porque são circunstâncias muito diferentes. No ano passado foi a minha primeira vez, realmente não sabia o que esperar. Este ano eu sou veterana e criei expectativas".

A disputa pela prata e pelo bronze foi bem apertada, sendo definida no último aparelho. Aliás, a competição terminou com uma diferença pequena separando a medalhista de prata da ginasta que ficou em 6º lugar por 0.199. Nina Derwael (BEL), quarta colocada, teve uma chance incrível de medalhar. Foi para a última rotação com possibilidades reais, mas ela fez uma apresentação um pouco abaixo das concorrentes. Falha que, aliada com a nota mediana no salto tirou a belga da corrida pela medalha. Derwael teve a melhor nota do dia entre todas as ginastas, um 15.100 nas barras assimétricas. É a favorita ao ouro no aparelho (barras) e será a maior concorrente de Biles.

Angelina Melnikova, da Rússia, pisou fora do solo e esse detalhe pode também ter lhe tirado uma das medalhas.

Assim ficou o top 10 do mundial:

1)Simone Biles (USA): 57.491
2)Mai Murakami (JPN): 55.798
3)Morgan Hurd (USA): 55.732
4)Nina Derwael (BEL): 55.699
5)Angelina Melnikova (RUS): 55.698
6)Melanie de Jesus (FRA): 55.599
7)Yile Chen (CHN): 54.632
8)Flávia Saraiva (BRA): 54.366
9)Huan Luo (CHN): 54.332
10)Asuka Teramoto (JPN): 54.299
15)Jade Barbosa (BRA): 52.866

BRASILEIRAS MELHORAM A CLASSIFICAÇÃO E FLÁVIA GARANTE TOP 10


O Brasil conseguiu um ótimo resultado nesta quinta-feira, na final do individual geral do Campeonato Mundial de Ginástica Artística, que está sendo disputado em Doha, no Qatar. Com ótima atuação no salto e no solo, Flavia Saraiva terminou na oitava posição com a nota total de 54,366. Jade Barbosa, que também participou da final, ficou em 15º lugar, somando 52,866.

Foi o melhor resultado do Brasil no individual geral desde 2007, quando Jade Barbosa terminou em terceiro lugar no Mundial de Stuttgart (ALE).

Flavinha iniciou sua participação nas assimétricas paralelas, quando ficou com a nota 13,000. Na trave, ela chegou a sofrer uma queda e repetiu a nota 13,000. Foi no solo que a brasileira levantou o público no ginásio Aspire Dome, ao tirar 13,833. Em seu último aparelho, o salto, Flavinha obteve a maior nota na final, com 14,533.

Jade Barbosa teve nesta final as seguintes notas: 12,933 na trave; 12,100 no solo; 14,500 no salto, sua melhor nota na prova; e 13,333 nas assimétricas.

Após a prova, Flavia Saraiva comemorou muito sua oitava posição. “Estou muito feliz. O trabalho que estou conseguindo fazer este ano está sendo muito produtivo. Tive uma pequena falha na trave ao cair. Talvez eu tivesse um resultado um pouco melhor, mas saio desta competição muito orgulhosa e espero evoluir mais nos próximos anos”, afirmou Flavinha, que ressaltou a importância do treinador Valeri Liukin na equipe brasileira.

“Está sendo muito bom para a gente. Os treinos estão diferentes e estamos nos adaptando. Mas se conseguimos evoluir tanto em quatro meses, imagina durante dois anos. Agora é só focar para treinar mais e manter a mesma evolução”, completou a ginasta.

Mesmo com os erros cometidos no solo e na trave, Jade Barbosa viu de forma positiva sua participação no Mundial. “Hoje eu fiz um solo pior do que nos outros dias, mas acho que melhorei nos outros aparelhos. Para começar o ciclo olímpico, acho que fui bem. Espero manter esta forma física, aumentar minhas notas de partida, voltar a fazer dois saltos... estou muito feliz por mais uma vez estar integrando a Seleção Brasileira”, disse Jade.

ZANETTI BUSCA NOVA MEDALHA EM MUNDIAIS

A ginástica brasileira tem boas chances de conquistar nesta sexta-feira (2) sua primeira medalha no Mundial de Doha, com a participação de Arthur Zanetti na final das argolas. A programação em Doha começará às 10h (horário de Brasília), mas a prova das argolas tem previsão para iniciar às 12h20. O SporTV 2 irá transmitir a final desta sexta-feira.

Zanetti entra como um dos favoritos nesta final, após ter avançado à final com a segunda melhor nota no qualificatório, 15,033. Ele foi superado apenas pelo grego Eleftherios Petrounias, que obteve 15,266. Será uma repetição da final olímpica da Rio-2016, quando o grego levou a melhor e ficou com o ouro, deixando o brasileiro com a prata.

Arthur Zanetti buscará em Doha também sua quarta medalha em campeonatos mundiais nas argolas. Ele foi campeão do mundo em Antuérpia (BEL)/2013 e conquistou duas de prata, em Tóquio (JAP)/2011 e Nanning (CHN)/2014.

Fotos: 1) FIG; 2) CBG.

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