Apelo de oficial da US Gymnastics criticando descredenciamento causa revolta nos EUA

Um e-mail, enviado por um dos principais dirigentes da federação de ginástica nacional para atletas, técnicos e pais causou revolta nos EUA. Nele, Tom Forster, coordenador da equipe de alta performance da USA Gymnastics tenta obter apoio contra o descredenciamento do órgão ante o Comitê Olímpico do país, proposto após as centenas de casos de abuso sexual descobertos em centros de treinamento e o fracasso da entidade em estabelecer uma liderança capaz de erradicar a cultura de abuso e administrar as consequências das investigações na justiça comum.

Segundo o e-mail, Forster teria se encontrado com a presidente do Comitê Olímpico dos EUA (USOC) Sarah Hirshland algumas vezes, onde teria sido comunicado que "A USOC acredita que a USA Gymnastics vai sofrer problemas legais associados com os processos das sobreviventes que irão, na opinião deles, ferir nossas equipes de Alta Performance". No e-mail o executivo declarou literalmente que o descredenciamento da entidade seria um "movimento estratégico" de parte do USOC "para apaziguar nossos críticos e o Congresso pela notada falta de progresso que fizemos como organização para resolver nossos problemas de imagem pública". 

Tom Forster ainda questionou a possibilidade do USOC assumir a administração da ginástica nos EUA caso a USA Gymnastics seja descredenciada: "O USOC vai se complicar para manter o que nós estabelecemos nos últimos 40 anos." Forster cita que o Comitê Olímpico dos EUA não teria recursos para manter os atuais orçamentos das modalidades de ginástica no país, que atualmente são mantidos em parte pela USA Gymnastics.

O e-mail irritou boa parte dos destinatários e da opinião pública no geral, que reagiu com críticas pesadas ao teor do comunicado: "Caiu mal para mim", comentou um usuário do Reddit, que completou "porque muito sobre o que esse sistema foi construído foi um ambiente abusivo de todos os lados, e isso também não está bom." Outro usuário comentou: "Ninguém quer administrar no que eles se fundavam, querem construir uma fundação melhor. Por que ele não entende?". 

A ex-ginasta Jennifer Sey, autora do livro "Chalked Up: Inside Elite Gymnastics Merciless Coaching, Overzealous Parents, Eating Disorders, and Elusive Olympic Dreams" (tradução: "Marcado: Por Dentro dos Técnicos Cruéis de Ginástica de Elite, Pais Super Zelosos, Transtornos Alimentares e Sonhos Olímpicos Elusivos". Não publicado em português), o e-mail foi "desafinado" e disse que a USA Gymnastics continua a ver o escândalo causado pela descoberta  de centenas de abusos sexuais cometidos pelo médico da entidade, Larry Nassar (na foto, ao fundo), como um mero caso de relações públicas: "Você não tem um problema de imagem pública. Você tem um grave problema cultural interno que criou o mais prolífico pedófilo da Historia dos EUA, correndo solto por 30 anos."

Sey criticou o foco dado no e-mail nas supostas realizações creditáveis à USA Gymnastics, dizendo que até isso seria discutível: "Eles (os atletas dos EUA) dominaram os Campeonatos Mundiais sem qualquer liderança na USA Gymnastics". A entidade tem passado por diversas trocas de comando nos últimos meses, com o afastamento de vários executivos e a descoberta de ações ilegais relativas à ocultação de documentos e acobertamento de crimes. A ex-atleta ressaltou que o problema vai além da eficiência administrativa: "Esse não é o ponto. O ponto é reconstruir uma organização que ponha a segurança de atletas e crianças primeiro. Precisam fazer essa a prioridade agora mesmo".

O Comitê Olímpico dos EUA não quis se manifestar à respeito, mas está dando sequência ao processo de descredenciamento da USA Gymnastics. O USOC deu à USA Gymnastics a opção de renunciar voluntariamente de seu status de órgão oficial da ginástica nos EUA, mas a entidade esportiva disse que não irá desistir da atual posição.




Foto: ABC

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