Contra abusos, CBG cria cartilha e passa a checar antecedente criminal de técnicos

Após a revelação do escândalo de abuso sexual que envolve o ex-treinador da seleção brasileira de ginástica artística Fernando de Carvalho Lopes, a CBG (Confederação Brasileira de Ginástica) publicará na próxima semana uma cartilha com recomendações e proibições para prevenir casos de assédio.

Ela vai adotar, por exemplo, procedimentos de checagem de antecedentes criminais de seus prestadores de serviço e impedir que membros das comissões técnicas e médicas façam atividades com atletas em situação de isolamento - será necessário que haja acompanhamento constante.

A cartilha será divulgada no site da confederação brasileira na próxima semana e enviada para as federações estaduais e outros órgãos filiados para cumprimento obrigatório e imediato. Os pontos foram discutidos nesta sexta-feira em reunião de diretoria na sede da CBG, em Aracaju.

"Estamos prevendo o estabelecimento de “padrões de comportamento” para equipes e voluntários que trabalham diretamente com menores. A ideia é criar um ambiente seguro na ginástica e prevenir situações abusivas" disse o assessor jurídico da CBG, Paulo Schmitt ao site GloboEsporte.com.

Segundo Schmitt, o rigor terá de ser maior na seleção dos colaboradores da confederação de ginástica. Seria uma maneira de se precaver de episódios como o de Lopes, cujas ações abusivas datavam sobretudo na década passada, antes de se juntar à seleção brasileira.

"Vamos fixar processo de contratação minucioso com, por exemplo, verificação de referência e antecedente criminal dos candidatos e prestadoras de serviços da CBG. Exigiremos que o mesmo procedimento seja efetivado em clubes e federações. Além disso, estimularemos pais para se tornarem mais presentes e ativos o mais razoavelmente possível nas atividades de ginástica de seus filhos" comentou o advogado.

A pretensão é que mesmo os colaboradores frequentes não sejam autorizados a ficar sozinhos na presença dos ginastas para evitar qualquer eventual situação constrangedora.

As medidas, chamadas de "padrões de comportamento", fazem parte da cartilha, que vai seguir a linha do que fez a federação norte-americana de ginástica após o caso que envolveu o médico Larry Nassar e tomar algumas normas como molde. A entidade brasileira também vai instituir um Comitê de Ética e Integridade, cuja composição será definida em um prazo de 30 dias.

Estamos anexando ao nosso código de ética várias recomendações e proibições relacionadas ao tema de assédio e abuso, considerando as normas do COI [Comitê Olímpico Internacional], FIG [Federação Internacional de Ginástica], MPT [Ministério Público do Trabalho] e até mesmo o estudo da USA Gymnastic [federação norte-americana] realizado após os problemas nos EUA"afirmou.

A CBG e o MPT assinaram um acordo recentemente para intensificar ações preventivas no que tange ao combate ao abuso sexual. Os procuradores do trabalho também assinaram parcerias com as confederações de desportos aquáticos e ciclismo.


foto: Ricardo Bufolin/CBG

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