Brasil busca bom desempenho no Mundial de Natação Paralímpica, em Portugal


O Mundial de natação paralímpica 2022 começa neste domingo, 12, na Ilha da Madeira, em Portugal, com a Seleção Brasileira da modalidade renovada com jovens atletas e impulsionada por campeões paralímpicos entre os 29 atletas que vão representar o país na competição.

A equipe brasileira contará com 35% dos atletas participantes com idade abaixo dos 23 anos, pouco mais de um terço do total. Ao todo, serão 10 dos 29 nadadores convocados com essa faixa etária que vão representar o país na competição.

Destes, sete serão estreantes em Mundiais. Entre eles, o mineiro Gabriel Araújo, de 20 anos, um dos destaques do Brasil nos Jogos de Tóquio ao conquistar duas medalhas de ouro (nos 50 m costas e 200 m livre) e uma prata (nos 100m costas) pela classe S2, além de já ser medalhista no Parapan de Lima 2019.

"Cada competição tem a sua diferença, a sua importância. Para mim, vai ser um Mundial novo, mas talvez não seja tão novo assim. Fui para o Parapan de Lima 2019 e 'pulei' o Mundial, pois logo depois participei dos Jogos de Tóquio. Mas conheço os adversários, eles me conhecem. Vai ser uma primeira vez bem diferente", afirmou Gabrielzinho, como é conhecido o nadador que tem focomelia, doença congênita que impede a formação normal de braços e pernas.

Ao todo, 13 nadadores do Brasil vão estrear no Mundial em Portugal, o que representa 48% do total dos atletas convocados para a competição. Entre eles, estão nadadores com experiência internacional e que já até conquistaram medalhas em Parapan e Jogos Paralímpicos, como Mariana Gesteira (S9), Douglas Matera (S13) e Gabriel Bandeira (S14).

Mas a Seleção Brasileira também terá nas piscinas da Ilha da Madeira a experiência dos pernambucanos Carol Santiago, que busca manter o embalo após a conquista de cinco medalhas nos Jogos de Tóquio – quatro individuais (três de ouro e uma de bronze) e uma prata no revezamento 4x100m até 49 pontos, e Phelipe Rodrigues, que chegará ao Mundial como um dos maiores medalhistas do país na história da competição.

A preparação para esse Mundial foi muito boa, não tivemos tantos problemas como no período para os Jogos de Tóquio por causa da pandemia. A gente conseguiu se preparar bem no Centro de Treinamento Paralímpico, passando por todas as fases do programa de treino que havíamos planejado. Acredito que chegarei bem competitiva neste Mundial também", apontou Carol Santiago, que nadará cinco provas individuais pela classe S12 (para atletas com deficiência visual), além dos revezamentos.

Para atingir esses resultados, os atletas têm realizado, desde que aterrissaram em Funchal, no último dia 2, um planejamento de adaptação à alimentação e ao novo fuso de quatro horas em relação à Brasília, elaborado de maneira integrada entre comissão técnica e os departamentos de Ciências de Esportes e nutrição do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).

A comida que tem sido oferecida aos atletas no hotel não é diferente das refeições realizadas pelos nadadores no Brasil. A estrutura física também foi outro aspecto importante dentro do planejamento elaborado para os atletas durante a estadia em Funchal. Além das academias do hotel em que os atletas estão hospedados, o CPB ofereceu um espaço de treino externo, próximo ao mesmo local, para técnicos e nadadores poderem utilizar antes e durante a competição.

"Vamos chegar bem preparados mais uma vez. Temos um número grande de atletas brasileiros bem colocados no ranking mundial, muitos deles brigando pelas primeiras posições, que é o que vale, a medalha de ouro, para o ranqueamento para o quadro de medalhas. Mas sabemos que temos grandes adversários, como a Grã-Bretanha, a Austrália, os Estados Unidos, a própria Itália. E o Brasil vai estar nesse bolo brigando pelas provas. E temos os outros objetivos também, que não são menores, mas que não definem colocação no quadro de medalhas, como o número de atletas que conquistam medalhas, jovens que estão aparecendo. Então, esses outros indicadores também nós trabalhamos bastante e são importantes, principalmente, quando pensamos em um ciclo todo para Paris 2024", avaliou Leonardo Tomasello, técnico-chefe da Seleção Brasileira da natação paralímpica.

O último Mundial foi realizado em Londres 2019, quando o país conquistou 17 medalhas no total, sendo cinco ouros, seis pratas e seis bronzes. Entre os Mundiais de natação paralímpica mais recentes, a melhor participação do Brasil aconteceu na Cidade do México 2017, quando os nadadores brasileiros subiram ao pódio 36 vezes, sendo 18 ouros, nove pratas e nove bronzes.

Naquela ocasião, o país ficou em quarto lugar no quadro geral de medalhas, assim como em Glasgow 2015, quando a Seleção Brasileira voltou para casa com 23 medalhas – 11 de ouro, oito de prata e quatro de bronze.

Foto: Alê Cabral/CPB



Postar um comentário

To Top