Internationaux de France de Patinação Artística 2019 - Dia 2


Dia de emoções muito fortes, lágrimas e grandes atuações no encerramento do Internationaux de France, terceira etapa do Grand Prix de Patinação Artística realizado na cidade de Grenoble. No feminino, uma performance com força artística, quase perfeita e com saltos potentes deu o ouro para a russa Alena Kostornaia (foto). No masculino, Nathan Chen dos EUA confirmou a vitória e está classificado para as finais. Na Dança no Gelo, uma apresentação de conceito ousado garantiu o ouro para os franceses Gabriella Papadakis e Guillaume Cizeron. E em pares, Anastasia Mishina e Alexandr Galliamov, da Rússia viraram o placar sobre os compatriotas Daria Pavliuchenko e Denis Khodykin.

Masculino:
Os primeiros colocados do programa curto apenas confirmaram as posições no programa livre: vitória fácil de Nathan Chen, dos EUA, com 297.16 pontos na somatória final. Em mais um dia complicadíssimo, onde ninguém conseguiu fazer programas sem falhas graves, Chen consolidou a vantagem errando menos: apenas várias falhas de saída, mas nenhuma queda. O resultado classificou o norte-americano para a final do Grande Prix, a ser disputada em Turim, na Itália no dia 5 de dezembro.

O segundo lugar ficou com o russo Alexander Samarin, que ficou 32 pontos atrás de Chen na somatória final. Sem conseguir a mesma limpeza de execução da véspera, Samarin teve problemas sérios com duas quedas nos saltos quádruplo flip e triplo lutz. 

O bronze ficou com o francês Kevin Aymoz. Após uma performance intensa, apaixonada e fisicamente desgastante em vários níveis—Aymoz terminou a apresentação com as mãos sangrando em vários pontos após sofrer diversos cortes e esfoladuras—o francês soltou a emoção num choro convulso e foi abraçado e amparado pelos técnicos John Zimmermann e Silvia Fontana. "Foi uma boa competição para mim e uma luta comigo mesmo durante os programas. Pus toda a energia que eu tenho nesta competição. Patinação Artística para mim é compartilhar emoções e lutar", disse em entrevista.

Outro momento em que as emoções dominaram o Patinoire Polesud de Grenoble foi a performance de Shoma Uno. Visto como um dos grandes favoritos antes da prova da França, o japonês, medalha de prata nas Olimpíadas de Pyeongcheng-2018 está sem técnico e base de treino desde o fim de maio, e suas atuações tem sofrido com a falta de consistência e preparação adequadas.

Quarto colocado no programa curto, Uno veio para o segundo dia pressionado e errou muito: com três quedas e execuções de vários outros elementos bastante deformadas foi o 9o. classificado no programa livre e o 8o. na somatória final, resultado que o deixa praticamente sem qualquer chance de ir para a final do Grand Prix. A plateia presente, no entanto, o apoiou de modo incondicional e caloroso, com gritos, aplausos, faixas e muitos bichos de pelúcia atirados no gelo ao final de sua apresentação. Sozinho na área do "kiss and cry" aguardando sua nota, Uno chorou sentidamente. Mais tarde, em entrevista, Shoma Uno comentou o momento e se mostrou grato pelas manifestações: "Chorei por causa da torcida, do apoio. Normalmente eu peço desculpas após uma performance ruim, mas desta vez eu só quero muito é agradecer". Uno declarou que deve buscar orientações na base de treino de Champéry, na Suíça, com a equipe de Stephane Lambiel, e depois segue para a competição na Rostelecom Cup da Rússia no dia 15 de novembro. No entanto, ainda não há um acordo para um novo técnico definitivo.

Dança no Gelo:

Gabriella Papadakis e Guillaume Cizeron venceram a prova de Dança no Gelo, provando que a excelência tem lugar para a inovação. A dupla optou por um trabalho vanguardista e difícil: apresentou "Find Me",um poema de Forest Black, com música incidental de Olafur Arnalds, e deixou a expressão corporal trabalhada ao extremo transmitir a mensagem. O resultado foi uma interpretação emocionalmente intensa, que junto de uma parte técnica bem cuidada—quatro elementos em nível máximo, com excelente trabalho de passos mais giros e levantamentos fluidos—rendeu 133.55 pontos na Dança Livre e garantiu o ouro com a somatória de 222.24 pontos.

Cizeron explicou por que a dupla decidiu optar por um caminho mais difícil ao invés de fazer uma dança mais convencional: o tema se mostrou um desafio, mas uma escolha capaz de sensibilizar as pessoas. "O programa é um pouco sobre morte, mas não de um modo trágico. É sobre duas pessoas que querem se encontrar no além da vida, depois de o que quer que tenham passado. De certa forma, isso se conecta com todo mundo."

Em segundo lugar ficou a dupla dos EUA, Madison Chock e Evan Bates, que com o resultado do dia somou 204.84 pontos. O resultado foi muito comemorado: é a primeira grande competição de Chock e Bates em etapas do Grand Prix após um ano de afastamento por motivos de saúde. Após as Olimpíadas de PyeongCheng-2018, onde obteve o 9o. lugar, Chock se submeteu a uma complexa cirurgia para retirada de fragmentos fraturados no tornozelo, teve um período longo afastada do gelo apenas cuidando de reabilitação. Sua condição para um retorno era incerta. O bom trabalho de passos e liftings mostra que a patinadora de 27 anos está plenamente recuperada e a dupla entra como favorita na etapa do Grand Prix da próxima semana. a Cup of China, a ser disputada na cidade de Chongquin.

O bronze ficou com os italianos Charléne Guignard e Marco Fabbri, que mais uma vez tiveram que superar a grave contusão de Fabbri na mão direita e mais uma vez deram um grande show, sem poupar trabalho, levando todos os sete elementos ao nível máximo. Guignard e Fabbri perderam um pouco apenas em detalhes pequenos da nota de componentes artísticos e de habilidade. O italiano segue em reabilitação e deve começar com alguns exercícios para recuperar os plenos movimentos num prazo de 10 dias.

Feminino:

Alena Kostornaia não quis dar chance a falhas: com o peso de algumas notas fracas no diaanterior, a russa de 16 anos e apenas 1m48 de altura levou a tarefa com seriedade. Treinou duro na manhã, superou o estresse, se propôs a fazer uma apresentação limpa e de alto nível, e cumpriu: após uma performance muito eletrizante e de alto valor técnico, somou 236.00 pontos, 20 à frente da compatriota e colega de treinos no clube Sambo-70 de Moscou, Alina Zagitova, campeã olímpica de PyeongCheng-2018. 

Kostornaia realizou dois saltos triplos Axel sem problemas, e teve o único erro do programa na indefinição do fio de saída de um salto triplo Flip em combinação na segunda metade. Zagitova, por sua vez não teve um dia perfeito, com diversas falhas por subrrotação assinaladas pelos juízes em um programa um pouco desigual: menos rico na primeira metade, mas com uma extraordinária sequência de passos e piruetas no fim, que levantou a plateia Zagitova ficou com a terceira melhor nota do dia, e conquistou a prata na somatória final.

O bronze ficou com Mariah Bell, dos EUA, que confirmou o resultado do Programa Curto com um programa livre tecnicamente preciso, com apenas uma falha de subrrotação assinalada em um salto triplo Lutz.

Pares:

Firmeza e intensidade foram as chaves para a vitória de Anastasia Mishina e Alexandr Galliamov, da Rússia sobre os compatriotas Daria Pavliuchenko e Denis Khodykin, que lideraram o programa curto. Com uma performance intensa e incrementada com elementos teatrais a dupla cometeu apenas um erro no triplo salchow lado a lado, que Mishina executou como duplo. No final uma pontuação de somatória final de 207.58 pontos, que superou a obtida por Pavliuchenko e Khodykin por 1,02 ponto.

Mesmo perdendo o ouro, Pavliuchenko e Khodykin se mostraram felizes com o resultado: com duas medalhas de prata, a dupla conseguiu uma vantagem matemática suficiente para classificá-la para as finais do Grand Prix, a meta que buscavam: "Quando viemos para nossos eventos do Grand Prix nosso objetivo era se qualificar para a final, e parece que deu certo. Então queremos estar na melhor forma para a final.", disse Khodykin.

O bronze ficou com Haven Denney e Brandon Frazier, dos EUA. É a segunda medalha de bronze da dupla nas etapas do Grand Prix de 2019. De acordo com possíveis combinações de resultados, Denney e Frazier ainda tem alguma chance de conquistar uma das vagas de pares em aberto para as finais.

Todas as tabelas com resultados, agenda de apresentações em horário local e súmulas detalhadas de julgamentos do Internationaux de France de 2019 estão disponíveis aqui, no site oficial de resultados do evento.

Foto: Sports.ru

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