Coluna Buzzer Beater - Tóquio 2020, um sonho possível para o basquete feminino


O basquete feminino do Brasil está com boas chances de estar em Tóquio. O que parecia improvável  a dois anos atrás, quando o Brasil não se classificou para o mundial da modalidade, já rompeu a barreira do pessimismo típico de todo fã de basquete  e se tornou um sonho palpável. E o ponto de mudança foi sem dúvida, o técnico José Neto.

Os feitos do técnico já foram exaltados em outra coluna, quando o Brasil conseguiu o ouro pan-americano, mas é bom ressaltar o ótimo trabalho feito. O Brasil joga com intensidade ofensiva e defensiva e joga dessa maneira o tempo todo. É outra seleção, mas com boa parte das mesmas jogadoras que fizeram parte de vexames recentes do Brasil. Jogadoras que antes pareciam se arrastar em quadra, jogam com uma velocidade - mérito do preparador físico - e com uma 'fome', como se cada jogo fosse uma final, mérito total do técnico. A prova foi  o bom jogo que o Brasil fez contra a seleção americana praticamente completa. Jogamos no mesmo nível das americanas, principalmente no primeiro tempo e 'só' perdemos de 15 pontos enquanto Argentina e Colômbia foram atropeladas. O bom é que nós também atropelamos nossas adversárias, fomos muito superiores do que nossos rivais e podemos dizer novamente que somos dominantes na América do sul. 

As atuações das jogadoras estão de encher os olhos: Damiris, enfim, foi a protagonista que esperávamos há tempos, com ótimas atuações na Copa América e no pré olímpico. Seus arremessos estão ótimos, principalmente a média distância e ela divide com Clarissa a função de 'cestinha' da equipe.

Érika, apesar de não ter o preparo físico de antes por (infelizmente) estar próxima do fim da carreira, continua a dar show na zona do garrafão. Domina os dois lados da quadra com maestria, é uma aula para as pivôs mais jovens assisti-la jogar. Nomes como Patty, Tainá e - principalmente -  Débora vem jogando muito bem no perímetro. Débora vem comandando a seleção no ataque, terminou o pré olímpico com quase 6 assistências de média enquanto Patty busca ser um desafogo nas bolas de 3 e Tainá, nas infiltrações e no 1 contra 1.

O pré olímpico mundial será um misto de esperança e nervosismo. Afinal serão 10 vagas para 14 seleções - Estados Unidos e Japão jogam o pré olímpico, mas estão classificados para as olimpíadas, coisas de FIBA - mas também o nível será bem mais alto, por conta das seleções asiáticas e principalmente, as europeias.

O sorteio dos grupos no dia 27 será fundamental. Porque pelo cálculos da CBB e meus também, uma vitória em três partidas- ou não ficar em último - pode garantir o time em Tóquio. Não sabemos o nível do Brasil em relação às seleções europeias,creio que não somos páreo para a seleção australiana e a canadense, mas acho que podemos vencer equipes como China,Coreia do Sul, Porto Rico,Nigéria, Moçambique...

Acho que é hora de deixar o ceticismo de lado. O basquete feminino do Brasil saiu do fundo do poço em que se encontrava e agora vislumbra a luz. Cogitar uma vaga em Tóquio não é mais loucura e sim, um sonho possível. 

foto: FIBA/Divulgação

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