Mundial de Natação Paralímpica 2019 - Último dia: Brasil fica fora do Top 10


O Mundial de Natação Paralímpica chegou ao final na tarde deste domingo, 15, com duas medalhas brasileiras. Daniel Dias e Edênia Garcia, dois dos maiores nomes da modalidade no país, foram os encarregados de garantir a presença do panteão nacional nas últimas cerimônias de premiação da competição.

O Brasil deixa Londres com o 11º lugar no quadro de medalhas, com cinco ouros, seis pratas e seis bronzes, e um total de 17. A Itália surpreendeu o mundo paralímpico com a primeira colocação no geral, com inéditos 20 ouros entre as 50 medalhas, superou a anfitriã Grã-Bretanha (19 ouros), e a Rússia (18), segundo e terceiro respectivamente. 

Do lado brasileiro, a piscina do Parque Olímpico Rainha Elizabeth, em Londres, registrou um feito histórico. Pela primeira vez, as mulheres superaram os homens no total de pódios. Elas foram responsáveis por nove láureas. A participação feminina é um dos vetores estratégicos do CPB. A delegação de 27 atletas em Londres contou com doze mulheres, o dobro do número que representou o país na Cidade do México, em 2017, na última edição do evento.

Coincidência ou não, a última medalha brasileira no Mundial londrino veio de braçadas femininas. A cearense Edênia Garcia foi bronze nos 100m nado livre da classe S3 na tarde deste domingo. Nesta mesma prova, a paulista Maiara Barreto terminou na quarta colocação. 

“Esta foi a prova mais difícil do Mundial para mim, porque eu treino para os 50m costas, agora abriu os 100m livre em Tóquio, e eu quero disputá-la, estou começando a treinar para ela, é preciso nadar duas vezes o 50m, mas que bom que saiu esse bronze. “

Edênia nadou para 2min06s02, atrás da mexicana Patrícia Valle (2min03s18). A americana Leanne Smith foi campeã com 1min36s49. Leanne é mais um caso de atleta reclassificada pelo IPC (Comitê Paralímpico Internacional, na sigla em inglês) e que caiu de classe. Até 2017 ela competia e era campeã na S4, para atletas com menor comprometimento físico-motor do que na S5 porém, diferentemente de Edênia, não há qualquer registro de enfermidade degenerativa que justificasse a mudança de classe da competidora dos Estados Unidos.

“Ela consegue fazer os 100m na casa de 1min30s, então a gente pode dizer que ela soltou bastante nessa eliminatória”, ironizou Edênia, após a sessão da manhã. A cearense foi responsável por duas medalhas ao Brasil neste Mundial. Na quinta-feira, 12, ela foi ouro nos 50m livre. 

Daniel Dias chegou à incrível marca pessoal de 40 medalhas em Mundiais. Desde Durban 2006, até Londres 2019, ele vive uma rotina incessante de pódio. Neste domingo, ele fez uma prova espetacular nos 100m livre da classe S5. Concluiu em segundo lugar com o tempo de 1min09s02. 

“Eu queria fazer esta final na casa de 1min08. Há um bom tempo que não chego nesta marca. Mas hoje [domingo] só de quase chegar neste tempo eu já acho que foi muito bom. A ideia era ter passado os primeiros 50 metros um pouco mais forte, mas tudo bem, só tenho a agradecer a Deus por estar aqui”, disse um sorridente Daniel na zona mista após a prova, que desde 2015 não nadava abaixo de 1min10s.

O campeão foi o italiano Francesco Bocciardo, com 1min07s76. O atleta é mais um caso de nadador caiu de classe desde que o IPC promoveu uma alteração no processo de classificação funcional dos competidores. No Mundial de 2017, na Cidade do México, as regras do IPC determinavam que Bocciardo deveria nadar na classe S6, para atletas com menor comprometimento físico-motor do que na S5, em que Daniel Dias se encontra desde o início da carreira, há quase 15 anos. 

Bocciardo não só competiu como S6 na capital mexicana, como foi quarto colocado nos 100m livre com o tempo de 1min08s60, marca que Daniel luta para alcançar há mais de cinco anos. O melhor tempo da vida dele nos 100m livre foi nesta mesma piscina, porém há sete anos, durante os Jogos Paralímpicos de Londres, quando fez 1min08s39. Na temporada 2019, Daniel Dias chegou a 1min10s54.

O brasileiro que nasceu em Campinas, há 31 anos, com má formação congênita, e hoje mora em Bragança Paulista, São Paulo, volta de Londres com quatro medalhas. Foi bronze nos 50m borboleta e nos 50m costas e ouro nos 50m livre. 

Foto: Alê Cabral/CPB

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