Mundial de Canoagem Sprint - Dia 3: Terceira medalha do Brasil e vitórias de Isaquias na semi do C2 e eliminatórias do C1


Em Szeged

O terceiro dia sagrou os primeiros campeões nas provas olímpicas, oficializando o surgimento da China, viu mais um passeio de Erlon de Souza e Isaquias Queiroz, e deu mais uma medalha à paracanoagem brasileira.

Luis Carlos Cardoso da Silva teve uma manhã agitada em Szeged. Primeiro ele levou sua segunda medalha na competição, desta vez o bronze no KL1-200m, cruzando a linha de chegada com 46.49. O título foi para o húngaro Peter Pal Kiss, que completou a prova em 45.42. Esteban Farias (ITA) levou a prata, com 46.17. Mal saiu das águas ele já foi ao pódio, desta vez receber o ouro conquistado ontem no VL2 200m.

"Meu principal objetivo era conquistar essas duas medalhas. O nível está muito forte, tinha muita marola, muita onda, foi muito difícil alinhar, tava batendo mundo.Mas é para todo mundo, tive que me adaptar rápido, fiz tudo o que eu podia fazer durante a prova e deu certo", disse Luis em entrevista à imprensa brasileira depois de receber o ouro.

Ele é membro da Associação dos Funcionários Públicos do Município de São Bernardo do Campo (AFPMSBC), colega de clube de Débora Benevides e Caio Ribeiro, e ambos são treinados pelo húngaro Akos Angyal na cidade paulista. Akos, que trabalhou até 2013 com a equipe masculina de Canoagem olímpica e desde então trabalha com alguns atletas paralímpicos. 


Sobre o trabalho realizado, que já rendeu três medalhas à equipe brasileira e quatro vagas paralímpicas, Akos elogiou a preparação realizada. "Conseguimos os recursos para este Mundial e ficamos um mês aqui na Hungria. Foi bom, os resultados estão mostrando que foi um sucesso", reiterando que deve usar o mesmo sistema para os Jogos Paralímpicos de Tóquio no ano que vem. 

"Dá mais trabalho treinar a equipe paralímpica. Elaborar equipamento, o treinamento. Tem que inventar as coisas, conseguir adaptar os equipamentos, mudar, aproveitar, inovar, leva mais tempo", comentou Akos, que ainda se mostrou feliz com a participação forte e barulhenta da torcida húngara durante a competição. "É legal vir aqui e conseguir mostrar um bom trabalho com a equipe brasileira", comentou.

Competindo com dois húngaros mais cedo - além de Kiss que ganhou, Robert Suba ficou em 5º - Luis diz que tenta não pensar muito na torcida durante a corrida contra os atletas da casa. "Até porque tem a questão do Akos, e penso na família dele, vão torcer pra mim que é um atleta dele ou para o atleta da casa? Tento não pensar nisso, só realizar meu trabalho e não focar nisso, mas claro que não vou deixar barato, vou tentar me esforçar para ganhar sempre", brincou. 



Erlon e Isaquias vencem bateria e projetam duelo com chineses na final


Na segunda semifinal, Erlon de Souza e Isaquias Queiroz fizeram 3:27.34, sofrendo pouca resistência dos cubanos Serguey Torres Madrigal e Fernando Dayan Jorge Enriquez, que marcaram 3:28.70. Entre a prova e a entrevista, a dupla fez questão de assistir à terceira bateria, que viu vitória dos chineses Hao Liu e Hao Wang, com forte tempo de 3:24.08. Liu foi campeão da Copa do Mundo de Duisburg, ao lado de Pengfei Zheng. "Os cubanos são muito fortes no final, então fizemos de tudo para trazer a prova dos 0 aos 800m feita, para que tivéssemos certo conforto", comentou Erlon.

"Agora é garantir a vaga olímpica", disse Isaquias, antes de emendar "e ficar entre os três primeiros". Erlon emendou que "agora vamos ver as baterias, a partir destes tempos vamos saber o que a gente fez e o que eles fizeram e onde se colocar. Agora só dá para fazer o treinamento que vemos fazendo o há 46 semanas". 

Mais cedo, a China levou o primeiro ouro da história nos Mundiais de Canoagem, com Qiang Li e Song Xing nos 500m do C2. Para alegria dos torcedores que lotaram o Centro Olímpico, Erika Medveczky e Reka Hagymasi levaram o ouro no K2 1000m. Como Isaquias comentou, "se o Brasil é o país do futebol, a Hungria é o país da canoagem".

Ainda durante a manhã, Isaquias Queiroz venceu a quarta bateria aas eliminatórias do C1 1000m, com muita tranquilidade. Quando foi ameaçado pelo romeno Leonid-Valentin Carp ele deu o gás final para vencer com 3:52.95, apenas o 12º melhor tempo geral, mas o suficiente para garantir vaga na semifinal. O melhor tempo geral ficou com o tcheco Martin Fuksa, com 3:47.80 e o alemão Sebastian Brendel também venceu sua bateria com 3:52.33.



A única representante da canoagem olímpica feminina no Mundial, Valdenice Conceição Do Nascimento não conseguiu vaga na final, ao ficar em quarto lugar em sua semifinal. Ela terminou com o 10º melhor tempo das semifinais e entra com o melhor tempo para a Final B. Quanto a busca para a vaga olímpica, agora a briga será no Pan Americano de Canoagem e na Copa do Mundo de Canoagem Sprint em Duisburg (ALE), ambas em maio de 2020. "Se for por mim vamos ter uma semana de férias e já começamos a treinar", comentou a atleta.

Alemanha e Belarus levaram dois títulos: Tom Liebscher (GER) no K1 500m masculino e o time do K4 formado por Lukas Reuschenbach, Felix Frank, Jakob Thordsen e Tobias-Pascal Schultz garantiram os ouros alemães, enquanto Maryna Litvinchux e Volha Zudzenka no K2 200m feminino e Alena Nazdrova no C1 500 feminino representaram bem a ex-república soviética.

Os outros dois títulos em categorias paralímpicas ficaram com Charlote Henshaw (GBR) no KL2 500m feminino, Shakhnoza Mirzaeva (UZB) no KL3 200m feminino.

Maria Christina Santilli terminou em oitavo na prova dos 1000m no KL3, perdendo por pouco a vaga paralímpica para o Brasil por apenas uma colocação. "O vento estava muito forte. Costumo soltar mais frequência, mas eu tive esse cuidado porque tava balançando muito. Tentei trabalhar com mais força. Quase deu certo né, por pouco eu me classificaria", comentou.

Ela também fez questão de ressaltar o aumento de atletas em relação à mesma competição do ano passado. "O nível está muito forte este ano, veio elevadíssimo. As meninas chegam voando. Eu sinto que não fui eu que deixei a desejar, mas o nível subiu demais [desde o ano passado]. Agora é voltar pro Brasil e treinar mais porque ainda estou no jogo", revelou em referência a uma das quatro vagas para as Paralímpiadas de Tóquio-2020, que serão disputadas no Mundial de Paracanoagem em Duisburg (ALE).



Barcos lusófonos disputam Final B antes de buscar vagas olímpicas nos Jogos Africanos em Rabat

As duplas de Moçambique e São Tomé e Príncipe da canoa voltaram às raias hoje para a Final B do C2-200m. Os quatro atletas enfatizaram que o Mundial serviu de preparação para os Jogos Africanos que já acontecem em Rabat-MAR e dão uma vaga continental para as Olimpíadas. As provas de canoagem tem início no dia 28.

"Estamos muito felizes, foi onde demos todo nosso melhor. É muito bom disputar o Mundial, chegar na Final B, melhorar o tempo", diz Mussa. Chamaune que treinou no Brasil antes das Olimpíadas do Rio e foi um dos primeiros moçambicanos a disputar provas olímpicas de Canoagem completou que "a disputa está muito apertada, vai ser muito difícil, especialmente contra São Tomé e Príncipe". Apenas as provas de 1000 no C1 e C2 estão no programa olímpico. 

Buly da Conceição Triste, porta-bandeira de São Tomé e Príncipe nos Jogos Olímpicos de 2016, terminou em 8º na Final B, ao lado de Roque Fernandes dos Ramos. O Surto Olímpico não perdeu o trocadilho - perdão, leitor(a)! - e perguntou se a dupla estava feliz com o resultado. "Sim, saímos muito felizes, porque é um trabalho que nós fizemos e está sendo correspondido", respondeu Triste, complementando que "é uma experiência nova, em remar cedo, e é apenas a 2ª vez que o país chegou numa final B. O mundial é um caminho que nós temos para chegar e poder fazer uma boa participação em Rabat", comentou o atleta, que também lembrou do período que trabalhou com o técnico brasileiro Figueroa Conceição em Curitiba e na Bahia, antes das Olimpíadas do Rio. "Foi uma experiência muito boa que nós tivemos e ele nos ajudou muito com a classificação para 2016", lembrou. 

Fotos: 1, 2, 3, 5: Mateus Nagime / Surto Olímpico; Foto 4: Bence Vekassy/ICF

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