Duda Amorim vê o desenvolvimento de jovem atletas como automático e prega foco no Pan



Por Artur Rodrigues 


É impossível falar de Seleção Feminina de Handebol sem falar de Eduarda Amorim, a Duda. Protagonista no inédito título mundial do Brasil em 2013, a armadora foi eleita a melhor jogadora do mundo no ano seguinte e segue em ritmo forte. Neste ano, foi pentacampeã da Liga dos Campeões de Handebol, principal torneio de clubes da Europa. Artilheira da final com sete gols, a jogadora do Gyori, time da Hungria, ainda foi premiada como a melhor defensora da competição. 

Aos 32 anos, Duda parece estar melhor do que nunca. Durante a preparação da Seleção para os Jogos Pan Americanos, a armadora falou sobre o seu atual momento. 

"Eu não sei se este é meu auge. Venho de duas grandes temporadas, mas tive ótimos momentos em 2013 e 2014 também. O importante é que hoje eu estou muito bem e feliz dentro de quadra", disse. 

O Brasil disputa os Jogos Pan Americanos 2019 em Lima de olho nas Olimpíadas de Tóquio, que acontecem em 2020, já que a medalha de ouro garante a vaga direta. Atual pentacampeã, a Seleção Feminina está no Grupo A, ao lado de Porto Rico, Cuba e Canadá. A estreia brasileira acontece no dia 24 de julho, às 22h30 pelo horário de Brasília. 

Duda vê o Pan como a grande prioridade do momento. Diferente do que muitos imaginavam, o Brasil vai com tudo o que tem de melhor para a disputa dos jogos. O técnico Jorge Dueñas não deixou de convocar as "estrelas", como Deonise Fachinello, Babi Arenhart, Ana Paula e a própria Duda. A equipe até conta com nomes mais jovens, como Renata Arruda, de 20 anos, e Bruna de Paula, de 22. Mas, a Seleção está longe de estar rejuvenescida. A média de idade do elenco que irá para Lima é de 27,3 anos. Das 21 convocadas, oito jogadoras têm 29 ou mais e apenas três têm 24 ou menos. 

Duda vê esse cenário como positivo e acredita que o pensamento da equipe deve estar sempre nas competições que disputa. "Não tem como apenas pensar na próxima geração. A gente tem que trazer o resultado hoje. O que vem depois, como uma nova geração por exemplo, é consequência", falou a armadora. 

Sobre as jogadoras mais jovens, Duda pensa que o Pan é uma boa oportunidade para elas mostrarem serviço. Somado a isso, ela diz que o estilo de Jorge Dueñas também favorece para o desenvolvimento de cada uma. 

"O Jorge é um técnico que roda muito o elenco e isso é importante para elas. O Morten, por exemplo, rodava muito menos as jogadoras", contou. 

A armadora ainda ressalta a importância das novatas sentirem o peso da camisa e da competição. "É importante a atleta sentir o que é a seleção. Ter um número maior de jogos internacionais e com uma camisa como essa vai ajudar no desenvolvimento de cada uma". 

Por seu grande currículo e pelos títulos que conquistou ao longo da carreira, Duda é uma das principais lideranças do grupo. Além de ajudar suas companheiras dentro de quadra, ela considera a parte mental uma das mais importantes. 

"Eu tento inspirar a ambição de cada uma. Sempre encho o saco delas: o que você quer para a sua carreira? Onde você quer chegar?", disse. 

O Brasil entra em um período de bastante importância, quiçá o mais relevante dos últimos anos. Aquele em que a equipe disputa três campeonatos fortíssimos em um intervalo de um ano: Jogos Pan Americanos, Mundial e Olimpíadas. E Duda tem o papel, entre outros, de colocar na cabeça de cada uma que os títulos são possíveis. 

"Nunca ganharemos uma medalha se não sonharmos. Podemos até não estar entre as 10 melhores equipes do mundo. Mas do que adianta entrar em quadra se não sonharmos em chegar ao topo?", concluiu. 

foto: Wander Roberto/Photo&grafia/ CBHb

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