Sob pressão do COI, Tóquio/2020 cogita cortar gastos e pode prejudicar algumas federações


Os organizadores de Tóquio estão tentando cortar gastos, sob pressão do Comitê Olímpico Internacional, que tem sido amplamente criticado por pressionar as cidades-sede a construir locais que se tornam verdadeiros "elefantes brancos".

Alguns dos cortes de Tóquio são destinados às federações esportivas internacionais que participam do evento olímpico, o que tem desagradado essas entidades a 15 meses dos jogos. 

"Não há absolutamente nenhuma dúvida de que Tóquio vai oferecer jogos fantásticos", disse Andy Hunt, chefe da Federação Internacional de Vela. "Mas as decisões estão sendo tomadas sobre a redução de custos em um alto nível no comitê organizador, com sérios impactos para as federações, inclusive à Vela".

Hunt disse que algumas "coisas básicas" para a a competição de Vela estariam sob ameaça: tendas, áreas de armazenamento, provisão de água para os atletas e sombra adequada. Até mesmo um pouco de comida para os competidores.

"Eu não tenho nenhuma culpa dos gastos, pois estou pedindo coisas que não são necessárias, básicas, para a prática do esporte", concluiu.

Hunt estava entre os vários líderes da federação que criticaram abertamente os organizadores de Tóquio na terça-feira (08), na Austrália, em uma conferência anual das federações esportivas dos Jogos de Verão. 

As reclamações também se dirigiram aos altos preços praticados pela rede de hotelaria de Tóquio. O próprio Hurt alegou que os organizadores "não parecem ter garantido acomodações suficientes a preços razoáveis".

O medo das entidades é que aconteça algo similar a Rio/2016, em que foram cortados gastos em várias esferas dos Jogos. Hoje, três anos após o término das Olimpíadas, os organizadores brasileiros ainda devem milhões a credores e as instalações esportivas estão praticamente vazias.

Embora Tóquio pareça estar muito bem financeiramente, com orçamento operacional de US$ 5,6 bilhões, financiado pelo setor privado, algo em torno de duas vezes maior do que os Jogos do Rio/2016, e um grande esforço do governo nacional e das cidades japoneses, para garantir uma economia de US$ 15 bilhões, a ser destinada à infraestrutura das Olimpíadas e para a abertura da competição, Masa Takaya, porta-voz da Olimpíada de Tóquio, disse que os custos operacionais aumentara e que alguns cortes seriam inevitáveis.

O gasto total dos Jogos Olímpicos em Tóquio subiu para três vezes mais do que os US$ 7,3 bilhões estimados quando venceu a candidatura em 2013. Os custos continuam aumentando.

Aqui está um exemplo. No início deste ano, autoridades de Tóquio anunciaram que o projeto de lei para as cerimônias de abertura e encerramento aumentou 40%. Na época, o presidente-executivo de Tóquio, Toshiro Muto, afirmou que havia um "fundo de reserva" para cobrir esses aumentos.

A preocupação gira em torno de onde serão feitos os cortes e se, de fato, afetará as entidades esportivas.

Foto: Divulgação.

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