Coluna Buzzer Beater - Janeth no Hall da Fama. Até que enfim, FIBA!


Por Marcos Antônio

Essa semana Janeth Arcain foi anunciada como a mais nova integrante do Hall da fama do basquete. Ela, campeã mundial, duas medalhas olímpicas- segunda maior cestinha em jogos olímpicos, fez história na WNBA com quatro títulos, dentre muito mais coisas, que se formos enumerar aqui, você vai se perguntar porque só agora ela foi incluída nesse hall da fama. O fato é que, sem Janeth não teríamos tantas glória no basquete feminino nos anos 90.

Pra quem acha exagero a última frase do parágrafo acima, digo que Paula e Hortência eram geniais desde os anos 70/80, mas pesava o fato de que na seleção elas não desequilibravam tanto. Muito por elas não terem coadjuvantes à altura e até mesmo pela rivalidade ferrenha entre as duas durante a temporada de clubes que não era ultrapassada quando as duas serviam a seleção. As duas mesmo já falavam que a seleção tinha o grupo da Hortência e o grupo da Paula e isso interferia seriamente na quadra.

Janeth estreou na seleção aos 18 anos, se tornando prata no Pan de Indianápolis 87. Jogando na ala, precisa, com fundamentos sempre muito bem executados, logo ela virou titular da seleção, que melhorou consideravelmente tendo sua primeira grande conquista o Pan de Havana em 91. No ano seguinte, a primeira ida do basquete feminino a Jogos olímpicos em Barcelona e dois anos depois, a glória com o título mundial. Janeth foi a segunda cestinha do Brasil com 23.3 pontos por jogo e eleita a melhor ala do mundial. Sempre discreta, dentro e fora de e quadra, acabou deixando o grande público acreditar que tínhamos Paula e hortência, quando na verdade, tínhamos um big three de respeito.

Depois vieram a prata em Atlanta 96 - a revanche das americanas que perderam para nós na semi em 94 - E com a aposentadoria de Hortência após os jogos e a depois a de Paula, dois anos depois, Janeth passou a ser líder da seleção enquanto desbravava a WNBA brilhando no tetracampeonato do Houston Comets entre 97 e 2000. Embora o período que ela tenha mais brilhado foi em 2001, quando foi para o All-Star Game como a terceira mais votada

Pela seleção, um bronze em Sydney para coroar seu novo status na seleção, que infelizmente teve seu último momento em Atenas com o dolorido quarto lugar. Mais outro quarto lugar no mundial de 2006 e em uma prata no Pan de 2007 encerraram a trajetória na seleção de Janeth, como a terceira maior cestinha da história da seleção brasileira e jogadora  mais vitoriosa do basquete feminino. Pena que depois de sua aposentadoria, a seleção de basquete feminino começou a descer por uma espiral que parece não ter fim até o presente momento em que esse texto foi escrito.

Janeth não era genial nos passes como Paula, nem tão letal de qualquer canto da quadra como Hortência, mas como una formiguinha, trabalhou silenciosamente seus fundamentos para se destacar na defesa e no ataque, virando uma craque de respeito, ao lado das duas e depois sozinha. Em 2015 ela foi colocada no hall da fama americano e agora em 2019, a FIBA corrige a demora para por a essa imensa jogadora onde ela devidamente merece. 

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