Coluna Buzzer Beater - Agora que o trabalho começa


Por Marcos Antônio

Para você, que assim como eu estava com aquela pontinha de preocupação com algum vexame da seleção brasileira de basquete masculino, pode respirar aliviado com a classificação para a copa do Mundo de basquete na vitória contra as Ilhas Virgens Americanas. Mas agora é hora de pensar: O que tirar de bom dessas eliminatórias? Sinceramente, não temos muito o que tirar de bom, mas muito não é culpa do técnico Aleksandar Petrovic e sim dessa fórmula maluca de eliminatórias

Essas eliminatórias para mim, foi um grande fracasso. Tivemos em no máximo quatro rodadas os jogadores da NBA e da Euroleague disponíveis, já as duas principais ligas de basquete do mundo não liberaram os seus jogadores para as inglórias 'janelas Fiba', ficando nivelada por baixo. Com isso, muitos dos principais jogadores do mundo ficaram de fora, afetando muitas seleções - inclusive a Eslovênia, de Halleluka Doncic, que nem se classificou para o mundial - e com o Brasil não foi diferente. Petrovic teve que se virar com muitos jogadores que já tinham até dado adeus à seleção para ter uma equipe minimamente competitiva nessas partidas, o que comprometeu o trabalho de se criar uma base para seleção, já que no mundial ela será praticamente outra equipe.

Agora, espera-se que a CBB tenha mais grana em caixa para pagar os seguros dos jogadores da NBA,  fazer um bom período de treinamento, tudo para podermos ter uma equipe competitiva. O Brasil já esteve no bolo das seleções que poderiam surpreender tempos atrás - O quinto em Londres 2012 e o sexto no mundial de 2014 comprovam - mas agora é uma seleção mediana, com os principais jogadores em idade avançada, a geração atual praticamente não vingou e a nova ainda precisa de cancha para assumir o protagonismo.

Mas dá para fazer uma boa seleção de transição para futuras competições, pois no cenário atual, não vejo a seleção conseguindo a vaga olímpica no mundial - a campeã e a melhor colocada de cada continente se garantem em Tóquio - Não adianta levar todos os veteranos em detrimento aos mais jovens. Marcelinho Huertas, Alex Garcia e Anderson Varejão são importantes, mas não vão jogar para sempre.

Mas hoje eles são necessários. Se Raulzinho, Bruno Cabloco e Cristiano Felício forem - entenda-se a CBB ter o dinheiro do seguro deles - o mundial será um torneio de vital importância para eles assumirem o protagonismo da seleção ao lado de nomes como Yago Mateus, Didi e Léo Meindl. A geração de Huertas, Alex, Leandrinho e Varejão ficaria de backup para segurar a barra quando necessário. Ficar com a vaga olímpica é difícil - O Canadá é melhor seleção das Américas tirando os Estados Unidos e se for completa, vai longe nesse mundial - Mas ao menos chegar às oitavas de final é um objetivo bem plausível.

Mas tudo vai depender de como será a preparação da seleção. quanto tempo o Brasil ficará treinando, se Petrovic vai conseguir implantar sua filosofia de defesa forte e ataque trabalhando a bola em busca da melhor posição para cesta, se vai ter todos os jogadores disponíveis, quem vai enfrentar nos amistosos preparatórios, enfim o trabalho de Petrovic na seleção começa verdadeiramente agora e o mundial será a grande prova fogo dele.

foto: FIBA/Divulgação

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