Grand Slam de Judô - Dusseldorf - Dia 02: Ellen Santana brilha e ganha o bronze


No segundo dia do Grand Slam de Dusseldorf, na Alemanha, quem brilhou pelo time brasileiro foi a jovem Ellen Santana, de apenas 20 anos, que garantiu a medalha de bronze. A jovem é bicampeã pan-americana Júnior (Sub-21), foi 5º no Mundial Júnior de 2018 e começou a rodar o Circuito adulto no ano passado. Ocupa a posição 66 no ranking sênior. 

Na primeira luta, Ellen teve pela frente Nihel Landolsi (TUN) e venceu sem dificuldade. Na segunda luta, no entanto, um enorme desafio: Anna Bernholm. A sueca foi campeã do Grand Prix de Tel Aviv esse ano, vice-campeã no Grand Slam de Osaka, no final do ano passado, e tem uma vitória em Grand Slam, em Abu Dhabi 2017. 

A brasileira lutou com perfeição. Foi grande diante da judoca sueca nº 7 do mundo. Olha o ippon aplicado ela brasileira para avança às quartas: 


JeYoung You da Coreia do Sul foi a adversária da brasileira nas quartas. E novamente a brasileira não tomou conhecimento da judoca no outro lado do tatame, projetando-a ao solo e aplicando novo ippon. A vitória acabou classificando Ellen pela primeira vez para as semifinais de um Grand Slam. 

Sally Conway foi a concorrente nas semifinais. A britânica tem no currículo um bronze olímpico conquistado na Rio/2016 e foi campeã duas vezes em Grand Slam (Baku/2015 e Paris/2018). Calejada, a judoca britânica aguardou o momento certo e, em um contragolpe, aplicou uma chave de braço na brasileira, que foi para a disputa do bronze. Em tempo: a inglesa ganhou seu terceiro título de Grand Slam na Alemanha.

Na disputa pelo terceiro lugar, outra sul-coreana: Seongyeon Kim, medalhista de bronze em mundiais e vencedora do Grand Slam de Paris em 2016. O combate foi duríssimo e truncado. Primeiro, ambas receberam punição por falta de combatividade (shidô). Ellen recebeu a segunda punição, ficando a uma punição de ser desclassificada. Aumentando o volume da luta, a brasileira impôs uma punição para a coreana. Tudo igual e fim do combate no tempo normal. Vamos ao Golden Score. E, agora, a brasileira não deu chances. Aplicou uma belíssima imobilização, vencendo o combate por ippon e conquistando a inédita medalha de bronze em sua carreira.

"O que eu tive mais foco hoje foi em acreditar nos meus golpes e que é possível. E foi incrível! Depois da disputa de terceiro eu fiquei muito emocionada, chorei. Isso por ter conseguido, pelos treinos e por ter sido a 1ª vez que alcanço uma medalha desse nível”, disse a judoca.

Com a vitória, Ellen, que aparece apenas na 49º posição no ranking olímpico, bem atrás de Maria Portela, sua companheira e concorrente no peso, mas com o bronze de hoje ela adicionará quinhentos pontos e colará em Portela. Portela, aliás, domina a categoria há anos e foi às olimpíadas de Londres/2012 e Rio/2016 praticamente sem concorrência internos. Agora, tem Ellen na sua cola e a disputa pela vaga esquenta de vez.

Outros brasileiros também lutaram no segundo dia de Grand Slam. 

Marcelo Contini passou fácil pela primeira luta contra Lucas Diallo, de Burundi. Na segunda luta, pegou de cara uma pedreira: Masashi Ebinuma (JPN). O japonês é tricampeão mundial e ainda tem no currículo duas medalhas de bronze olímpicas. O japonês aplicou um belo Ko-Soto-Gari e eliminou o brasileiro, vencendo por ippon:


Eduardo Katsuhiro Barbosa teve destino parecido ao de Contini. Ganhou a primeira luta de um atleta mais modesto e perdeu para o chinês Daga Qing, que também não tem grandes conquistas no currículo, mas foi campeão do Open de Roma no último final de semana. 

Na outra categoria masculina do dia, até 81kg, Eduardo Yudy Santos foi o representante brasileiro. O roteiro foi o mesmo dos demais judocas. Venceu a primeira luta com facilidade contra um atleta sem muita expressão, no caso Baker Alzidaneen (JOR), e perdeu na segunda rodada. O algoz foi o português Anri Egutidze. 

As mulheres também não tiveram um dia fácil. Aléxia Castilho (63kg) e Maria Portela (70kg) foram despachadas, respectivamente, pelas holandesas. Sanne Vermeer e Hilde Jager, logo na primeira luta. O resultado de derrota precoce das duas irá acirrar ainda mais as disputas pela vaga olímpica nas categorias. Aléxia está na frente no ranking, porém só 35 pontos de distância de Ketleyn Quadros, que teve um dia um pouco melhor e pode ultrapassar a companheira. O mesmo se diga de Portela. A confortável diferença de quase quinhentos pontos pode ser extirpada. 

Como adiantado, Ketleyn quadros teve um dia pouco melhor que a Castilho, vencendo uma luta conta a italiana Maria Centracchio. Contra a cabeça de chave Andreja Leski (SLO) não teve a mesma sorte e saiu da competição sem chegar às disputas por medalha. 

Vamos aos resultados gerais. 

CATEGORIA FEMININA

(-63kg) 

A medalha de bronze do World Judo Masters e tricampeã mundial, Miku Tashiro (JPN) derrotou a ex-vencedora do Grand Prix de Tashkent, Daria DAVYDOVA (RUS), para ganhar sua segunda medalha de ouro em Grand Slam. A número sete do mundo, Tashiro, aplicou um o-uchi-gari, que mandou sua rival russa para o chão do tatame. 

A primeira medalha de bronze ficou com outra japonesa: Doi Masako. A segunda medalha de bronze foi ganha pela medalhista de bronze do Grand Slam de Paris, Andreja Leski (SLO), que venceu a brasileira Ketleyn Quadros mais cedo.

(-70kg) 

A medalhista olímpica de bronze na Rio/2016, Sally Conway (GBR), venceu um Grand Slam pela terceira vez em sua carreira. Depois de nas semifinais vencer Ellen Santana, na final derrotou a medalhista de bronze do Grand Prix de Haia e dona da casa Miriam Butkereit (GER) com a técnica do juji-gatame.

A primeira medalha de bronze foi concedida à duas vezes medalhista mundial Maria Bernabeu (ESP), conhecida pela grande rivalidade com Maria Portela. O pódio foi completado por Ellen Santana, que venceu Seongyeon Kim (KOR). E a emoção da brasileira foi grande. Vejam só:


Ah! Sentiram falta de japoneses no pódio da categoria? Não havia nenhuma disputando nesse peso. Só pra registrar.

CATEGORIA MASCULINA 

(-73kg) 

O campeão olímpico Shohei Ono (JPN) conquistou sua quarta medalha de ouro em Grand Slam, às custas de seu companheiro de equipe, duas vezes medalhista olímpico de bronze e tricampeão mundial, Masashi Ebinuma (JPN) em uma revanche da final do Grand Slam de Osaka. O Ono venceu uma tensa final por um waza-ari, após uma técnica de sacrifício.

As medalhas de bronze ficaram com o campeão olímpico em Londres/2012 e bronze na Rio/2016, Lasha Shavdatuashvili (GEO) e com o medalhista de prata olímpica Rustam Orujov (AZE).

(-81kg) 

Outro nipônico no topo do mundo: Sotaro Fujiwara, medalha de prata no Campeonato Mundial, conquistou seu terceiro título de Grand Slam em quatro Grand Slams disputados. Ele venceu, na final, o russo Aslan Lappinagov. O judoca japonês fez pressão a todo tempo e levou o russo a ser punido em três ocasiões com shidos.

As medalhas de bronze terminaram nas mãos de Matthias Casse e Dominic Ressel, atleta da casa, para delírio da arquibancada.

Programação

Amanhã oito judocas brasileiros sobem no tatame:

90kg: Eduardo Bettoni e Rafael Macedo;
100kg: Leonardo Gonçalves e Rafael Buzacarini;
+100kg: Jonas Inocencio e Rafael Silva
78kg: Mayra Aguiar e Samanta Soares;
+78kg: Beatriz Souza e Maria Suelen Altheman


Fotos: IJF
Vídeos: IJF

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