Surto Entrevista: Vítor Tavares

Por Zelda Grimaldi

Vítor Gonçalves Tavares viu, veio e venceu. O paranaense de Curitiba conheceu o badminton por meio de um projeto na escola em 2015, passou para a categoria paradesportiva um ano depois e hoje é um dos nomes mais respeitados do para-badminton no mundo: convocação certa a Seleção Brasileira, vencedor de torneios importantes como o Panam Para-Badminton disputado em Lima, Peru no mês de novembro, além de ter obtido vitórias assertivas no individual e em duplas no torneio Brazil Para-Badminton International, realizado no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo no mês de agosto.

Quarto colocado no ranking mundial da classificação SS6/baixa estatura do para-badminton (dados de 17/12/2018) e um dos homenageados da noite do Troféu Paralímpicos de 2018, Vítor conversou rapidamente com a reportagem do Surto Olímpico, falando sobre o planejamento para 2019, as boas condições do paradesporto no Brasil e como popularizar um esporte ainda relativamente desconhecido, mas que tem um potencial imenso e tudo a ver com o país.

- O que está faltando para o paradesporto aqui no Brasil? E para o badminton aqui no Brasil?

Faltando...eu creio que no momento acho que nada. Porque pelo menos para o paradesporto a gente tem tudo, não só a infraestrutura aqui do CT Paralímpico, como a organização da CBBd (Confederação Brasileira de Badminton), que estão trabalhando juntos e sempre levando a gente para torneios e tudo mais. E o planejamento para o próximo ano é incrível, tem umas seis, sete competições aí que serão o máximo, e vai dar para a gente se realizar.

- E para divulgar mais o badminton e o para-badminton aqui no Brasil, qual seria o caminho? O que você vê como sendo algo legal de fazer?

No meu ponto de vista, não só para divulgar o para-badminton como paradesporto, mas o badminton, seria fazer mais clinicas, divulgar mais, fazer aulas, algo assim que atraia pessoas que pensem e olhem o para-badminton e o badminton e queiram reproduzir isso nos seus estados. O CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro) fez isso aqui no congresso que teve, e vieram pessoas de toda parte do Brasil e foi incrível. E se fosse possível fazer mais vezes seria fenomenal.

- Em países como Índia, Indonésia a gente vê o badminton jogado na rua, vemos pessoas esticando uma corda para improvisar um limite de rede para jogar badminton. Seria possível ao seu ver, trazer essa cultura de jogo de rua aqui para o Brasil?

Nos países da Ásia, é algo que para eles é como se fosse o futebol para nós. Desde quando a criança nasce eles entregam uma raquete e uma peteca e desde os cinco anos essa criança começa a jogar. Então acho que essa é a grande diferença deles para nós, que vem de berço: a criança já nasce com a raquete e a peteca na mão, por isso que tem essa grande diferença da Ásia para nós.

- Hoje em dia é possível achar o equipamento para jogar badminton muito barato, de baixo custo. Esse seria um equipamento ideal para a pessoa começar?


No meu ponto de vista, não. É melhor ter um investimento à mais, gastar um pouco mais de dinheiro e comprar um material de uma qualidade melhor que acabe durando um pouco mais, tenha uma resistência melhor. Porque, querendo ou não esses kits que são muito encontrados em muitas lojas são raquetes que tem muito peso, petecas ruins. No meu ponto específico ir numa loja que tenha um material um pouco melhor seria ótimo, porque você vai investir um pouco mais mas o seu custo benefício vai ser excelente, você vai conseguir fazer esse gasto voltar para você.


Foto: BWF


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