Ilhas Faroe investe pesado para estar nas Olimpíadas e avisa: 'Continuaremos até sermos aceitos'

Por Marcos Antônio e Regys Silva

Um pequeno país vem investindo forte para realizar o sonho de fazer parte dos jogos olímpicos. São as simpáticas Ilhas Faroe, país formado por 18 ilhas que faz parte do reino da Dinamarca desde 1948, mesmo estando a mil quilômetros do país nórdico. O país começou em 2018 um projeto audacioso de infra-estrutura esportiva para mostrar ao COI que tem totais condições e autonomia para ser mais um membro da família olímpica.


Desde 2002, As Ilhas Faroe investiu mais de 51 milhões de euros em instalações esportivas e o país se orgulha de ter um em cada três habitantes (Faroe tem aproximadamente 50 mil pessoas em seu território) praticando uma atividade esportiva. E o governo autônomo de Faroe anunciou em 2018 o investimento de 55 milhões de euros no esporte até 2025, com a construção de um estádio de futebol, uma piscina olímpica, um ginásio poliesportivo, um campo de golfe e uma pista de atletismo. E sem nenhum centavo da Dinamarca, com esporte sendo totalmente sustentado financeiramente pelas Ilhas

John Hestoy, vice presidente do comitê olímpico das Ilhas Faroe contou em entrevista ao Surto Olímpico que o sonho do país estar nos Jogos olímpicos é bem antigo: "O Reconhecimento olímpico é um sonho que temos há muito tempo e temos feito campanha para a admissão desde 1975, ou seja, mais de 40 anos. E por todo esse tempo, os nossos atletas estão sendo prejudicados pelo fato de não sermos reconhecidos pelo COI. Eles estão neste momento em uma terra “Não-Olímpica”, não tendo a oportunidade de sentir o orgulho que vem quando a sua bandeira é hasteada nos Jogos Olímpicos." explicou Hestoy, contando que os atletas das Ilhas Faroe só podem competir nas olimpíadas sob a bandeira da Dinamarca

Hestoy também explica o comitê passou a investir mais pesado quando o COI começou a admitir como membros países que tem o reconhecimento internacional limitado, como Kosovo, que na sua opinião abre precedentes para que as Ilhas Faroe busquem o reconhecimento olímpico.

E o país não é nenhum desconhecido esportivamente, já sendo reconhecido por vários esportes como: Tiro com Arco, Badminton, Futebol, Handebol, Judô, Esportes Aquáticos, Tênis de Mesa e Vôlei. Hestoy também afirma que a Dinamarca apoia totalmente à entrada das Ilhas Faroe nos países-membros do COI: "Nós temos o total apoio do Comitê Olímpico da Dinamarca e do primeiro ministro dinamarquês. Também temos apoio dos Comitês Olímpicos dos países nórdicos e de federações como a de Esportes Aquáticos (FINA) e de Handebol (IHF)." Fora do esporte, Faroe é reconhecida pela Unesco e pela Organização Marítima Internacional.

Um detalhe curioso é que as Ilhas Faroe já participam de outro grande evento esportivo: Eles são reconhecidos pelo Comitê Paralímpico Internacional (IPC) e disputam os jogos paralímpicos desde 1984. Hestoy comenta a peculiaridade da situação de Faroe:  "Isso Mostra a situação insana que estamos vivendo. Como podemos competir nos Jogos Paralímpicos, mas não podemos competir nos Jogos Olímpicos?" Questionou Hestoy. "Mas temos orgulho de ser um dos membros fundadores do Comitê Paralímpico Internacional (IPC) e termos conquistando 13 medalhas. A participação nos Jogos tem provado ser muito inspirador para os nossos jovens atletas paralímpicos e sabemos que o reconhecimento pelo COI teria um efeito similar em todos os outros atletas."

Hestoy também enumerou os diversos entraves que não ser um país-membro do COI proporciona aos atletas do país: "Por não ter o reconhecimento olímpico, nós queremos ser membros da Agência Mundial Anti-Doping (WADA) e temos toda a estrutura para isso, mas não podemos e a entidade anti-doping da Dinamarca não tem jurisdição sobre as Ilhas Faroe. Também não podemos participar dos Jogos Europeus sob a nossa bandeira pelo o mesmo motivo. Normalmente participaríamos do Tiro com Arco, Badminton, Judô e Tênis de mesa no Campeonato Europeu, mas não podemos mais pois eles são parte dos Jogos Europeus."

Signhild Joensen, promessa da natação das Ilhas Faroe

Hestoy também falou de  como os atletas do país estão sendo prejudicados com as Ilhas Faroe fora das olimpíadas: "Nossa exclusão dos Jogos Olímpicos está limitando o desenvolvimento dos nossos atletas e arruinando os sonhos olímpicos dos nossos jovens. Atualmente, o único jeito dos nossos jovens de competir em Tóquio 2020, como a nadadora Signhild Joensen, é participar sob a bandeira da Dinamarca. Não é justo e não é lógico – especialmente considerando que ela pode competir representando as Ilhas Faroe no Europeu de Natação." .

Hestoy encerra a conversa afirmando que o movimento das Ilhas Faroe para ter o reconhecimento olímpico não é efêmero: "Acreditamos que a nossa causa está mais forte do que nunca e continuaremos a fazer campanha até sermos aceitos como membros do COI."

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