Mundial de Ginástica Artística 2018 – Dia 9

O penúltimo dia do Mundial de Ginástica Artística rendeu grandes momentos. Países conquistando suas primeiras medalhas em mundiais, Biles subindo ao pódio, vitória de campeão mundial nos critérios de desempate, medalha para o Brasil e muito mais.

BRASIL CONQUISTA SUA PRIMEIRA MEDALHA EM DOHA

O brasileiro Arthur Zanetti deu à ginástica artística do Brasil sua primeira medalha no Campeonato Mundial de Ginástica Artística, que está sendo disputado em Doha (Qatar). Na final das argolas, nesta sexta-feira, Zanetti ficou com a medalha de prata. Sua quarta em mundiais. O ouro novamente ficou para o incrível grego Eleftherios Petrounias.

O grego, campeão olímpico na Rio/2016 e maior rival do brasileiro, abriu as disputas nas argolas e jogou lá pra cima no nível da final. O atual bicampeão mundial, mesmo competindo com uma lesão no ombro, melhorou sua nota em relação ao classificatório e alcançou impressionantes 15.366.

Como seria o último a competir, Arthur Zanetti apenas acompanhava o desempenho dos adversários. Na penúltima apresentação, o italiano Marco Lodadio surpreendeu com uma nota excelente: 14.900.

Zanetti chegou para sua apresentação pressionado, mas não sentiu o peso da nota do grego e fez uma apresentação brilhante. Alcançou a nota de 15.100, sendo 8.900 de execução. Foi sua melhor nota neste Mundial, mas não suficiente para superar o grego. Foi a quarta medalha de Zanetti em Mundiais. Ele foi campeão do mundo em Antuérpia/2013 e conquistou ainda duas de prata, em Tóquio/2011 e Nanning/2014.

“Estou muito feliz com o meu resultado, neste retorno ao pódio. Posso dizer que fiz a minha melhor prova do ano. Todos os giros foram estendidos, não teve mexida e cravei a saída. Foi a melhor série que eu fiz, mas o importante foi ter voltado ao pódio em um Mundial.”, afirmou Zanetti, que já pensa no que terá pela frente até a Olimpíada de Tóquio/2020.

“Este resultado foi um passo. Ano que vem será outro passo, teremos mais algumas competições difíceis para encarar, mas acho que estamos seguindo no caminho certo”, analisou o medalhista brasileiro.

A medalha de prata de Arthur Zanetti foi também a 13ª medalha brasileira na história dos Mundiais de ginástica. Além das quatro que ele conquistou até hoje, são cinco para Diego Hypólito (duas de ouro, uma de prata e duas de bronze), uma para Daiane dos Santos (ouro), uma para Daniele Hypólito (prata) e duas para Jade Barbosa (bronze).

BILES E DALALOYAN BRILHAM MAIS UMA VEZ NO MUNDIAL DE DOHA

Os campeões mundiais no individual geral, Simone Biles (USA) e Artur Dalaloyan (RUS), conquistaram mais uma medalha de ouro nas finais por aparelhos em Doha (QAT). Xiao Ruoteng (CHN) se recuperou da decepção do dia anterior e também subiu ao lugar mais alto do pódio, barrando o favorito Max Whitlock (GBR). Nina Derwael (BEL) e Eleftherios Petrounias (GRE) também foram campeões mundiais.

Biles ganhou o ouro no Salto e ainda uma prata nas Barras Assimétricas no Aspire Dome, mantendo viva sua esperança de se tornar a primeira ginasta a ganhar uma medalha em todos os eventos do campeonato mundial, em 31 anos. Além disso, com 13 medalhas de ouro em campeonatos mundiais, aos 21 aninhos, ela ultrapassou o recorde de 12 ouros ganhos por Vitaly Scherbo (BLR) de 1991-1996. Ela se junta a um grupo distinto de ginastas que ganharam medalhas de campeonatos mundiais em todos os aparelhos.

BILES VENCE O PRIMEIRO TÍTULO MUNDIAL NO SALTO

A multimedalhista mundial e olímpica Simone Biles conquistou sua terceira medalha de ouro na competição, após as vitórias por equipe e no individual geral. Por incrível que pareça, a campeã olímpica do Salto nunca havia sido campeã mundial no aparelho. Prata em Antuérpia/2013 e Nanning/2014 e Bronze em Glasgow/2015, ela alcançou esse feito em Doha. Biles executou os saltos Cheng Fei (6.0 dificuldade) e Amanar (5.8 D), optando por não tentar o seu Salto autointitulado (Biles), com grau de dificuldade 6.4, que estreou no início da semana.

Shallon Olsen, do Canadá, competiu com um Cheng e um Yurchenko e garantiu a medalha de prata, a sua primeira medalha mundial em Salto e a terceira medalha para as canadenses no aparelho, segundo a FIG.

Sétimo em 2011, 2014 e 2015, Alexa Moreno fez história ao conquistar o bronze, a primeira medalha mundial na história de uma mulher mexicana e a segunda medalha para o México depois da prata de Daniel Corral no cavalo com alças em 2013.

"É incrível", disse a mexicana falando sobre sua medalha histórica. "É impressionante também. Temos esse tipo de possibilidade de estar no alto nível, e isso é incrível porque, sabendo que podemos estar lá e pode ser real, posso continuar sonhando. Porque realmente pode se tornar realidade."

DERWAEL CONQUISTA UM OURO HISTÓRICO PARA A BÉLGICA

Nina Derwael fez uma apresentação impecável nas barras assimétricas. A belga já vinha dando sinais de que daria trabalho às concorrentes. Inclusive, o Surto Olímpico trouxe a ginasta como aposta em suas previsões.

A medalha foi histórica. Trata-se do primeiro ouro da Bélgica nos campeonatos mundiais e o melhor resultado desde que os ginastas belgas ganharam a prata nos primeiros campeonatos mundiais, disputados em Antuérpia em 1903.

"Foi uma das melhores rotinas que fiz até hoje", disse Derwael, medalhista de bronze no aparelho no mundial de 2017. "Estou muito, muito feliz com o meu desempenho. Eu senti muita dificuldade para montar essa série, mas com os treinos peguei o ritmo e continuei”.

Biles não deixou por menos. Fez uma excelente apresentação, para ficar com a medalha de prata, sua quarta em Doha. Esta foi a segunda vez que Simone Biles disputou uma final no aparelho. A primeira foi na Antuérpia/2013. Também foi a primeira vez que subiu ao pódio, entrando para o seleto rol de ginastas que medalharam em todos os aparelhos.

"É sempre bom receber uma medalha. Estou confiante nesse aparelho e é a primeira vez em muito tempo que me sinto assim tão confortável", afirmou Biles. "Segunda final nas barras assimétricas, primeira medalha. Estou muito orgulhoso de mim e agradecida por ter (treinadores) Laurent (Landi) e Cécile (Canqueteau-Landi) ao meu lado", concluiu.

A alemã Elisabeth Seitz, duas vezes finalista nas barras assimétricas em olimpíadas, acertou sua rotina de 14.600 para levar o bronze. É a primeira medalha de Seitz em oito campeonatos mundiais e a primeira medalha da Alemanha unificada no aparelho.

DALALOYAN GANHA SEU SEGUNDO OURO EM DOHA

Dalaloyan aumentou sua lista de feitos neste Mundial de Ginástica Artística. Nas finais do solo, o russo fez uma apresentação limpa e sem erros graves para se sagrar campeão mundial. Foi o primeiro título em aparelhos individuais para a Rússia desde que Denis Ablyazin venceu também o solo em Nanning 2014. O último ginasta a se apresentar, com uma nota de 14.900, Dalaloyan derrotou o tricampeão mundial Kenzo Shirai (JPN), que fez 14.866. Shirai teve a rotina mais complexa da final, com uma dificuldade de 6.8, mas na execução ele fez 8.066 conta 8.700 de nota de execução de Dalaloyan.

Dalaloyan disse que ficou inspirado depois de receber um telegrama de felicitações do presidente russo, em razão da conquista do individual geral.

"Hoje eu tentei algo novo. Estava sentado e não treinei antes da minha apresentação. Apenas me preparei mentalmente, concentrei e me apresentei", disse o campeão mundial.

Carlos Yulo (PHI) já tinha chamado a atenção neste mundial, devido se classificar para a final do individual geral, o primeiro atleta das Filipinas a fazê-lo. A classificação para a final no solo foi outra grata surpresa. Porém o ginasta queria mais. Ele fez uma das melhores apresentações na final do solo e com a pontuação de 14.600 fez história novamente, conquistando a primeira medalha (bronze) no esporte para o seu país.

XIAO RUOTENG SE RECUPERA DA DECEPÇÃO NO INDIVIDUAL GERAL E DESTRONA WHITLOCK NO CAVALO COM ALÇAS

Xiao, que liderou a China ao ouro na final por equipes, estava decidido a lutar por essa medalha de ouro, principalmente pelo forma como perdeu o ouro no individual geral para o Dalaloyan por meio dos critérios de desempate.

Hoje, vejam como são as coisas, ele quem se beneficiou dos critérios de desempate. Após ter conseguido a mesma nota do britânico Max Whitlock, campeão olímpico e bicampeão mundial, o chinês teve melhor nota de execução e levou o ouro para a China.

"Max é um superastro, mas cometeu alguns pequenos erros, então acho que fui um pouco melhor do que ele", disse Xiao, que acrescentou meio ponto em dificuldade para a final. "Aparentemente, os juízes preferiram meu desempenho".

Lee Chih-Kai (TPE) ganhou o bronze, a segunda medalha mundial para o Taipei e o primeiro em 25 anos.

PETROUNIAS É TRICAMPEÃO MUNDIAL NAS ARGOLAS

O campeão olímpico Eleftherios Petrounias defendia, neste mundial, o bicampeão conquistado em Glasgow/2015 e Montreal/2017. Vocês acompanharam as informações aqui no Surto Olímpico, que Petrounias, incialmente, teria desistido de competir em Doha, mas depois decidiu defender seu título mesmo sentindo dores. E não teve lesão no ombro que parasse o grego. Uma rotina fantástica deu ao ginasta a nota de 15.366 logo na primeira apresentação. Era só esperar. Nem mesmo o brasileiro Arthur Zanetti, que também fez uma rotina espetacular, conseguiu superar o agora tricampeão mundial.

Petrounias disse que foi motivado pelo grande comparecimento de compatriotas da comunidade grega de Doha.

"Foi fantástico!" disse Petrounias. "O ginásio estava lotado de gregos - eu não podia acreditar. Eu não esperava tantos gregos! Quando fui subir no pódio, meu treinador disse: 'Faça isso por eles'". O ginasta será submetido a uma cirurgia no ombro na próxima segunda-feira

O campeão olímpico de Londres/2012, Arthur Zanetti garantiu a prata e o surpreendente italiano Marco Lodadio (ITA) conquistou sua primeira medalha mundial com o bronze.

BRASIL SE DESPEDE DO MUNDIAL EM DUAS FINAIS 

Neste sábado (03), último dia de disputas do Mundial de Doha, o Brasil encerra sua participação com a presença em duas finais individuais por aparelho. No solo feminino com Flavia Saraiva, enquanto que no salto masculino, o representante masculino será Caio Souza.

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