Isaquias Queiroz compara perda de Jesus Morlán à de seu pai e confessa: 'Devo minha vida a ele'

Após a morte do técnico Jesús Morlán, Isaquias Queiroz falou ao site 'globoesporte.com' sobre a perda daquele que foi o seu grande mentor na canoagem. Dono de três medalhas (duas pratas e um bronze) nos Jogos Olímpicos Rio 2016 e quatro vezes campeão mundial, o canoísta baiano lamentou a morte do treinador e comparou sua perda à de seu pai. Falecido em Belo Horizonte neste domingo aos 52 anos, Morlán é um dos símbolos do sucesso da canoagem de velocidade no Brasil, e enfrentava uma batalha contra um câncer cerebral desde novembro de 2016. 

"Eu era um Isaquias meio perturbado, vamos dizer, gostava muito de festa, de bagunça, brincava muito, e ainda brinco. Ele (Morlán) sempre gostou do meu jeito baiano, muito preguiçoso, em relação a muito treinamento quando era mais novo e não aguentava, mas me transformou num cara que não consigo nem descrever. Perdi meu pai quando era muito novo, mas para mim ele foi um pai e me ensinou muitas coisas, muita coisa que nenhum outro treinador me ensinou. Devo minha vida e tudo que tenho hoje a ele. Se não fosse ele, sem dúvida nenhuma, eu não estaria no esporte mais"  confessou Isaquias.

Isaquias revelou também que em função do luto, tem evitado as redes sociais e até mesmo o noticiário sobre a morte de Morlán.

"Tinha perdido meu pai quando tinha quatro anos. Nessa idade, a criança não entende direito, mas quando cresce você sente a dor de perder uma pessoa bem próxima. Pra gente agora... eu quando vejo uma foto dele é muito complicado, tanto que evito ficar nas redes sociais, paro de ver notícias, porque é muito difícil para mim, como para toda a família da canoa. Ver uma pessoa que a gente gosta tanto sumir assim da nossa vida."

Na memória, Isaquias quer guardar as lembranças positivas do convívio com o treinador, principalmente os conselhos e palavras de incentivo passados pelo espanhol nos momentos que antecediam as competições.

"Na minha mente, só tenho as melhores lembranças dele. Mandava eu remar, mandava não parar. Quando tinha as competições mundiais, ele chegava perto do píer, perto da água, pegava na minha cabeça e falava: ‘Solte a fera! Venha como um leão!’ Essa é uma lembrança, que a gente não tem como esquecer." 

O canoísta também falou sobre o futuro da modalidade sem Jesús Morlán e frisou que o treinador fará falta na jornada para Tóquio 2020.

"Tenho até medo de ir para a raia e assim, sei lá, bater aquela deprê, sensação de falta. Hoje em dia, a gente vai remar, almoçar, tomar café, voltar para a casa e sentir um vazio. [...] Lógico que vou estar fazendo do jeito que ele queria, e a gente não pode jogar isso pro alto e fingir que ele não fez nada. Ele deu a vida dele para ajudar a gente e vai querer que a gente continue treinando. Eu estava até vendo um vídeo dele falando, em entrevista: ‘Eu já tô em Tóquio!’ Pra gente vai ser uma coisa muito difícil ir para a Olimpíada e não poder ter ele lá. Mas vai ser como ele falou, ele já está em Tóquio esperando a gente."


foto: Divulgação/COB

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