Documentos mostram impacto financeiro do escândalo dos abusos sexuais envolvendo ex-médico da seleção feminina de ginástica dos Estados Unidos

Relatórios financeiros divulgados na última quinta-feira (08) apresentam o impacto financeiro causado pelo escândalo envolvendo Larry Nassar, ex-médico da equipe nacional de ginástica artística, condenado por abusar centenas de crianças.

A organização estima que terá que pagar entre US$ 75 milhões e US$ 150 milhões de dólares às vítimas dos abusos sexuais, de acordo com as demonstrações financeiras.

O resultado dos cálculos/previsões não inclui o que pode ser gerado pelos processos criminais e outras investigações, como três investigações do Congresso e do Comitê Olímpico dos Estados Unidos, restringindo-se a prever os gastos com os processos civis promovidos por mais de 220 vítimas na Califórnia, Michigan e Texas.

A Federação de Ginástica Americana (USAG) espera que prêmios oriundos de seguros possam diminuir o déficit previsto para o futuro.

Se não bastasse, registros publicados pela Controladoria da USAG, também na última quinta-feira, apontam que o ex-presidente, Steve Penny, recebeu valores suspeitos de US$ 420 mil dólares da Federação em 2017, quando renunciou ao seu cargo em março daquele ano. O Wall Street Journal relatou anteriormente que o valor total do acordo seria de US$ 1 milhão de dólares. Penny recebeu um total de US$ 563.000 no ano passado, antes de sair.

Penny foi preso no mês passado depois que a Justiça do Texas o indiciou, alegando que ele adulterou provas na investigação de abuso sexual contra Nassar. A acusação alega que Penny mandou funcionários removerem documentos do rancho Karolyi - um centro de treinamento antigo de Huntsville para os ginastas de elite do país. A denúncia indica que Penny agiu depois de saber que as autoridades do Texas estavam investigando o rancho, administrado pela USAG.

Outras conclusões da nota financeira publicada:
  1. A receita total da USAG caiu 28% no ano passado e a organização registrou uma perda total de US$ 301.000 em 2017. Perdas e quedas de receita são típicas em anos não olímpicos, mas a queda em 2017 foi maior do que em 2013, o equivalente ano no ciclo olímpico anterior, principalmente devido à perda de grandes patrocinadores, como Kellogg, AT & T e Procter & Gamble, após o escândalo de Nassar. A receita total em 2016 foi de US$ 34,5 milhões, despencando para US$ 25 milhões no ano passado;
  2. A USAG dedicou US$ 709.667 à sua nova Política de Segurança no Esporte, que foi implementada em junho de 2017 para fornecer "informações de conscientização, prevenção e denúncias sobre má conduta sexual para profissionais, clubes membros, membros de atletas e suas famílias";
  3. O USAG perdeu mais de US$ 1,1 milhão em contribuições e doações no ano passado em comparação com 2016 (recebendo US$ 3,9 milhões em comparação com US$ 5 milhões no ano anterior);
  4. O ex-presidente Kerry Perry, que sucedeu Penny em 1º de dezembro de 2017, ganhou US$ 34.327 no último mês de 2017, sugerindo que seu salário anual era de aproximadamente US $ 412.000;
  5. Em 2017, o USAG gastou US $ 48.000 em esforços de lobby, US$ 4,5 milhões em despesas de viagem, US$ 1,15 milhão em custos de instalações para eventos e US$ 264.000 em vestuário.
Os relatórios financeiros publicados são os mais recentes de uma série de problemas enfrentados pela Federação Americana de Ginástica. Na segunda-feira (05), o Comitê Olímpico passou a revogar o status do USAG como federaçãoesportiva.

De acordo com um relatório do The New York Times, na quinta-feira, a descoberta dos documentos perdidos, relacionados ao escândalo de Nassar levou o Comitê olímpico a anunciar a dissolução da federação americana. 

O próximo passo no processo é o Comitê Olímpico convocar uma audiência, presidido por membros do Conselho de Diretores daquele órgão, com dois outros membros do Conselho Consultivo de Atletas e do Conselho dos Órgãos Nacionais, respectivamente. A USA Gymnastics terá a chance de passar por uma sabatina antes da audiência. O painel formado então faria sua recomendação ao conselho do Comitê Olímpico, que votaria se revogaria o reconhecimento de federação.

Depois de uma campanha vitoriosa no último campeonato mundial, a ginástica americana vive dias tortuosos.

Foto: The New York Times 

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