Os atletas que têm tudo para brilhar no Mundial de Ginástica Artística de Doha

Está prestes a começar o mundial de Ginástica Artística de Doha, no Catar. A expectativa é enorme. Desde os Jogos Olímpicos do Rio/2016, não houve um campeonato com o nível tão forte como este. Os melhores estão prontos para lutar por um lugar no pódio. 

O Surto Olímpico fez um apanhado com as melhores notas do ano em cada aparelho, o histórico recente dos atletas, principalmente no mundial de Montreal (CAN/2017), nos Jogos Olímpicos do Rio (BRA/2016) e o desempenho em outros recentes campeonatos internacionais de relevância, na tentativa de apontar alguns favoritos em cada exercício da ginástica artística.

Hoje iniciaremos nossa análise com a categoria masculina, que tem disputas em seis aparelhos. São eles: salto, solo, cavalo com alças, barras paralelas, argolas e barra fixa. Além desses, há a disputa do individual geral, que leva em conta o desempenho do ginasta em todos os aparelhos. Vamos à análise.

INDIVIDUAL GERAL
 
Kohei Uchimura: o japonês voador volta ao campeonato mundial visando a Olimpíada de Tóquio 2020, em sua casa. O bicampeão olímpico (Londres/2012 e Rio/2016) e hexacampeão mundial (Londres/2009, Rostedã/2010, Tóquio/2011, Antuérpia/2013, Nanning/2014 e Glasgow/2015), um dos melhores ginastas da história, não pode deixar de figurar como o franco favorito a mais um título. Será que alguém consegue vencê-lo?

Olev Vernyayev: o ucraniano é atual vice-campeão olímpico, ficando a menos de 0.100 atrás de Kohei, que levou o ouro. Tenta acabar com a hegemonia nipônica.

Max Whitlock: o britânico é o atual medalhista de bronze olímpico no individual geral. Não vive um grande ano, é verdade. Amargou a prata até mesmo no cavalo com alça dos jogos da comunidade inglesa, prova em que é o atual campeão olímpico, mas, depois da brilhante Olimpíada, não dá pra duvidar dele.

Xiao Ruoteng: O chinês é o atual campeão mundial e do campeonato asiático no individual geral. Grande concorrente para Uchimura.

Nile Wilson: o atleta inglês foi medalhista de ouro nos Jogos da comunidade inglesa este ano. Além disso, tem a segunda maior nota combinada do ano. No último mundial, foi o 6º atleta mais completo do mundo.

Kenzo Shirai: o japonês tem como grande especialidade o solo, aparelho em que é tricampeão mundial. Mas ele surpreendeu no último campeonato, em Montreal, garantindo a medalha de bronze no individual geral. Pode surpreender. Além disso, possui a terceira maior nota do ano.

Lin Chaopan: O outro chinês da lista vem de uma medalha de prata no mundial de Montreal. Não pode ser ignorado. Foi prata também nos jogos asiáticos de ginástica artística de 2017, atrás de Ruoteng.

David Belyavskiy: o atleta da Rússia tem batido na trave há algum tempo. Foi 4º lugar na Rio/2016, 4º lugar no último mundial (2017) e tem a quinta melhor nota do ano. Quer seu lugarzinho ao sol.

Samuel Mikulak: considerando apenas disputas internacionais (excluídas, assim, seletivas nacionais) Samuel Mikulak detém, atualmente, a nota mais expressiva no individual geral em 2018: 87.700. Nas olímpiadas do Rio/2016 foi o 6º colocado.

SALTO

Ri Se-gwang: norte-coreano foi ouro no Rio/2016. Ele é também bicampeão mundial em 2014 (Nanning), 2015 (Glasgow) e foi medalhista de bronze no mundial de Stuttgart (2007).

Denis Ablyazin: o russo foi prata no Rio/2016 e prata em Londres/2012. Em mundiais ainda tente sua primeira medalha.

Kenzo Shirai: bronze no Rio/2016. É o atual campeão mundial no aparelho e quer o bicampeonato.

Marian Gragulescu: 4º lugar no Rio/2016, o Romeno de 38 anos é tetracampeão no aparelho (2001, 2005, 2006, 2009). Achou pouco? Ele ainda tem duas medalhas de prata na competição (2015, 2003). Com um currículo desses, é sempre candidato.

Igor Radivilov: é o atual vice-campeão mundial do aparelho. Tem outra medalha de prata, conquistada em 2014 (Nanning). No campeonato europeu desse ano também teve desempenho prateado. Em Londres/2012, ficou com o bronze.

Kim Han-sol: medalhista de bronze em Montreal (2017), o coreano de 23 anos quer repetir o desempenho esse ano.

Courtney Tulloch: medalhista de prata nos Jogos da Comunidade Britânica, tem a melhor nota registrada no salto este ano, junto com o companheiro de equipe Dominick Cunningham.

SOLO

Kenzo Shirai: o jovem japonês de 22 anos é o rei do solo. Defende, neste mundial, o tricampeonato (Antuérpia/2013, Glasgow/2015 e Montreal/2017). Além dos três títulos, possui uma medalha de prata (Nanning/2014). Era o franco favorito no Rio/2016, mas uma queda na final o tirou as chances do pódio.

Max Whitlock: Ouro no Rio/2016, desbancando Shirai. Prata no mundial de Glasgow (2015). O inglês se coloca na disputa por uma medalha. Na temporada, é dono da 6º melhor nota.

Sam Mikulak: Foi às finais da Rio/2016 com a melhor nota entre todos os atletas, porém erros na final lhe custara a medalha. Tenta mudar essa história.

Yul Moldauer: atual medalhista de bronze do mundial, o americano tenta se firmar entre os melhores no aparelho.

Artem Golgopyat: o atleta de Israel é o atual vice-campeão mundial (2017). Esse ano conquistou a medalha de prata no campeonato europeu e possui a terceira melhor nota da temporada. É candidato.

Dominick Cunningham: Campeão europeu esse ano, Cunningham tenta sua primeira medalha em mundiais. Tem a 5º melhor nota no aparelho na temporada.

Kohei Uchimura: Já foi campeão no aparelho, no mundial de 2011 (Tóquio). Além disso, tem outras duas medalhas: prata (Rotesdã/2010) e bronze (Antuérpia/2013). Na Rio/2016 ficou com o 5º lugar na final, mas quatro anos antes, em Londres, foi prata.

Arthur Nory: medalhista de bronze na Rio/2016, conviveu com algumas lesões desde então. Não está 100% para o mundial. Porém, se surpreendeu em casa, por que não pode surpreender de novo? Aqui vai um pouquinho da torcida brasileira.

CAVALO COM ALÇAS
Max Whitlock: ouro no Rio/2016 e bronze em Londres/2012. Nesse aparelho, que é sua especialidade, ainda pode se gabar se ser o atual bicampeão mundial (Montreal/2017, Glasgow/2015). Além disso, ainda conquistou uma medalha de prata no mundial da Antuérpia (2013). É bom o inglês.

David Belyavskiy: atual vice-campeão mundial em 2017, tem no aparelho uma de suas especialidades. Foi campeão europeu, também em 2017, e na Olímpiada Rio/2016 bateu a trave: 5º lugar.

Rhys McClenagham: o irlandês de apenas 19 anos está carregando muita expectativa do seu país, que nunca ganhou medalhas em mundiais de ginástica. O jovem foi medalhista de ouro nos Jogos da Comunidade Inglesa este ano e ainda garantiu o ouro no europeu. A segunda melhor nota do ano no aparelho pertence a ele.

Lee Chin-kai: o ginasta de Taipei possui a melhor nota do ano no aparelho, um 15.400 conquistado nos Jogos Asiáticos, em que, por óbvio, foi medalhista de ouro. Campeão também da universíade 2017. Em mundiais, nunca medalhou.

Xiao Ruateng: medalhista de prata em Montreal/2017, foi ouro nos Campeonato Asiático de Ginástica Artística, também em 2017.

Zou Jingyuan: 6º melhor marca do ano, o chinês foi medalhista de prata no último campeonato asiático.

BARRAS PARALELAS


Oleg Vernyayev: o ucraniano é um fenômeno em seu país e ganhou duas medalhas na Rio/2016. Uma delas, a de ouro, foi conquistada neste aparelho, que é sua especialidade. Não para por aí. Vernyayev foi medalhista de ouro no mundial de Nanning (2014), além de vir de duas pratas nos últimos dois mundiais (Glasgow/2015, Montreal/2017). No campeonato europeu de 2017, mais um ouro no aparelho. Forte candidato.

Kohei Uchimura: a lenda viva possui duas medalhas nesse aparelho em mundiais: ouro em 2013 (Antuérpia) e bronze em 2010 (Roterdã). Está no páreo.

Zou Jingyuan: Campeão mundial em Montreal, repetiu o desempenho nos Jogos Asiáticos (Jakarta, 2018) e no Campeonato Asiático de Ginástica (Bangkok/2017). O jovem chinês de vinte anos pretende manter o título. Se não bastasse, melhor nota do ano é dele.

David Belyavskiy: medalhista de bronze no último mundial, repetiu o desempenho na Olimpíada do Rio/2016, em que também ficou na terceira posição. Foi campeão europeu do aparelho em 2016. Segunda melhor nota do ano para o russo.

Manrique Larduet: o cubano não tem medalhas em olimpíadas ou mundiais nesse aparelho, mas não dá pra ignorar que ele bateu na trave nas últimas duas competições desse nível: 5º Rio/2016, 4º no mundial de Montreal/2017. Será que sobe mais um degrau esse ano? 4º melhor nota do ano para o cubano.

Artur Dalaloyan: dono da terceira melhor nota do ano, o russo é o atual campeão europeu do aparelho. É bom ficar de olho.

Deng Shudi: 4º lugar nos jogos do Rio/2016, ele possui uma medalha em mundiais: o bronze de Glasgow/2015.

ARGOLAS

Eleftherios Petrounias: o grego desistiu de participar do mundial devido a uma contusão. Porém, voltou atrás e, mesmo não estando aparentemente 100%, tem tudo para dar muito trabalho aos concorrentes. O currículo é dourado. Campeão na Rio/2016, o grego é ainda bicampeão mundial (Glasgow/2015, Montreal/2017). E, no campeonato europeu de ginástica, é apenas tetracampeão consecutivo. Bom, né!? Ah! Não vamos esquecer que ele detém a melhor nota do ano no aparelho.

Arthur Zanetti: sem sombras de dúvida, o brasileiro com maior chances no mundial. Duas vezes medalhista olímpico (ouro Londres/2012, prata Rio/2016) e três vezes medalhista mundial (prata Tóquio/2011 e Nanning/2014, Ouro Antuérpia/2013). Tem a terceira maior nota no aparelho no ano.

Igor Radivilov: o ucraniano é mais conhecido pelo bom desempenho no salto, mas não pode ser desprezado nas argolas. Está com a segunda melhor nota do ano no aparelho. Neste exercício foi medalha de ouro no campeonato europeu de ginástica artística em Moscou (2013) e é atual medalhista de bronze europeu (Cluj-Napoca/2017). Foi 5º no Rio/2016.

Ibhahim Colak: a Turquia não é um país tão tradicional na ginástica artística, mas tem em Colak um expoente. O turco possui a quarta melhor nota da temporada e foi medalhista de prata no Campeonato Europeu da modalidade. 5º lugar no último mundial.

Denis Ablyazin: o russo subiu no pódio no Rio de Janeiro/2016, junto com Petrounias e Zanetti. Ele ficou com a medalha de bronze. Foi bronze no mundial de 2014 (Nanning) e é o atual vice-campeão mundial (Montreal/2017).

Courtney Tulloch: O britânico não tem medalhas em grandes eventos, mas foi campeão nos Jogos da Comunidade Britânica este ano e vem de um bronze no campeonato europeu de ginástica. Tem a quinta melhor nota do ano.

BARRA FIXA

Tin Srbic: o croata vem para o mundial de 2018 defender seu título em Montreal (2017). No ano, está com a quarta melhor nota. O ouro de Srbic é a única medalha dourada do seu país em mundiais de ginástica.

Kohei Uchimura: Olha ele de novo. O japonês foi campeão mundial em 2015 (Glasgow), último mundial de que participou. Além disso, coleciona outras três medalhas: uma prata (Nanning/2014) e dois bronzes (Antuérpia/2013 e Tóquio/2011).


Epke Zonderland: o holandês é uma lenda viva na barra fixa. Foi medalhista de ouro em Londres/2012 e cinco vezes medalhista mundial. Ouro em 2013 (Antuérpia) e 2014 (Nanning), além de prata nas edições de 2009 (Londres), 2010 (Rotterdan) e 2017 (Montreal). No campeonato europeu desse ano ficou com a prata. É fortíssimo concorrente.

Bart Deurloo: nem só de Zonderland vive a Holanda. Deurloo foi medalha de bronze no último mundial e dá esperança aos holandeses de se manterem no topo.

Oliver Hegi: o suíço surpreendeu ao bater Epke Zonderland na final do Campeonato Europeu de Ginástica (Glasgow/2018). Porém, ele vem em uma ascendente. Foi prata no ano passado, no próprio campeonato europeu (Cluj-Napoca/2017). 8º no último mundial, quer mostrar seu potencial. 6ª melhor nota do ano.

Samuel Mikulak: 4º lugar no Rio/2016, o americano é o melhor posicionado naquela competição que vem ao mundial de Doha. Possui a segunda melhor nota do mundo no ano.

Xiao Ruoteng: 3ª melhor nota do ano, o chinês tem potencial para mais. Prata na barra fixa, em Bangkok (2017), no campeonato asiático, e bronze nos jogos asiáticos desse ano (Jakarta).

Francisco Barreto: o nosso brasileiro não está entre os franco-favoritos, mas possui nota entre as melhores da temporada e foi 5º nas últimas olimpíadas. E mais: nenhum medalhista daquela competição irá a Baku. Pode surpreender.

A EQUIPE DO BRASIL INICIA AS DISPUTAS DA QUALIFICATÓRIA NO DIA 26

A equipe masculina entrará em ação na sexta-feira (26), pela subdivisão 10, a partir das 14h (horário de Brasília). 

A comissão técnica definiu nesta quarta-feira a ordem dos aparelhos na equipe masculina.

Solo: Lucas Bitencourt, Arthur Nory, Arthur Zanetti e Caio Souza; cavalo com alças: Caio Souza, Lucas Bitencourt, Francisco Barreto e Arthur Nory; argolas: Lucas Bitencourt, Caio Souza, Arthur Zanetti e Francisco Barreto; salto: Arthur Nory, Lucas Bitencourt, Arthur Zanetti (dois saltos) e Caio Souza (dois saltos); paralela: Arthur Nory, Lucas Bitencourt, Francisco Barreto e Caio Souza; e barra fixa: Lucas Bitencourt, Arthur Nory, Caio Souza e Francisco Barreto

Além de chegar às disputas pelo pódio, outra meta dos brasileiros é terminar entre os 24 primeiros países do mundo, para poder participar com equipes completas do Mundial de 2019, quando serão definidas a maior parte das vagas para a Olimpíada de Tóquio, em 2020.

O campeonato mundial marca o retorno de Arthur Zanetti, dono de um ouro e uma prata nas argolas em Olimpíadas, e Arthur Nory, medalhista de bronze no solo na Rio-2016. Os dois haviam sido poupados do Campeonato Pan-Americano, em setembro.

"Os retornos de Zanetti e Nory fortalecem muito o grupo na disputa por equipes, visto que são ginastas medalhistas olímpicos", disse Motta.

O time masculino é composto por Nory, Zanetti, Caio Souza, Francisco Barretto, Lucas Bitencourt e Leonardo de Souza. 

O esporte é surpreendente. Coisas incríveis acontecem. Certamente, muitas surpresas vão surgir no mundial. E é bom que elas venham e façam a competição ainda mais linda e emocionante. Amanhã os homens entram em ação em Doha, no primeiro dia do mundial, e nós estaremos atentos e torcendo bastante para os brasileiros nas qualificatórias. Fiquem ligados que o Surto Olímpico vai fazer o dia a dia do mundial.

Fotos: 1) USA today; 2) eurosport.com; 3) NBC sports; 4) USA today; 5) Indianexpress.com;  6) Greek Reporter; 7) Glas Hrvatske; 8) CBG.

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