Mundial de Ginástica Artística 2018 – Dia 7


Em uma das batalhas mais acirradas e emocionantes da história dos Campeonatos Mundiais de Ginástica Artística, Artur Dalaloyan (RUS) venceu o atual campeão mundial no individual geral, o chinês Xiao Ruoteng, na última nota, para conquistar o título de ginasta mais completo do planeta, nesta quarta.

Ambos os ginastas acumularam uma pontuação idêntica de 87.598, após as seis rotações, mas o russo de 22 anos recebeu o ouro nos critérios de desempate, uma contagem das cinco melhores pontuações de cada competidor no evento. O russo 'descartou" a nota do cavalo com alças (13.400), enquanto o chinês, mais regular, descartou a sua nota no solo (14.133). Assim, na contagem de desempate, Dalaloyan ficou com 74.198 contra 73.465 do chinês.

A conquista de Dalaloyan encerrou uma sequência de 13 vitórias seguidas de ginastas asiáticos no individual geral masculino, com ginastas chineses e japoneses ganhando todos os campeonatos mundiais e olímpicos entre os anos de 2005 a 2017.

Artur Dalaloyan falou depois da conquista da emocionante medalha de ouro: “Eu tinha apenas um objetivo, e era realizar meu trabalho do começo ao fim sem erros. Fiquei surpreso e não tenho mais nada a dizer. Estou tão feliz. Me sinto excelente. Simplesmente tentei o meu melhor para mostrar o meu melhor. A ficha ainda não caiu. Preciso voltar ao hotel, respirar fundo e perceber que, sim, venci este campeonato”, disse o jovem atleta, em Doha.

Perguntado sobre o que sentiu quando viu o placar mostrar seu nome em primeiro lugar e Xiao em segundo, Dalaloyan respondeu: “Quando vi os resultados, vi imediatamente que o # 2 veio ao lado do nome de Xiao. Fiquei surpreso e, claro, imensamente feliz”.

O compatriota de Dalaloyan, Nikita Nagornyy, chegou a 86.331 pontos para o bronze. Os russos deliraram com as conquistas, após a perda do título por equipe para a China de Xiao Ruoteng na última segunda, por uma pontuação ínfima de 0,049.

O japonês Kenzo Shirai, que ganhou um bronze na edição do ano passado em Montreal/2017, no Canadá, decepcionou com o sétimo lugar (84.531).

Quem saiu desapontado mesmo foi o americano Samuel Mikulak, que estava em terceiro até a rotação final e com uma boa margem para medalhar. Contudo, após um erro grave na barra fixa, a pontuação de 12,366 o fez terminar em quinto lugar.

DALALOYAN ENCERRA SECA RUSSA

Com a vitória memorável de Artur Dalaloyan (RUS) contra o campeão mundial Xiao Ruoteng (CHN), o russo encerrou outro tabu. Fazia 19 anos que um atleta russo não vencia o individual geral.

Dalaloyan começou seu caminho no Solo. Com 14.800 no aparelho, terminou a primeira rodada em segundo lugar. Porém, com 13.400 no cavalo com alças, caiu na classificação e ficou momentaneamente fora do top 3. Após uma apresentação segura nas argolas (14.533) e um excepcional salto (15.133), o russo voltou a sonhar, ficando em segundo lugar.

Nas paralelas, penúltimo aparelho, o ginasta conseguiu uma nota espetacular: 15.566, contra 15.333 de Ruoteng, e assumiu a dianteira, deixando o chinês em segundo.

Na última rotina, a barra fixa rendeu um 14.166 ao russo, que ficou na expectativa para ver a nota do chinês, que se apresentou depois. Ruoteng fez uma apresentação segura e deixou o russo apreensivo. Ao sair a nota de Ruoteng no telão, Nagornyy Nikita, seu companheiro de seleção, mostrou o resultado a Dalaloyan e, dali em diante, o ginásio foi pura emoção com a vibração do russo.

Dalaloyan é o segundo russo campeão mundial do individual geral e primeiro desde que Nikolai Kryukov venceu em 1999, em Tianjin (CHN).

XIAO DISPUTA O BICAMPEONATO APARELHO POR APARELHO MAS FICA EM SEGUNDO

Xiao Ruoteng tentava o bicampeonato em Doha, depois de se sagrar campeão em 2017, em Montreal (CAN). Ele se classificou em primeiro lugar para as finais, apresentou a performance mais consistente entre todos os ginastas, com pontuações que variaram de 14.133 no Solo a 15.333 nas barras paralelas. Depois de cair na barra fixa na final por equipes, Xiao Ruoteng acertou seu exercício, mas não conseguiu conquistar a pontuação necessária para ultrapassar o russo Dalaloyan. Eles ficaram com a mesma pontuação final, mas, no critério de desempate, que soma as cinco melhores pontuações dos ginastas no evento, o chinês ficou mesmo com a segunda colocação.

"Lamento muito ", disse Xiao, "mas respeito os juízes e meu rival. Basicamente quero ser o número um, mas mesmo assim ainda estou feliz com o resultado".

NAGORNYY GARANTE A SEGUNDA MEDALHA DO DIA PARA A RÚSSIA

Classificado para as finais em segundo lugar, atrás apenas de Ruoteng na qualificação, Nagornyy conseguiu grandes pontuações no Solo, Argolas e Salto. Ele titubeou no cavalo com alças, mas permaneceu firme, sem quedas. Fez uma apresentação sólida nas barras assimétricas e, na rotina final, executou com precisão sua série na barra fixa, para angariar um total de 86.331.

Nagornyy pensou muito quando perguntado sobre a quem ele dedicaria sua medalha. Olhando para o bronze, ele afirmou: "Se eu tivesse ganhado o ouro, dedicaria a toda a minha equipe. Em vez disso, dedico a minha primeira treinadora, Olga Ivanovna Nechepurenko".

As medalhas de Dalaloyan e Nagornyy são as primeiras para os homens russos no individual geral desde o saudoso Yuri Ryazanov, em Londres/2009.

MIKULAK DEIXA ESCAPAR MEDALHA POR POUCO

Mikulak, terceiro nas qualificatórias, fez uma excelente final, com notas sempre acima de 14.000, até chegar à barra fixa. No último aparelho, um deslize o derrubou do terceiro para o quinto lugar, atrás do quarto colocado, Sun Wei (CHN), e a frente de Kazuma Kaya (JPN).

O medalhista de bronze no individual geral em Montreal/2017, Kenzo Shirai (JPN), ficou na sétima posição. Porém, ele pode comemorar as melhores pontuações do dia no Solo (14.900) e no salto (15.166).

James Hall (GBR) terminou em oitavo. O nono lugar ficou com Artur Davtyan (ARM), que surpreender a todos, saindo das últimas posições no qualificatório para o top 10 na final. Marios Georgiou (CYP) ficou na 10º posição.

1º Artur Dalaloyan (RUS) 87,598
2º Xiao Ruoteng (CHN) 87,598
3º Nikita Nagornyy (RUS) 86.331
4º Sun Wei (CHN) 85.898
5º Samuel Mikulak (EUA) 85,273
6º Kazuma Kaya (JPN) 84,765
7º Kenzo Shirai (JPN) 84,531
8º James Hall (GBR) 84.298
9º Artur Davtyan (ARM) 83.140
10º Marios Georgiou (CYP) 82.032

Assim foram as alternâncias de posição na liderança rotação a rotação:

1ª rotação: 1º Shirai (JPN) - 14.900; 2º Dalaloyan (RUS) - 14.800; 3º. Nagornyy (RUS) - 14.733 e. Davtyan (ARM) - 14.733;
2ª rotação: 1º Muntean (ROU) - 29.083; 2º Verniaiev (UKR) - 29.032; 3º Xiao (CHN) - 28.833;
3ª rotação: 1º Verniaiev (UKR) - 44.698; 2º Xiao (CHN) - 43.166; 3º Mikulak (USA) - 42.866;
4ª rotação: 1º Xiao (CHN) - 58.032; 2º Dalaloyan (RUS) - 57.866; 3º Nagornyy (RUS) - 57.565;
5ª rotação: 1º Dalaloyan (RUS) - 73.432; 2º Xiao (CHN) - 73.365; 3º Mikulak (USA) - 72.907;
6ª rotação: 1º Dalaloyan (RUS) - 87.598; 2º Xiao (CHN) -87.598; 3º Nagornyy (RUS) - 86.331

CAIO SOUZA TEM SEU MELHOR DESEMPENHO EM MUNDIAIS


O brasileiro Caio Souza, único brasileiro nas disputas do individual geral masculino, se classificou às finais com o 9º melhor desempenho, após os descartes. A pretensão era se manter no top 10. O ginasta iniciou seus trabalhos no aparelho mais duro: cavalo com alças. E teve dificuldade em sua execução. Ele sofreu uma queda e ficou com a nota de 11.700. Ainda assim, foi melhor que nas qualificatórias. Caio terminou a primeira rotação na penúltima colocação: 23º.

O segundo aparelho do brasileiro foram as argolas. Com a nota de 13.933, o brasileiro subiu uma posição ao final da rotação: 22º.

Logo depois, Caio foi para o Salto, aparelho em que é finalista neste mundial. O brasileiro rendeu bem e fez 14.616. Com a boa nota, o brasileiro subiu para o 19º lugar.

Nas paralelas, aparelho que costuma dar notas altas, Caio Souza fez 14.383. Uma nota regular, mas inferior a que fez nas qualificatórias. De todo modo, ele subiu para a 15ª posição.

A barra fixa foi o próximo exercício de Caio. Ele alcançou a nota de 13.600, também pior que nas eliminatórias, mas manteve a posição.

No último aparelho, o solo, Caio fez 13.566 e encerrou sua participação no mundial. Com o somatório de 81.798 terminou em 13º lugar no geral, melhorando sua colocação em comparação com o mundial de Montreal/2017, em que ficou em 15º. É bom ressaltar que o mundial do Canadá, por ser o primeiro após a Olimpíada do Rio/2016, e por não ter disputas por equipes, foi mais esvaziado, o que, ao menos teoricamente, torna esse mundial com um nível mais elevado que o anterior. Mesmo assim, o desempenho do brasileiro melhorou. Bom resultado. Caio ficou a 0.234 do top 10.

A competição continua nessa quinta-feira, com a final do individual geral feminino. Jade e Flávia Saraiva representarão o Brasil.

Foto: 1) FIG; 2) CBG

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