Mundial de Ginástica Artística 2018 – Dia 5

Hoje, em Doha (QAT), ocorreu a primeira final do mundial de ginástica artística de 2018. Foi a final por equipes masculina e teve a presença do Brasil, que terminou em 7º lugar e não conseguiu superar o resultado da Rio/2016, em que ficou na 6º colocação.

A primeira passagem dos brasileiros foi pelas argolas e o desempenho foi bastante positivo. Zanetti fez 15.033, Lucas Bittencourt 13.666 e Caio Souza 14.200. Com essas notas, após a primeira rotação, o Brasil estava na segunda colocação. Atrás apenas da Rússia. Mas havia um longo caminho a percorrer.

Logo após, foi a vez do salto, outro exercício em que os brasileiros costumam ir bem. Porém, a performance deixou um pouco a desejar. Embora sem quedas, todos os ginastas pisaram foram da linha e tiveram suas notas descontadas. Mesmo assim, Nory (14.233), Caio (14.191) e Zanetti (13.633) garantiram notas que mantiveram o país em segundo lugar ao término da segunda rotação.

O terceiro aparelho foram as barras paralelas. É um exercício que, geralmente, os ginastas conseguem notas mais altas, acima de 14.000. Nenhum dos três brasileiros atingiram essa barreira. Passaram longe disso, aliás. Barretto (13.408), Caio Souza (12.933) e Lucas Bittencourt (13.333) não conseguiram repetir a performance das eliminatórias e baixaram suas notas. O Brasil despencou para a última colocação. Distanciando-se dos líderes e diminuindo as chances de um resultado histórico.

Brasil foi para a barra fixa, outro exercício em que costuma tirar boas notas. Nory (14.200), Caio Souza (13.533) e Francisco Barretto (13.800) tiveram desempenho regular e levantaram a parcial brasileira, deixando o país em quinto.

No solo, os brasileiros foram bem. Notas similares. Arthur Nory (14.166), Caio Souza (13.900) e Zanetti (13.866). Nessa altura, o Brasil caiu para a 6º posição, ainda com chances de brigar pelo 5º lugar com a Grã-Bretanha.

O último aparelho a ser disputado pelo Brasil foi o grande vilão dos ginastas nesse mundial: o cavalo com alças. A Grã-Bretanha, que estava disputando o 5º lugar contra os brasileiros, coincidentemente, estavam no mesmo aparelho. Lucas Bittencourt fez 12.633 e Barreto 13.666. O Brasil estava a 0.999 dos britânicos. Faltavam Nory (BRA) e Whitlock (GBR). Era uma tarefa difícil para Nory, porque o britânico é campeão olímpico, bicampeão mundial no aparelho e passou à final com a melhor nota. E as chances foram perdidas após queda do brasileiro do aparelho. Nory teve a pior nota do dia, com 9.600, e o Brasil caiu para o 7º lugar.

Mas não sejamos injustos com o brasileiro Arthur Nory, ele teve a melhor nota entre os brasileiros no solo, na barra fixa e no salto. 

O que marcou mesmo a final de hoje foi a disputa acirradíssima entre China e Rússia, com uma margem final de 0,049 para o vencedor.

CHINESES LIDERAM E VENCEM SEU 12º TÍTULO

Com uma diferença absurda de 0,049, a China voltou a ser campeã por equipes em mundiais de ginástica artística. A amarga prata ficou com a Rússia e o bronze com o Japão. Os três países garantiram as primeiras vagas para os jogos Olímpicos de 2020 na ginástica artística.

A competição de segunda-feira no Aspire Dome, em Doha (QAR), viu as primeiras medalhas concedidas no 48º Campeonato Mundial de Ginástica Artística. A competição marca a primeira vez desde 1974 que as equipes conseguiram garantir a qualificação olímpica dois anos antes dos próximos Jogos Olímpicos. Outras nações terão mais chances de qualificação em 2019, notadamente o mundial de Stuttgart, na Alemanha.

Os chineses superaram as primeiras quedas de Xiao Ruoteng no solo e Sun Wei no cavalo com alças, e lutaram para voltar ao primeiro lugar. Na quinta rodada, a China se beneficiou de um erro da Rússia para conquistar a liderança pela primeira vez, graças a uma incrível nota de 16.200 de Zou Jingyuan nas barras assimétricas, a única pontuação acima de 16 até agora em Doha.

"Estamos muito felizes em receber a medalha de ouro e estamos impressionados com a melhora da equipe russa", disse o técnico Ye Zhennan.

Liderando por quase um ponto faltando uma rotação, os chineses sofreram erros graves na barra horizontal de Lin Chaopan e de Xiao Ruateng. Porém, mesmo assim, a Rússia não conseguiu ultrapassar os chineses, que venceram com 256.634. A Rússia tentou até o último momento e ficou com 256.585. Foi a menor margem de vitória por equipes registrada na história.

Os chineses conquistaram apenas a medalha de bronze por equipes no Rio/2016, mostrando evolução. O ouro nesta segunda (29) é a 18ª medalha da equipe em mundial, desde 1981, e a primeira de ouro desde 2014.

DETALHES IMPÕE A PRATA À RÚSSIA

A Rússia detinha certa expectativa. Superou a China nas qualificatórias de Doha, conquistou a liderança na quarta rotação, graças às excelentes apresentações de Artur Dalaloyan (15.066) e Nikita Nagornyy (15.033) no salto. A Rússia não conseguiu manter sua liderança na quinta rotação, depois que Dalaloyan caiu nas barras paralelas.

A empolgante competição chegou à rotina final, com Nagornyy precisando de 13.783 para conquistar o primeiro título mundial de equipe para os russos, mas ele teve uma pequena pausa em uma pirueta e marcou 13.733. Prata por detalhes.

Nagornyy disse em entrevista que depois da série, acreditou ter feito uma rotina forte o suficiente para garantir o ouro para sua equipe, mas não foi dessa vez. "Temos muita motivação. Estávamos muito perto de vencer e tenho certeza de que vamos superar isso", disse o atleta de 21 anos de idade.

O bicampeão olímpico, David Belyavskiy, acrescentou que os russos estavam felizes em garantir a passagem para Tóqui: "Por um lado, estamos muito felizes por termos conquistado a classificação para os Jogos Olímpicos (2020). Era o que queríamos, mas é claro que estamos muito desapontados. Estávamos tão perto. Mas não conseguimos."

CAMPEÃO OLÍMPICO FICA COM O BRONZE

O Japão, campeão mundial e olímpico por equipes, liderou a competição depois de um início sólido no cavalo com alças e nas argolas, onde o líder da equipe, Kohei Uchimura, conseguiu as melhores pontuações para os anfitriões das Olimpíadas de 2020. A esperança para a medalha de ouro foi frustrada na quarta rotação, quando, em duas oportunidades, o atleta olímpico Yusuke Tanake errou nas barras paralelas, ficando com a nota de 11.566.

Um forte desempenho de Uchimura garantiu uma excelente rotação na Horizontal Bar para o Japão. A equipe sofreu outra queda no solo com Wateru Tanigawa (12.866), na sexta e última rotação, mas uma apresentação excepcional de Kenzo Shirai (14.933), tricampeão mundial no solo, garantiu o bronze para o Japão, sua 20ª medalha em mundial, desde 1954.

"A equipe japonesa está muito feliz por termos conquistado o bronze", disse o técnico Hisashi Mizutori, membro da equipe que ganhou a medalha de ouro nas Olimpíadas de 2004. "Não acredito que cada um tenha feito o seu melhor hoje e, infelizmente, acabamos em terceiro lugar, o que é lamentável, mas estamos felizes porque garantimos um lugar para Tóquio".

CLASSIFICAÇÃO FINAL

Medalhistas de bronze em 2011 e 2014, os Estados Unidos terminaram com quase dois pontos fora do pódio, depois de uma queda do ginasta Sam Mikulak no cavalo com alças, logo na primeira rotação, e baixos esempenhos da equipe nas argolas e salto.

A Grã-Bretanha, medalhista de prata em Glasgow/2015, caiu para o quinto depois de cair em quatro dos eventos. O campeão olímpico Max Whitlock, no entanto, brilhou no cavalo com alças, entregando incríveis 15.233 no aparelho que vem dificultando a vida dos ginastas neste mundial (acreditem, Whitlock faz parecer fácil). A Suíça terminou em sexto, seu melhor resultado nos últimos anos, à frente do Brasil, que melhorou sua exibição em 2015. Os holandeses, competindo na sua primeira final da equipe mundial, ficaram em oitavo lugar.

1) China: 256.634
2) Rússia: 256.585
3) Japão: 253.744
4) Estados Unidos: 251.994
5) Grã-Bretanha: 248.628
6) Suiça: 244.294
7) Brasil: 243.994 (5º Solo 41.932; 8º cavalo com alças 35.899; 2º argolas 42.899; 7º salto 42.057; 8º barras paralelas 39.674; 2º barra fixa 41.533).
8) Holanda: 240.660

A competição continua terça-feira em Doha com a final da equipe feminina. O Brasil competirá com o seguinte time: 

Trave: Jade Barbosa, Rebeca Andrade e Flavia Saraiva
Solo: Jade Barbosa, Flavia Saraiva e Thais Fidélis
Salto: Jade Barbosa, Flavia Saraiva e Rebeca Andrade
Paralelas assimétricas: Jade Barbosa, Flavia Saraiva e Rebeca Andrade


Foto: 1 e 3) FIG; 2) CBG

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