Disponibilidade de quartos para cadeirantes é grande preocupação dos organizadores dos Jogos Paralímpicos de 2020

Na coletiva de imprensa da última sexta 19, Xavier Gonzalez, CEO do Comitê Internacional Paralímpico (COP), demonstrou grande preocupação com o número disponível de quartos adaptados a cadeirantes, embora todo o cronograma de obras esteja bem mais adiantado do que as duas últimas edições no Rio de Janeiro e em Londres.

Os quartos na vila olímpica e as instalações esportivas que servirão aos atletas paralímpicos estão de acordo com o previsto, mas a grande questão está em acomodar todas as outras centenas de pessoas envolvidas com a organização dos jogos que são cadeirantes: patrocinadores, membros dos comitês nacionais, convidados, membros da mídia e o grande público.

Os membros do COP dizem que são necessários 400-500 quartos acessíveis para cadeirantes e a organização japonesa diz que a cidade tem por volta de 700 quartos, mas há indícios que o número real seja por volta de 30. Muitos quartos podem ser considerados acessíveis para cadeirante em relação ao acesso e espaço dentro deles, porém os banheiros não comportam uma cadeira de rodas e nem mesmo a deixam entrar por conta de portas estreitas. 

Outro agravante é que o poder de resolução desse problema não está nas mãos do comitê de organização dos jogos, mas sim no governo municipal da cidade e no governo federal japonês. Tais instâncias se comprometeram a providenciar hotéis "sem barreiras" providenciando subsídios aos hotéis para a realização de reformas. Entretanto, Gonzalez, apesar de reconhecer o progresso das obras, ainda deixa registrada a preocupação com a possibilidade de haver maior demanda do que oferta de acomodação para os cadeirantes por conta do momento atual e da resistência de donos de hotéis a reformas. 

A alta demanda também foi comentada na coletiva pelo CEO da Associação Paralímpica Britânica, Tim Hollingsworth, que ressaltou que a cultura japonesa, em relação ao grau de dependência de pessoas com mobilidade reduzida, é diferente da cultura de outros países, pois espera que o cadeirante seja bem mais dependente. Talvez esse seja o motivo do acesso mais restrito a banheiros em quartos considerados acessíveis. Hollingsworth ainda traz para a discussão o fato de que muitos atletas chegam antes à cidade sede para preparação e geralmente fazem por conta. Se não há perspectiva de aumento do número de quartos acessíveis em Tóquio, os atletas terão que se deslocar para outras cidades.

Foto: AP News

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