Surto Opina: Um tabu próximo de terminar


Por Marcos Antônio

No último final de semana foi disputado, o troféu Brasil, a última grande competição da temporada do atletismo, e nele vimos que a boa fase do atletismo brasileiro não é passageira, com ótimos resultados de nomes como Darlan Romani, Gabriel Constantino, já citados em algumas colunas passadas. Mas creio que o maior destaque tenha sido o velocista Paulo André, que conseguiu a incrível marca de 10s02 nos 100 metros rasos. Por ser um jovem velocista - tem apenas 20 anos - e termos vários bons nomes surgindo nos 100 metros, podemos dizer que finalmente quebraremos a barreira dos 10 segundos muito em breve.

Para contextualizar o feito,  o recorde brasileiro (e sul-americano) é de Róbson Caetano, feito um pouco antes dos Jogos olímpicos de Seul em 1988 (!) com a marca de 10s00. Ou seja, durante 30 anos não tivemos nenhum atleta sul-americano capaz de quebrar esse recorde. Quando foi ele feito, pensou-se que o Brasil poderia em breve ser mais um país que tem um recorde nos 100 metros abaixo do 10 segundos, mas o tempo passou e vimos a qualidade dos nossos velocistas caírem, e só nos revezamentos tivemos algum brilho em olimpíadas (Atlanta e Sydney, medalhas de bronze e prata respectivamente). E acabamos ficando para trás na prova individual, já que atualmente vinte e seis países tem velocistas que já quebraram a barreira dos 10 segundos. E quando Róbson fez o recorde sul-americano, apenas três países tinham conseguido tal feito

Mas é certo que, se não tiver nenhuma lesão grave, Paulo André é o mais indicado a quebrar essa barreira. Ele fez 10s02 no Troféu Brasil na última em situação muito adversa: Debaixo de chuva e com o vento contra. O que prova que se o tempo estivesse bom e o vento a favor, arrisco a dizer que ele passaria fácil dos 10 segundos e seria notícia nos principais veículos brasileiros.

O feito da quebra dos 10s por um velocista brasileiro será ótimo para quebrar essa barreira psicológica que os atletas têm, melhora o ego, mas sejamos sinceros, não faz o Brasil ser potência mundial nas provas de velocidade. Ainda será muito difícil sonhar com medalhas em curto prazo, já que temos muitos países muito a frente de nós em relação a isso - Jamaica e Estados Unidos estão anos-luz. E algum repetir uma final olímpica como Róbson Caetano em Seul 88 ainda é um sonho muito distante.

Mas temos uma geração muito forte chegando nas provas de 100m – Derick de Souza e Jorge Vides são alguns deles - e ao meu ver um está puxando o outro na busca de ser o primeiro brasileiro a quebrar a barreira dos 10s e com isso quem ganha é o atletismo brasileiro pois com isso, vamos criando uma equipe de revezamento muito forte, sem muito esforço. Em Tóquio, podemos até esperar alguma coisa parecida com os bronzes em Atlanta e Pequim, e a prata em Sydney no 4x100m. É um sonho mais possível de se sonhar.


foto:Wagner Carmo/CBAt

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