De volta ao Brasil, Henrique Avancini fala sobre o Mundial de Maratona em Mountain Bike e preparação para Tóquio 2020

O que é preciso para ser um campeão mundial? Talento, genética, sorte? Para o ciclista Henrique Avancini a resposta é clara: muito treino. No último sábado (15), ele se tornou Campeão Mundial de Mountain Bike Maratona, em Auronzo di Cadore, na Itália. Para falar sobre essa conquista inédita para o ciclismo nacional, Avancini concedeu na quarta-feira (19), uma entrevista coletiva em São Paulo.

“Eu ainda não consegui digerir o que eu conquistei. Era uma coisa que eu mirava, almejava. Mas quando se realiza, não deixa de ser chocante. Eu acreditava todos os dias quando subia na bicicleta que um dia eu poderia ser o melhor do mundo e ainda estou processando isso”, explica Avancini.

O atleta revelou ainda que esse título tem um valor pessoal muito grande também por onde foi conquistado. “Quando eu tinha 20 anos de idade eu larguei a vida no Brasil para tentar carreira internacional na Itália. E essa foi uma fase muito difícil. Tive um manager que chegou até a me dizer que deveria abandonar a carreira", lembrou.

Curiosamente, isso reforçou ainda mais o desejo de Henrique de seguir batalhando. “Quando ele me falou isso, eu aceitei de uma maneira boa. Foi quando refleti: se não tenho o que eles têm, vou ter o que eles não têm. E a partir disso, eu comecei a largar nas provas com uma única certeza: a de que eu tinha me preparado muito mais do que qualquer atleta. Eu ainda não me vejo e acho que nunca vou me ver como um cara talentoso no que eu faço, mas ainda sim, eu sou campeão mundial hoje”, conta.

Sobre seus objetivos para Tóquio 2020, Avancini disse que aprendeu muito com as Olimpíadas do Rio e que, agora, está em uma fase de consistência e preparação. “O ano de 2016 foi muito importante na minha jornada como atleta profissional. Eu cresci muito, mas tive uma lesão que perdurou a temporada inteira. E eu tive uma lesão na coluna, em consequência desse problema, durante os Jogos Olímpicos. A partir dela, eu pude reavaliar muitas coisas na minha carreira. Brinco que foi a melhor pior coisa que já me aconteceu, porque talvez tenha sido a única maneira de me colocar no caminho que eu estou hoje.”

Para a próxima temporada, Henrique espera utilizar do aprendizado este ano para conseguir resultados ainda mais expressivos. “Esse ano, busquei andar constantemente na frente e aprender mais sobre meus adversários. Agora, preciso começar a aplicar o que aprendi, e aumentar a minha eficiência competitiva ano que vem, para chegar pronto em 2020. Então, não tenho grandes alterações programadas. Mas, começo 2019 com um conhecimento que eu nunca tive e isso, na teoria, é uma vantagem muito grande”, finaliza o atleta.

Foto: Red Bull Content




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