Henrique Avancini contesta CBC e diz que nunca teve ajuda da entidade na carreira

Em entrevista ao diário 'A Folha de S.Paulo' o ciclista Henrique Avancini, atualmente número 2 do ranking mundial do Mountain Bike, criticou a Confederação brasileira de ciclismo (CBC), afirmando que nunca teve ajuda da entidade para desenvolver sua carreira:

"Eu criei minha estrutura do zero. Saí da condição de atleta amador e construí minha carreira. Nunca tive nenhum tipo de ajuda da confederação. Até por causa disso eu tenho certo respeito na Europa."

Henrique também criticou na última semana os critérios de convocação da CBC para o mundial de Mountain Bike, que será disputado nos dias 14 e 15 de setembro. Avancini foi convocado, além de Luiz Henrique Cocuzzi e José Gabriel no masculino e Raíza Goulão no feminino. Avancini defendeu que Guilherme Gotardelo, segundo no ranking brasileiro olímpico deveria ser chamado, além de criticar a presença de um técnico ao invés de um gestor esportivo:

"Difícil sempre ser o chato, pois tenho muita simpatia com muitas pessoas dentro da CBC, porém fazer mais do mesmo não vai trazer a mudança que querermos. Temos que aproveitar o momento" Escreveu Avancini na postagem no instagram

Foi divulgado a convocação da CBC para representar o país no Camp. Mundial de MTB Olimpico 2018 na Suíça. Já me posicionei algumas vezes em relação aos pontos que eu considero falhos, dentre eles: - Critérios justificáveis ao invés de critérios concretos prévios : Como exemplo na Elite Masculina os atletas convocados foram Luiz Cocuzzi e José Gabriel. O primeiro atual campeão Panamericano e 2º brasileiro no ranking UCI (Justificável!). O Zé é atual vice-campeão brasileiro Elite em seu primeiro ano na categoria (Justificável também)! Aí entra a falha! Quase sempre há uma justificativa. Mas eu me pergunto se a prioridade não deveria ser o Gotardelo, já que ele atualmente é o 2º colocado no ranking olimpico UCI. Não há nada pior pra um competidor do que não saber o que ele deve buscar... - Baixa estrutura de desempenho : Apesar de eu representar a seleção- como em outras ocasiões - abri mão de minhas despesas para que meu lugar possa ser cedido a outra pessoa. Não é por abrir mão da vaga que tenho direitos de escolher, mas me incomoda muito que nunca fui “substituído” por algum staff (fisio, mecânico, etc). Sempre que há mais verba, embarcam mais atletas e nunca são adicionados apoiadores. Campeonato Mundial não deve ser excursão em grupo e sim uma missão esportiva! Acima de quantidade deve-se prezar a qualidade do trabalho. Isso é alto rendimento! - Incompatibilidade de função. Não entendo a necessidade de um “técnico” de delegação. O que o atleta mais precisa é de um gestor esportivo- chamado DS no mundo do ciclismo. 5 dias antes de um Campeonato Mundial, não há necessidade de ter ao lado, alguém que a maior capacidade seja análise de gráficos. Quero destacar meu respeito pelo Prof. Helio de Souza, que estaria com a delegação nesse Mundial e que entende qual deveria ser sua função, mas abriu mão, por não concordar com o atual formato. Colocar os interesses coletivos acima dos pessoais se chama caráter! Difícil ser sempre o chato, pois tenho muita simpatia com algumas pessoas da CBC, porém fazer mais do mesmo, não vai trazer a mudança que precisamos para aproveitar o momento.
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Como é contratado de uma equipe de fábrica desde 2015, o brasileiro utiliza a estrutura da sua equipe (Mecânico, Fisioterapeuta e gestor esportivo) mesmo quando está representando o Brasil. Henrique não vê que isso seja algum tipo de privilégio dentro da seleção brasileira: "Tive que lutar muito para ter relevância na minha modalidade. Mas quebrar algumas barreiras pode trazer questionamentos. Para algumas confederações, quando um atleta fica em evidência, começa a incomodar"

O fato de ser um dos melhores do mundo no esporte no momento não ilude ou dá esperanças ao ciclista nascido em Petrópolis (RJ) nas próximas competições e nos Jogos de Tóquio 2020: "É um esporte equilibrado, primeiro pela variação de circuitos onde ocorrem as provas, o que influencia o ajuste da bicicleta, que muda para cada piloto" concluiu


Foto: Michele Mondini/Instagram

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