CPB estuda para captar mais brasileiros para o esporte paralímpico

Preocupado em melhorar o rendimento do Brasil nos próximos Jogos Paralímpicos, que acontecerão em Tóquio, em 2020, o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) trabalha também com outras metas no longo prazo. Uma das grandes missões da entidade é ampliar o número de praticantes no país, uma vez que a atual gestão vê grande disponibilidade de pessoas com deficiência, tanto para o alto rendimento quanto para a inclusão em atividades físicas.


Atualmente, o CPB afirma ter cerca de 7 mil atletas cadastrados nos cinco esportes que gerencia: atletismo, esgrima, halterofilismo, natação e tiro esportivo. Mas o número total no território é maior e difícil de ser estimado.

Modalidades como o vôlei sentado e o basquete em cadeira de rodas, e aquelas voltadas para deficientes visuais, como judô e goalball, são administradas pela Confederação Brasileira de Voleibol para Deficientes (CBVD), a Confederação Brasileira de Basquetebol em Cadeira de Rodas (CBBC) e a Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais (CBDV), respectivamente. E até mesmo nos esportes sob responsabilidade do CPB existem muitos atletas que não têm inscrição formal.

No último Censo Demográfico, de 2010, 45,6 milhões de pessoas declararam ter pelo menos um tipo de deficiência, o que correspondia a 23,9% da população na época. Os números serão atualizados no Censo 2020. Para o presidente do CPB, Mizael Conrado, ainda é preciso inserir uma grande parcela no âmbito esportivo.

"Falta no Brasil criar mais oportunidade para as pessoas que ainda estão à margem. É basicamente o que estamos buscando fazer em nosso planejamento estratégico. Oferecer a condição para que as crianças tenham acesso ao esporte na fase escolar, bem como as pessoas que se tornam deficientes depois de adultas, nos centros de reabilitação, nas Polícias Militares e nas Forças Armadas. Assim, contribuiremos com o aproveitamento de muito potencial que ainda é desconhecido pelas organizações esportivas"  disse Mizael, em entrevista ao diário 'LANCE!'.

Para ampliar o número de praticantes, a entidade promete não apenas manter a caça aos talentos, mas investir em quem deve formá-los. O Comitê tem como meta capacitar 100 mil professores de Educação Física até 2025. 

Desde a era Andrew Parsons, o Brasil cresceu no cenário continental e internacional, com o aumento das verbas das loterias federais e a inauguração do Centro de Treinamento Paralímpico em São Paulo, um dos legados da Rio-2016. No dia a dia, porém, ainda há uma distância grande entre portadores de deficiência e o mundo do trabalho. E até nisso o esporte tem a acrescentar. 

"No esporte paralímpico, o atleta resgata sua cidadania, ganha resiliência e recupera o sentido de produtividade, que nos move. Além disso, o esporte muda a percepção da sociedade. Sai a imagem da limitação e da deficiência, que dá lugar à da superação e da eficiência. Isso faz com que a sociedade receba de uma melhor forma a pessoa com deficiência e possa identificar o potencial desses indivíduos" disse o dirigente.

O atual mandatário do CPB assumiu a presidência com discurso de manutenção do trabalho do antecessor. E acredita que a inserção cada vez maior de pessoas com deficiência no alto rendimento tem muito a inspirar.

"Se o Daniel Dias, com limitação nos quatro membros, pode conquistar medalhas e recordes em Jogos Paralímpicos e Mundiais, você pensa: "por que ele não pode trabalhar na minha empresa, estudar na escola com meu filho e conviver em condições de igualdade?". No plano econômico, o esporte tem garantido sustento a centenas de pessoas, que antes estavam à margem do mundo do trabalho, com patrocínios e o Bolsa Atleta" completou o dirigente.


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