Onda de calor em Tóquio preocupa a dois anos antes das Olimpíadas; Adoção ao horário de verão é cogitada

Há menos de  dois anos para a abertura da Olimpíada de Tóquio, o clima virou uma preocupação latente para os organizadores da competição. Uma onda de calor vem assolando o Japão, com termômetros registrando temperaturas acima dos 40°C com frequência. Uma condição climática considerada perigosa para os atletas dos Jogos de 2020 e também para os torcedores. A capital japonesa pode ser a sede mais quente entre as últimas dez Olimpíadas.

"Estamos cientes de que temos que nos preparar para o calor extremo" disse o australiano John Coates, chefe da Comissão de Coordenação do Comitê Olímpico Internacional (COI) para os Jogos de Tóquio.

Em 1964, a primeira Olimpíada de Tóquio aconteceu em outubro, uma época de temperaturas mais amenas. Programados para os dias 24 de julho e 9 de agosto, os Jogos de 2020 vão ser realizados no período mais quente e úmido da capital japonesa. E o calor cresceu bastante neste ano na cidade, que tem um clima categorizado como subtropical húmido.

Durante o período olímpico, a média de temperatura máxima no ano passado foi 31,3°C. Na segunda-feira, o termômetro apontou o recorde 41,1ºC em Kumagaya, ao norte da capital japonesa. Tóquio registrou máxima de 40,5ºC, primeira máxima acima dos 40°C na cidade em muitos anos. A onda de calor provocou 65 mortes em todo o Japão na última semana. Mais de 22 mil pessoas também foram hospitalizadas.

"O clima dos últimos dias em Tóquio e em todo o Japão é como estar em uma sauna. De fato, um dos pilares para o sucesso dos Jogos de 2020 vai ser lidar com o clima. Nosso conhecimento tradicional não é suficiente para combater um calor como esse. Então vamos usar tecnologia de ponta. Nós desenvolvemos um spray que pulveriza nano-partículas que, se forem lançadas contra o asfalto serão capazes de diminuir a temperatura em 8°C" disse Yuriko Koike, governadora de Tóquio.

Todas as arenas de Tóquio 2020 vão ser climatizadas, mas muitos dos 33 esportes e 339 provas são realizados ao ar livre. Para combater o calor, os organizadores da competição e os administradores públicos responsáveis pela cidade prometem uma série de medidas. O plantio de árvores, o desenvolvimento de uma pavimentação que absorva menos calor e a instalação de chuveiros de névoa d'água estão entre as ações. A tecnologia de ponta também deve ser uma aposta.

Um porta-voz dos Jogos afirmou que novas medidas concretas vão ser examinadas em 2019 após a análise de estudos climáticos do período olímpico. "Nosso objetivo continua sendo sediar uma Olimpíada em que todos os atletas possam ter com segurança suas melhores performances."

Após reunião entre Yoshiro Mori, presidente do Comitê Organizador, e Shinzo Abe, primeiro ministro japonês, o horário de verão entrou em pauta - adiantando o relógio em uma ou duas hors - para que os atletas encarem temperaturas mais baixas durantes as provas. O Comitê admitiu que o calor não havia entrado no planejamento olímpico.

A maior preocupação dos organizadores de Tóquio 2020 são as provas de corrida de rua, a marcha atlética e especialmente a maratona. O exercício físico prolongado em uma condição climática de umidade e calor elevados potencializa os riscos de hipertermia e infartos. Por isso, a maratona olímpica teve sua largada agendada para 7h da manhã, com temperaturas mais amenas. Para Makoto Yokohari, professor da Universidade de Tóquio, a medida não é suficiente para garantir a segurança dos atletas. Ele sugere que a prova seja transferida para Hokkaido, mais ao norte do Japão, ou que a largada seja reprogramada para 2h da manhã.

"O horário da maratona e das provas de marcha atlética vai ser o mais cedo possível em relação aos Jogos anteriores para bater o calor" disse John Coates.

Um estudo publicado no site "Sportify Cities" comparou as temperaturas das sedes das últimas nove Olimpíadas além de Tóquio durante seus respectivos períodos olímpicos. A sensação térmica prevista para a edição japonesa é a primeira a ser considerada alarmante, chegando a ultrapassar os 45ºC de máxima. Pequim 2008, Atenas 2004, Atlanta 1996 e Barcelona 1992 foram consideradas condições climáticas desafiadoras. Los Angeles 1984, Seul 1988, Sydney 2000, Londres 2012 e Rio 2016 (que foi realizada no inverno) tiveram sensação térmica toleráveis.


foto:Daiki Kataguri/AP
com informações de globoesporte.com

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