Dupla mista com atletas das duas Coreias vence Aberto da Coreia do Sul e faz história no tênis de mesa

O tênis de mesa proporcionou no último sábado (21.07) mais uma história que reforça o potencial do esporte como ferramenta de exemplo simbólico no plano geopolítico. Uma dupla mista formada por uma atleta da Coreia do Norte e um jogador da Coreia do Sul venceu umas das etapas mais importantes do circuito mundial da modalidade.

Jang Woojin e Cha Hyo Sim foram parceiros pela primeira vez. Juntaram-se para atuar no Aberto da Coreia do Sul. A etapa faz parte do Grand Slam do tênis de mesa. A dupla superou na final os chineses Wang Chuqin e Sun Yingsha de virada, por 3 sets a 1 (5/11, 11/3, 11/4, 11/8).

Modalidade muito difundida nos dois países, o tênis de mesa reuniu, durante todos os dias de competição, um grande público no ginásio de Daejeon. Era comum na torcida o canto de "Nós somos um" toda vez que o time atuava. E, de fato, Jan Woojin e Cha Yyo Sim conseguiram uma combinação de união e eficiência durante toda a disputa.

Na estreia, passaram pela parceria da Mongólia, entre Battumur Baatar e Delgermaa Mergen, por W.0. Nas oitavas de final, venceram a dupla de Hong Kong formada por Wong Chun Ting (nono do ranking mundial) e Doo Hoi Kem por 3 sets a 1. Na sequência, nas quartas de final, outra vitória sobre Hong Kong, diante de Ho Kwan Kit e Lee Ho Ching. Na disputa por uma vaga na decisão, deixaram para trás a equipe de Taiwan composta por Chen Chien-An e Cheng I-Ching.

"Confesso que fiquei muito nervoso porque esse jogo se tornou enorme, despertou muita atenção da imprensa. Eu sentia como se precisasse vencer e estou muito feliz que conseguimos. Eu nunca tinha vivido a experiência de sentir arrepios enquanto jogava tênis de mesa, mas isso ocorreu dessa vez. Gostaria de verdade de agradecer aos torcedores por nos dar tanto incentivo", afirmou Jang Woojin, atual 30º do ranking mundial e em ótima fase no Aberto da Coreia do Sul.

O resultado remonta a outra história importante no tênis de mesa. Em 1991, durante o Campeonato Mundial disputado em Chiba, no Japão, uma equipe unificada das Coreias conquistou o título feminino. Mais recentemente, nos Jogos Olímpicos de Inverno disputados em fevereiro de 2018, em PyeongChang, na Coreia do Sul, as delegações desfilaram sob a bandeira unificada na Cerimônia de Abertura. Em maio, durante o Mundial de tênis de mesa por equipes, uma ação surpreendente: o desenho da chave opôs as Coreias do Norte e do Sul na disputa feminina nas quartas de final. Em vez de jogarem umas contra as outras, houve um entendimento e as equipes se unificaram. Formaram um time só para jogar a semifinal contra o Japão. Acabaram eliminadas, mas fizeram história.

Neste ano, os dois lados da península que travaram uma sangrenta e fratricida guerra no início dos anos 1950 tiveram alguns importantes gestos de reaproximação no plano político, em especial com um encontro do líder norte-coreano Kim Jong-un com o presidente Moon Jae-in na Coreia do Sul. Depois,  com o recebimento de uma delegação do Sul em Pyeongyang, capital norte-coreana.

Se a caminhada ainda é tímida no plano político, já resulta em resultado expressivo no plano esportivo. Há cinco anos, quando uma dupla da Coreia do Norte formada por Kim Hyok Bong e Kim Jong bateu Lee Sangsu e Park Youngsook na final do Mundial de Paris de tênis de mesa, em 2013, a comemoração foi só em Pyongyang. A vitória deste sábado gerou celebrações conjuntas nos dois lados da península.

Foto: ITTF


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