Campeão olímpico Thiago Braz admite má fase: "Perdi a confiança"

O Saltador Thiago Braz admitiu que após o grande feito nos Jogos rio 2016, quando conquistou a medalha de ouro em cima do favorito Renaud Lavillenie (FRA) batendo o recorde olímpico, que ele atravessa uma má fase e falta de confiança. 


Desde o início de 2017, Braz colecionou reveses amargos nas pistas e lesões fora delas. Jamais chegou perto de repetir a marca que rendeu o ouro olímpico. No último domingo, decepcionou a todos - e a si - ao ficar com um mero bronze no Grande Prêmio Brasil de Atletismo, em Bragança Paulista, com um salto de 5,40m.

Agora, o campeão olímpico se vê em uma encruzilhada. Enquanto vê seus resultados decaírem dois anos após a Rio-2016, tem de se recuperar a tempo de chegar em condições de defender seu título nos Jogos de Tóquio. Para ele, o maior desafio será retomar a confiança.

"Eu fiquei praticamente um ano sem saltar bem. Querendo ou não, perdi um pouco de confiança. Depois, fui pegando de novo e fiz boas competições [em torneios indoor, em ginásio ou estádio fechado]. Mas tive lesões e voltei a perder confiança" afirmou Braz em entrevista ao site GloboEsporte.com 

Um dos principais golpes veio em março, no Campeonato Mundial indoor de Birmingham, na Inglaterra. Lá, o brasileiro acertou somente um salto e ficou distante de brigar por medalhas. Situações parecidas, de eliminações precoces, já havia ocorrido no Mundial de Pequim e nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, ambos em 2015.

Ele atribui parte do declínio a seguidas lesões sofridas nos treinos na cidade italiana de Formia, onde vive desde 2014 e é orientado pelo ucraniano Vitaly Petrov, que no passado foi o mentor dos campeões olímpicos e recordistas mundiais Sergey Bubka e Yelena Isinbayeva. Desde que foi ao topo do pódio no Rio, Braz teve lesões nas panturrilhas das duas pernas e nas costas.

"Foi difícil conviver com as lesões nas panturrilhas. A pior foi na perna esquerda, que me forçou a ter uma semana de recuperação, sem conseguir andar. Depois, ainda torci meu pé esquerdo e fiquei outra semana sem treinar. Isso mexe com a cabeça do atleta. Porque, quando parece que tudo vai ficar bem, é preciso voltar do zero" complementou.

Com o tempo, os machucados e os resultados em falta pesaram e afetaram a cabeça. Aliado a isso, veio a carga de sempre ser o "campeão olímpico", o que é um fardo para alguém tímido como Braz.

"Eu ainda sinto um pouco a pressão. A cada competição sinto um pouco a expectativa das pessoas por um bom resultado. Nem sempre é fácil. Eu também gostaria de fazer um resultado bom, mas acabo chateando as pessoas" prosseguiu.

Diante dos questionamentos e das próprias incertezas, o paulista quer olhar para frente com esperança. Ele acha que o salto de sua vida ainda está por vir - e nunca foi tão necessário. O primeiro passo para dá-lo é recuperar o físico, as boas performances nos treinamentos e a tão reiterada confiança. Segundo Braz, os três estão em processo de retomada.

Nas próximas semanas, ele competirá em eventos importantes pela intenção de mudar a maré. Primeiro, saltará na etapa de Rabat, no Marrocos, da Liga Diamante. Na sequência, também deve fazer aparições nas etapas de Monaco e Londres do circuito internacional.

Tudo faz parte de um plano cujo maior oponente é o tempo. Em 2019, ele quer um bom resultado no Campeonato Mundial outdoor em Doha, no Qatar, e competir para chegar bem onde importa: Tóquio-2020. Braz sabe que, se atingir seu melhor dentro de dois anos, tem chance de manter-se no topo olímpico e buscar seu outro grande objetivo, que é ser recordista mundial.

"Eu ainda sonho com o recorde. Acredito que tenho um bom tempo para me reerguer e que, em 2020, estarei preparado para isso" concluiu.

foto:Wagner Carmo/CBAt

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