Guia da Copa do Mundo de Futebol 2018 - Grupo C

Por Eduardo Madeira



FRANÇA

Apenas nove dos 23 jogadores que disputaram a Eurocopa de 2016 foram chamados por Didier Deschamps para a Copa do Mundo da Rússia. Não foi uma renovação forçada, longe disso. Alguns nomes, como Coman, Martial, Sissoko e Digne ficaram na lista de espera, enquanto outros como Koscielny e Costil ficaram fora por outras razões – o primeiro se lesionou e o segundo foi por opção técnica. O recado para as demais seleções é bem claro: a França vem com muitas opções e quer levar a taça. Há jogadores de muita qualidade, como Griezmann, Mbappé, Umtiti e Pogba, somados a atletas com vivência de seleção, como Lloris, Matuidi e Giroud.

Pesa contra a inexperiência do elenco. Dos 23 convocados, 17 estarão em sua primeira Copa - apenas Lloris, Varane, Griezmann, Matuidi, Pogba e Giroud já participaram do torneio. Além deles, atletas como Mbappé, Dembélé, Fekir e outros dez atletas partem para o primeiro torneio internacional com os Bleus. Se sobra qualidade, pode faltar cancha em jogos de maior apelo.

Mais experiente, Griezmann é o comandante do time francês

Provável time titular: Lloris; Sidibé, Varane, Umtiti e Mendy; Pogba, Matuidi, Kanté; Mbappé, Griezmann e Giroud

Expectativa: A França chega ao Mundial num misto de grandes expectativas com medo de frustração. A expectativa, obviamente, se dá pelo leque de opções que Didier Deschamps tem a disposição, um cartel que poucos técnicos de seleção possuem no mundo, ao mesmo tempo, o próprio DD se vê pressionado, já que muitos o consideram um técnico abaixo das reais capacidades do time. Além disso, o elenco, considerado muito talentoso, é jovem e muitos estão em suas primeiras experiências em nível internacional. Chega como uma das favoritas ao título, mas num escalão abaixo ao de outras seleções.

AUSTRÁLIA

A seleção australiana chega para sua quarta Copa do Mundo consecutiva com cenário um pouco atípico se comparado aos outros anos. Apesar de levar para o torneio um elenco experiente (média de idade de 27,6 anos), o holandês Bert van Marwijk (vice-campeão em 2010 com a Holanda) terá à disposição apenas seis atletas que já participaram de um mundial. Destaque para o defensor Mark Milligan, de 32 anos, e o artilheiro Tim Cahill, de 38, que são figurinhas carimbadas desde a edição de 2006.

Outra das atrações da lista de van Marwijk é o meia-atacante Daniel Arzani. Com apenas um jogo pela seleção, o atleta de 19 anos, eleito jogador jovem do ano na A-League, foi uma das grandes surpresas do técnico holandês. Arzani, atualmente no Melbourne City, será o mais jovem australiano a disputar uma Copa do Mundo.

Provável time titular: Ryan; Behich, Sainsbury, Meredith e Degenek; Mooy, Jedinak; Kruse, Rogic e Tim Cahill; Leckie

Expectativa: Após um desempenho surpreendente em 2006 (quando foram eliminados nas oitavas-de-final diante da campeã Itália), os Sooceroos ficaram na fase de grupos nas últimas duas Copas. Porém, o desempenho pré-Mundial não sugere mudança de cenário. Após o título da Copa da Ásia, em 2015, os australianos encontraram dificuldades para se classificar para a Copa da Rússia. A vaga veio apenas na repescagem em um sofrido confronto diante da Síria e depois contra Honduras. A queda no rendimento especialmente em 2017 – em 13 jogos foram apenas cinco vitórias – desgastaram o técnico Ange Potescoglou, que pediu demissão dias depois de confirmar a vaga na Copa. O substituto, o veterano Bert van Marwijk já está com prazo de validade. Após o Mundial, Graham Arnold assume a seleção. É diante dessa salada confusa que Tim Cahill e companhia tentarão recolocar os australianos na segunda fase da Copa. A priori, é a seleção mais fraca da chave. 


PERU

De volta a uma Copa do Mundo após 36 anos, a seleção peruana tem como grande atração o atacante Paolo Guerrero. Maior goleador da equipe, ele viveu o drama da suspensão por doping que o tirou do torneio até conseguir a liberação dias antes da divulgação da lista final. A presença de Guerrero será a consagração da geração dele, ao lado de Jefferson Farfán e Alberto Rodríguez.

A lista de convocados de Ricardo Gareca ainda conta com algumas surpresas de última hora, casos específicos do defensor Nilson Loyola e do meia Wilder Cartagena, que pouco foram lembrados nas eliminatórias, mas ganharam espaço nos últimos amistosos.

Provável time titular: Gallese; Advincula, Rodriguez, Ramos e Trauco; Tapia, Yotun; Carillo, Cueva e Flores; Guerrero

Guerrero conseguiu aliviar sua suspensão por doping e agora comanda o ataque peruano

Expectativa: A seleção peruana chega a Copa do Mundo com a confiança em alta. Mais do que voltar ao Mundial após 36 anos, a confirmação da participação de Guerrero no torneio dá o diferencial que a referência do time pode trazer. O sorteio também não foi dos mais desesperadores. O sonho com as oitavas-de-final não é nada absurdo. Com a França despontando como a franca favorita da chave, a luta será com a Dinamarca pela segunda vaga.


DINAMARCA

 De volta a Copa do Mundo depois da ausência em 2014, os dinamarqueses chegam com uma série de atletas experientes e conhecidos, como o goleiro Kasper Schmeichel, do Leicester, os defensores Simon Kjaer, do Sevilla, Andreas Christensen, do Chelsea e o astro da companhia, o meia Christian Eriksen, do Tottenham.

Apesar disso, porém, a lista de cortes do técnico Åge Hareide contou com algumas polêmicas, incluindo Pierre-Emile Højbjerg e Daniel Wass. O primeiro atua no Southampton e desagradou o técnico quanto a sua postura ao ser substituído em um dos jogos, enquanto o segundo se destacou no Celta de Vigo na Liga Espanhola, mas uma ausência em uma partida alegando lesão para atuar dias depois na Espanha causou dúvidas quanto ao real comprometimento com a seleção. O veterano Nicklas Bendtner também foi cortado, mas por lesão. Como não era certo que estaria recuperado na estreia, a comissão técnica entendeu ser melhor deixa-lo fora.

Provável time titular: Schmeichel; Christensen, Kjaer, Mathis Jorgensen e Stryger; Kvist, Delaney; Poulsen, Eriksen e Sisto; Nicolai Jorgensen.

Expectativa: Sob a luz de um Christian Eriksen cada vez melhor, a Dinamarca desponta como a segunda força da chave. Além do meia do Tottenham, há um elenco de apoio interessante, como Sisto, Delaney, Christensen e Nicolai Jorgensen. Os mais otimistas imaginam até fazer frente a França no grupo, mas a ideia principal é desbancar peruanos e australianos e alcançar a segunda fase do Mundial. Além disso, vale frisar o bom desempenho dos dinamarqueses com Åge Hareide: em três anos foram dez vitórias, seis empates e apenas três derrotas. Neste meio tempo, alguns resultados robustos, como um empate por 1 a 1 com a Alemanha e uma goleada por 4 a 0 sobre a Polônia.

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