Surto Entrevista: Thaisa

Por Bruno Bezerra, Bruno Guedes, Daniel Barbosa, Marcos Antônio e Juvenal Dias

Thaisa, um dos ícones da geração bicampeã olímpica, está de volta à Seleção. A Central teve um momento muito difícil, ocasionado pela grave contusão sofrida quando jogava na Turquia e só voltou a jogar nesse ano, na superliga, pelo time de Barueri. Agora ela busca na seleção voltar à velha forma, quando era considerada uma das melhores centrais do mundo. Em entrevista ao Surto olímpico, ela fala sobre o período parada, a sua volta à seleção, antigas companheiras e o futuro. confira:

- Como foi pra você o momento de voltar a jogar uma partida oficial após todo o período longe das quadras?

Foi muito emocionante e, ao mesmo tempo, bem tenso. Estava nervosa e um pouco perdida em quadra. Mas não achei que seria diferente. Foram dez meses sem entrar em quadra e ouvindo que nunca mais jogaria de novo.


-  A lesão que você teve pode ser considerada como o pior momento da sua carreira? Você chegou a pensar em parar ou que não voltaria a jogar em alto nível?

Sim, com certeza foi a pior lesão da minha carreira.  Cheguei sim a pensar que não voltaria mais a jogar vôlei, até porque muitos profissionais "intrometidos" diziam que eu não iria mais jogar. Foi muito difícil de administrar "psicologicamente" tudo isso.


- Como foi a experiência de jogar na liga turca e quais diferenças em relação à Superliga, apesar da contusão sofrida por lá?

Eu adorei. A liga turca é ainda mais forte e equilibrada que a Superliga. Fiquei surpresa como o campeonato é forte.


- Você está emprestada pelos turcos para jogar no Baureri. sua intenção é voltar para lá na próxima temporada ou pretende permanecer no Brasil?

Ainda tenho mais um ano de contrato pelo time turco.



- O Brasil saiu de uma das maiores gerações de todos os tempos e agora vive um processo de renovação. Como você vê essa nova geração que está chegando na seleção agora e o trabalho de base do vôlei brasileiro?

O time está evoluindo cada dia mais e mais. É um grupo jovem e com muito apetite para treinar e aprender mais. Acredito que nosso trabalho de base precisa ser melhor e mais focado em buscar meninas altas e não apenas as que já sabem jogar. Muitas vezes, as mais altas chegam precisando aprender muito mais que as outras.

Foi assim comigo e com a Fabiana, por exemplo. Não sabíamos nada, mas investiram em nos ensinar e não apenas em levar as que já estavam prontas para ganhar os campeonatos. É assim que se forma uma jogadora. Ensinando mesmo que ela não saiba quase nada. Porque o foco é ir evoluindo e chegar pronta na seleção adulta. Acho que estamos muito atrás dos outros países com relação a isso.


- O Brasil sempre foi muito bem servido de centrais na seleção feminina. Como você vê a concorrência na sua volta à seleção? E como suas companheiras de posição te ajudam a melhorar?

Não estou pensando em concorrência. Meu foco é recuperar meu ritmo de jogo, ficar forte e treinar forte para, mais lá na frente, pensar em concorrência. Mas ao mesmo tempo, não é bem uma concorrência porque, no meu ponto de vista, estamos todas aqui para somar e se ajudar.


- Após a Rio 2016, você tinha ficado chateada e tinha dito que não retornaria à seleção. O que te fez repensar essa decisão e voltar?

Na verdade eu não ia voltar porque já tenho quase 12 anos aqui na seleção adulta, fora os anos na categoria de base e, sinceramente, estava um pouco cansada (risos). A rotina é muito cansativa. Mas, no ano passado, teve uma reviravolta na minha vida, tive duas lesões e hoje a seleção é minha  principal aliada nessa volta às quadras.


- O titulo que falta para o Brasil no vôlei feminino é o campeonato mundial. Quais são suas expectativas para a competição?

Ainda nem sei se estarei pronta para estar lá. Preciso retomar minha forma física e meu ritmo de jogo. Depois de quase um ano parada não se volta de uma hora para a  outra. O foco está nisso primeiro e depois, se tudo der certo, aí sim pensar no Mundial e  fazer o máximo para  ajudar a equipe.


- Você e a Fabiana são consideradas as melhores centrais que o Brasil já teve. E você já imaginou como será competir pelo Brasil sem ela na rede com você?

Certamente sentirei muita falta dela. Não só eu como toda a seleção porque nós nos completávamos. Uma ajudava a outra, uma orientava a outra. Sempre nos ajudávamos e assim seguíamos sem disputas ou concorrência. Sempre fomos muito amigas e transparentes uma com a outra, nos apoiando e empurrando a outra para cima. Sem contar a energia e o companheirismo que ela sempre teve com todas.



- Como você avalia a importância da Fabi, que se aposentou recentemente e que você disputou muitos torneios com ela pela seleção, para o vôlei brasileiro?

Fui uma das privilegiadas em ter trabalhado com a Fabi, uma atleta extremamente profissional e uma pessoa incrível. Foi uma honra estar ao lado dela em tantos momentos maravilhosos. A Fabi foi uma gigante em tudo o que fez para o vôlei. É e foi inspiração para muitas meninas. 


 - Qual das suas conquistas você acredita que seja a mais significativa?

O ouro nos Jogos Olímpicos de Londres porque foram os que mais joguei efetivamente. Além disso, fui a central que mais pontuou em todas as Olimpíadas, e sigo com essa marca ainda até hoje.


 - Mesmo estando um pouco longe, você pensa em estar nas olimpíadas de Tóquio? Já pensou na possibilidade de se tornar tricampeã olímpica, já que o vôlei feminino do Brasil é favorito em todas competições que participa?

Não pensei nisso. Como disse anteriormente, preciso passar por todo processo de volta às quadras e retomar meu ritmo de jogo e não será fácil. Então prefiro dar um passo de cada vez.


- Em um futuro distante(ou não), você pensa na possibilidade de migrar para o vôlei de praia?

Não penso nisso.


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Só quero agradecer a vocês do Surto Olímpico e agradecer também por toda energia positiva enviadas com palavras de carinho e incentivo durante os últimos meses. Um passo de cada vez!


fotos: FIVB,CBV e Getty Images

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