Surto de olho na Rússia: Messi, Maradona e a Argentina em crise


Os vice-campeões mundiais estarão no mundial da Rússia. Como é tradição, a Argentina vem para sua décima sexta participação e mesmo não estando as mil maravilhas com os hermanos, a camisa pesa em Copas, tendo o bicampeonato da seleção argentina de exemplo.

Em 1978, na própria Argentina, os donos da casa se classificaram na fase de grupos vencendo por 2x1 os dois primeiros jogos contra Hungria e França, sempre marcando nos minutos finais, com Bertoni sacramentando a vitória aos 38 minutos diante dos húngaros e Luque contra os franceses aos 28 minutos. A derrota para a Itália não atrapalhou a vaga para a próxima fase.

Na outra fase, o vencedor iria para a final. Os donos da casa enfrentaram a Polônia e venceram por 2x0, empataram sem gols com o Brasil e precisaria de uma goleada para ir a decisão, pois a seleção brasileira tinha jogado e vencido os poloneses por 3x1. Sabendo de quanto precisaria ganhar, a Argentina fez 6x0 em um dos jogos mais polêmicos da Copa do Mundo, já que o Peru abdicou de jogar mesmo fazendo ótima campanha e o goleiro é argentino de nascimento.

Holanda jogou a final contra Argentina e eram os favoritos, fazendo um mundial muito bom até então. A Laranja mecânica chegou abrindo o placar com Nanninga, porém Kempes empatou no minuto seguinte. Na prorrogação, a albiceleste marcou novamente com Kempes e Bertoni sacramentou o primeiro título argentino.


No mundial de 1986, a seleção argentina era mais técnica e habilidosa. Na estreia, Jorge Valdano marcou os dois gols do jogo contra a Coréia do Sul, empate com a Itália e outra vitória contra a Bulgária, gols de Valdano e Burruchaga. Pelo mata-mata, Diego Maradona começou a surgir. Importantíssimo nessa fase. Argentina venceu o Uruguai por 1x0 gol de Pasculli.

Diante da Inglaterra e toda rivalidade criada pela Guerra das Malvinas, o jogo tinha toda uma tensão. No campo, após 0x0 na primeira etapa, Maradona voltou endiabrado. Marcou o seu primeiro na partida, aquele que ficou conhecido como ''La mano de Dios'' por fazer com a mão. O segundo gol entrou para a história do futebol. Dieguito arrancou do meio de campo, driblou seis jogadores (incluindo goleiro) e tocou para o gol vazio. O lance foi eleito o mais bonito de todas Copas do Mundo. Liniker até diminuiu mas de nada adiantou.


Na semifinal, o camisa dez decidiu de novo contra os belgas, marcando primeiramente com um toque de cobertura. Repetindo praticamente o que fez contra os ingleses, passou por quatro defensores e fez outro golaço, classificando a albiceleste para a final.

Quando o craque é decisivo, ele fica muito marcado e na final, não foi diferente. Maradona acabou ficando apagado em grande parte do jogo, mas sem ele, Valdano e Brown fizeram 2x0. A Alemanha Ocidental foi buscar um empate com Rummenigge e Völler. Claro que Maradona teria uma chance, e ela veio em descuido da marcação. Perto dos 40 minutos, o argentino acertou belo lançamento para Burruchaga desempatar e dar o título aos hermanos.


De 1986 até 2014, a albiceleste só venceu a Copa América de 1993. Passaram-se vários craques pela seleção no período mas nenhum como Lionel Messi, que chegara à Copa do Mundo pressionado, sem brilho nas outras disputadas. A Argentina também era pressionada e o argentino decidiu carregar todo um povo nas costas na primeira fase.

Os argentinos venceram todos seus jogos no grupo F contra Bósnia, Irã e Nigéria, com o camisa dez marcando em todas partidas, com gols decisivos. Confirmando o favoritismo no grupo e seguindo ao mata-mata.

Na raça argentina os resultados vieram. Jogo muito difícil contra a Suíça, decidida só na prorrogação. Di María recebeu passe de Messi e bateu de primeira, sem chances para o goleiro e para festa da torcida portenha na Arena Corinthians. Mais drama nas quartas, com Higuaín fazendo em sobra da zaga e garantindo o 1x0 suado diante da Bélgica. Na semifinal, novamente em São Paulo, na Arena Corinthians, era hora de enfrentar a Holanda. Nenhuma das duas seleções marcaram gols e foi decidido nos pênaltis. Romero defendeu as cobranças de Vlaar e Sneijder. Os argentinos marcaram em todas e voltaram à final depois de 24 anos.


No maracanã, Alemanha e Argentina repetiriam a final de 1990. Higuaín teve a chance aos 20' cara-a-cara com Neuer mas perdeu um gol inacreditável. O próprio atacante até marcou dez minutos depois, mas em condição de impedimento. Nos acréscimos, Howedes acertou um cabeceio em cheio na trave a favor dos alemães antes de mais um impedimento. Já na prorrogação, Mario Götze marcou o gol do título alemão, deixando os argentinos mais tempo na fila.


Passado o vice campeonato, veio as eliminatórias e a Argentina suou sangue para se classificar ao mundial. Começaram com Gerardo Martino e não foi bem: duas vitórias em cinco jogos. Acabou demitido em 2016 e veio em seu lugar Edgardo Bauza que também não foi bem, deixando a seleção argentina em perigo e correndo sérios riscos. Jorge Sampaoli foi chamado em seu lugar.

O treinador empatou seus três primeiros jogos e se não vencesse o Equador em Quito, teria que torcer por muitos resultados para conquistar a vaga. Mesmo com os equatorianos abrindo o placar, apareceu Lionel Messi. Fazendo um de seus melhores jogos pela albiceleste, o argentino marcou três vezes e evitou um vexame histórico.

Surto de olho no craque


Desde Maradona não existe outro jogador tão bom e incrível quanto Lionel Messi. O camisa dez da seleção é o dono do time, que só foi à Copa do Mundo por causa dele. Cinco vezes melhor do Mundo e maior artilheiro da seleção, o jogador mesmo sendo um dos melhores da história, ainda é visto pelo torcedor argentino como inferior a Maradona embora as comparações sejam constantes.

A temporada de Messi não foi tão espetacular quanto de outrora, porém continua com ótimos números. Marcou 45 gols na temporada, sendo artilheiro do campeonato espanhol com 34 gols, também tem a melhor média do campeonato com 0.97 gol/jogo, participando de 46 dos 98 gols do Barcelona na liga. 

Pelas eliminatórias, sete gols nos dez jogos disputados. Ele participou de 37% dos tentos anotados pela seleção, dando a vitória sozinho em três partidas. Se não houvesse Lionel, os Hermanos estariam fora pela primeira vez desde 1970. A Argentina é totalmente dependente de seu protagonismo e os torcedores esperam que na sua quarta Copa do Mundo, Messi consiga trazer o tricampeonato.

Time Titular


Jorge Sampaoli enfrenta uma crise que dura desde as duas derrotas diante do Chile na final da Copa América - a primeira delas, como treinador dos chilenos. O treinador chegou no ano passado, após temporada ruim no Sevilla. Conhecido por futebol ofensivo, foi ele quem montou a Universidad de Chile campeã da Sul-Americana de 2012 e recolocou o Chile no cenário internacional novamente. 

Sampaoli já enfrenta pedidos para sua demissão, que foi intensificada depois da goleada sofrida por 6x1 contra a Espanha. Seu time titular deve conter Romero, Mascherano, Rojo, Otamendi; Biglia, Banega, Di María, Lo Celso, Pavón; Messi e Higuaín.

Conclusão

A Argentina em crise não chega como favorita dessa vez, mas como sempre, a camisa é pesada e conta com um dos maiores jogadores da história. Da primeira fase, dificilmente não será eliminado, porém precisa tomar cuidado com seu grupo. De todos os campeões mundiais presentes, é sem dúvidas a maior incógnita e mesmo com isso, não se pode desprezar quem é bicampeão do mundo.



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