Surto de olho na Rússia: A celeste vai na raça


O Uruguai tem vasta experiência em Copas do Mundo. Está é sua décima terceira participação e vem para tentar fazer uma boa Copa. Não terá muitas dificuldades logo de cara, mas o problema pode estar no mata-mata. A raça se faz necessária, no sangue dos uruguaios desde sempre, como se fez presente em 1930 e 1950.

Na primeira Copa do Mundo da história, foi no próprio Uruguai. Em 1928, o presidente da FIFA Jules Rimet, quis criar um torneio distintos dos Jogos Olímpicos, aberto a todos países membros da confederação. Itália, Espanha, Holanda, Suécia e Uruguai se candidataram. Os europeus desistiram e a vaga ficou com o país sul-americano.

A seleção uruguaia ficou no grupo 3, ao lado de Peru e Romênia. Nos seus dois jogos, venceu o Peru por 1x0 - no dia que completou 100 anos da primeira constituição do país - e a Romênia por 4x0, placar construído no primeiro tempo.

Na semifinal no Estádio Centenário, a Iugoslávia começou vencendo aos quatro minutos, mas virou com gols de Anselmo (duas vezes) e Cea no primeiro tempo. Na outra metade, mais dois gols de Cea e um de Iriarte, deram requintes de crueldade nos 6x1 do Uruguai.

Já na final, no mesmo estádio, iriam enfrentar a Argentina, que também repetiu o 6x1. A história mais curiosa é que cada seleção levou sua própria bola, com os argentinos usando a sua no primeiro tempo. Saíram ganhando por 2x1 no primeiro tempo. Quando o Uruguai usou sua bola, marcou três gols e foi o primeiro campeão da Copa do Mundo.


Em 1950, o Uruguai voltou para um mundial após 20 anos de ausência, devido a boicotes pela escolha das sedes. Na Copa em solo brasileiro, caiu no grupo 4, apenas com a Bolívia. A partida acabou 8x0 para os uruguaios, que aplicaram uma das maiores goleadas em uma fase final de mundial.

Naquela época, o título seria definido em um quadrangular, com Espanha, Brasil, Suécia e Uruguai. Os brasileiros, empolgavam a torcida com vitórias por 7x1 e 6x1 contra Suécia e Espanha, respectivamente, tornavam-se os favoritos. Já a celeste enfrentou as mesmas seleções, passando enorme sufoco, empatando com os espanhóis por 2x2 com gol de Varela evitando a derrota aos 28 do segundo tempo e a vitória de virada contra a Suécia por 3x2 no fim do jogo.

O País estava em festa naquele 16 de julho. Todos brasileiros tiveram a certeza de que seriam campeões naquele dia e até antes do jogo, já que dias antes, a imprensa já anunciava a seleção brasileira como campeã. Poderiam até empatar que seriam campeões e isso causou um oba-oba exagerado.

Quando Friaça marcou no início do segundo tempo, os mais de 200 mil torcedores no Maracanã ficaram eufóricos. Pouco depois, Schiaffino empatou, causando um certo espanto na torcida. Aos 35 minutos, Ghiggia acabou entrando para a história ao marcar o gol da virada. Silêncio estarrecedor em sua comemoração. A torcida e os jogadores assistiam incrédulos o 2x1. O Brasil não tinha mais forças para reagir. O país calado, entristecido, que estava crente de seu primeiro campeonato, viu o Uruguai ser campeão. Quis o destino que o próprio Ghiggia fosse o último vivo dessa partida e voltasse ao palco da final 64 anos depois. O Maracanazo ainda ecoa alto na história do futebol brasileiro


Ultima Copa e Eliminatórias 

No mundial de 2014, Uruguai enfrentou Inglaterra, Itália e Costa Rica, fazendo o ''grupo da morte'' com três campeões mundiais. Surpreendentemente a Costa Rica terminou em primeiro com sete pontos, seguida dos bicampeões com um ponto a menos. Perdendo apenas seu jogo para o líder do grupo, a estrela de Luis Suárez brilhou, marcando os dois gols da vitória contra os ingleses e Godín marcou o gol da classificação contra os italianos. O jogo contra a Itália ficou marcado pela mordida de Suárez no ombro de Chiellini, o que resultou na suspensão do camisa 9 pelo restante do mundial e banimento do futebol por quatro meses.

Nas oitavas, tinham a Colômbia pela frente, num tradicional duelo sul-americano. Mesmo com muita raça, não foram páreos para os colombianos, que comandados por James Rodríguez, perderam por 2x0, gols do próprio James, dando adeus logo cedo a chance de repetir o Maracanazo.


A seleção uruguaia se aproveitou do baixo nível técnico das eliminatórias e deslanchou no inicio. Enquanto as principais seleções brigavam no meio da tabela, foi ganhando delas e de times menores. Bolívia e Colômbia por 2x0 e 3x0 respectivamente. A derrota para o Equador não abalou os ânimos, com a goleada por 3x0 diante do Chile.  

Mesmo com muitos tropeços, chegaram na última rodada com chances remotas de eliminação, dependendo de uma combinação de resultados. o Uruguai não deu sopa pro azar e goleou a Bolívia. Mesmo assim a seleção não jogando um futebol brilhante e perdendo para seleções mais fracas, terminou em segundo lugar com 31 pontos, sendo 9 vitórias, 4 empates e 5 derrotas, marcando 32 gols e sofrendo 20. 

Surto de olho no craque


Edinson Cavani tem 31 anos, vai jogar sua terceira Copa do Mundo, o que provavelmente é a última devido a sua idade, caminhando para o fim da carreira. O jogador revelado pelo Danúbio de seu país natal, apareceu para o mundo quando foi contratado pelo Palermo em 2007. Após a Copa da África do Sul, onde foi muito bem, foi contratado pelo Napoli. Pelo seu novo clube, fez um grande trio de ataque com Lavezzi e Higuaín, chegando a artilharia do campeonato italiano em 2013 com 29 gols. Esteve também na time do ano em todas as temporadas que fez no Napoli. Ainda em 2013, contratado pelo PSG, onde já é o maior artilheiro da história do clube com 115 gols. Fora isso, ganhou 15 títulos e 12 títulos individuais pelo time da capital parisiense.

Pela seleção, acumula 42 gols em 100 jogos, sendo o artilheiro dessa edição das eliminatórias com 10 gols. Ao lado de Suárez, fica encarregado de fazer os gols que poderão levar o Uruguai longe nessa Copa. 



O companheiro de Cavani, Luis Suárez é outro grande nome dessa geração uruguaia. Também tem 31 anos e vai para seu terceiro mundial. ''El Pistolero'' começou no Nacional em 2005, onde um ano depois foi vendido para Groningen e posteriormente Ajax. Após estourar na Copa da África, Suárez foi contratado pelo Liverpool, onde começou sua grande fase na carreira. Pelos Reds, 110 jogos e 69 gols, sendo destaque principal do time durante sua passagem, sendo o artilheiro do time nas três temporadas que jogou, eleito por duas vezes o melhor jogador do time e acumulando outros 14 prêmios individuais, um deles, o de melhor jogador da Inglaterra em 2014.

Tamanho sucesso levou o Barcelona a contrata-lo por 82 milhões de euros. O investimento não passou em vão. Já são 11 títulos em quatro anos, sendo dois deles só este ano, coma conquista da Copa Del Rey e o campeonato espanhol. O jogador acumula 108 gols em 126 jogos.

Pela seleção, Suárez é mais decisivo que o colega de ataque. É o maior artilheiro da história da seleção, com 50 gols. No ano do último titulo da Copa América em 2011, foi eleito melhor jogador do torneio, decidindo a semifinal com dois gols e abrindo o placar da final. Nas Eliminatórias de 2014, foi o artilheiro com 11 gols, sendo também decisivo na repescagem que trouxe os uruguaios até o Brasil. Na edição atual fez apenas cinco, mas teve seu papel na classificação.


Time titular


Óscar Tabárez é o treinador da seleção celeste desde 2006. Por 'culpa' dele, o país voltou com força ao cenário mundial do futebol, montando seleções difíceis de se jogar contra. O treinador de 71 anos, deve montar mais uma dessas seleções, com raça e garra. O time titular deve ser Muslera; Varela, Godín, Giménez e Maxi Pereira; Vecino, Carlos Sánchez, Gastón Ramírez, Cristian ''Cebolla'' Rodríguez; Cavani e Suárez.

Conclusão

O Uruguai é uma daquelas seleções chatas de se jogar contra. Deve passar da primeira fase sem dificuldades, mas o teste deve ser nas oitavas, onde deve cruzar contra Espanha ou Portugal, e é aí que dependerá de seus principais jogadores. O futuro ainda é imprevisível, já que a geração está envelhecida e muito desses nomes não jogarão no Catar em 2022. Não se sabe nem se Tabárez irá continuar para renovação do elenco, já que também se encontra numa idade avançada. O que se sabe é que no país que respira futebol, raça não irá faltar nesta Copa do Mundo. 





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