Surto de olho na Rússia: 2018 e o Hexa



A seleção brasileira vai para sua vigésima primeira participação em Copas do Mundo, sendo a única a participar de todas as edições do mundial. O Brasil tentará apagar o vexame histórico sofrido em casa em 2014 e é favorita ao hexa campeonato.
Na primeira conquista em 1958, caiu num grupo da morte com Inglaterra, Áustria e União Soviética não era tarefa fácil, mas que foi bem superado com vitória sobre os austríacos por 3x0, empate contra os ingleses por 0x0 e vitória contra a União Soviética por 2x0. Nas quartas com gol de Pelé, bateram o País de Gales por 1x0, vitória contra a França por 5x2 nas semifinais e na final contra os donos da casa: Um impiedoso 5x2 na Suécia, com gol antológico de Pelé. Com o título, foi a primeira seleção a vencer fora de seu continente uma Copa do Mundo.




No bicampeonato em 1962, a seleção brasileira começou com dificuldades a campanha que iniciou batendo o México por 2x0, empate com a Tchecoslováquia em 0x0, – jogo que Pelé se contundiu e não voltou mais para a disputa dessa Copa – e vitória sofrida de virada contra a Espanha por 2x1. Após as quartas de final, o Brasil engatou 3 vitórias seguidas vencendo a Inglaterra, Chile (que eram os donos da casa) e a Tchecoslováquia por 3x1, 4x2 e 3x1 respectivamente em Copa em que Garrincha foi o protagonista.


Considerada por muitos a melhor seleção da história, o time do tri em 1970 tinha uma constelação de craques como Pelé, Carlos Alberto Torres, Jairzinho, Tostão, Gérson, Piazza, Clodoaldo e Rivelino.  Eles fizeram uma campanha impecável vencendo todos seus seis jogos. Na primeira fase, Tchecoslováquia, Inglaterra e Romênia. Nas quartas um 4x2 no Peru, na semifinal 3x1 no Uruguai e na final 4x1 contra a Itália, um jogo inesquecível para todos que assistiram.



A campanha do tetra foi sofrida. A seleção se classificou para a Copa com sufoco, graças a atuação impecável de Romário contra o Uruguai. Apesar de não serem os favoritos, o time de Carlos Alberto Parreira foi líder de seu grupo na primeira fase, batendo Camarões, Rússia e um empate com a Suécia. No mata-mata vitórias contra Estados Unidos, Holanda e Suécia. Na final, vitória contra a Itália nos pênaltis, com direito a Baggio errando a última cobrança.

No penta de 2002, situação parecida com o tetra: Sofrimento nas eliminatórias de novo e novamente não era a favorita ao título. Vitórias contra a Turquia por 2x1, China por 4x0 e Costa Rica por 5x2. Nas oitavas, quartas e semifinais, resultados apertados como 2x0 na Bélgica, 2x1 contra a Inglaterra e apenas 1x0 contra a Turquia, respectivamente. Na final contra a Alemanha, 2x0 com direito dois gols e consagração de Ronaldo após graves lesões nos dois joelhos e alguns anos parado.




Na última Copa e Eliminatórias
Em 2014, o Brasil era o anfitrião e visava apagar o ‘’Maracanazo’’, após derrota inesquecível contra o Uruguai na final de virada. O que acabou por vir por muito pior do que 1950. A seleção sofreu uma pressão muito grande por parte da imprensa e torcida, pois ambos queriam o hexa em casa. Sofreu na fase de grupos e aos trancos e barrancos conseguiu chegar na semifinal contra a Alemanha, no jogo em que ficou marcado para sempre e com o nome de ‘’Mineiraço’’. Um sonoro 7x1 com cinco gols sofridos em dezoito minutos, no maior vexame da seleção brasileira em sua história. Dias depois mais uma derrota humilhante, dessa vez por 3x0 contra a Holanda na disputa do terceiro lugar.


Após a Copa, Dunga voltou ao comando e a seleção brasileira continuou sendo chacota ao ser eliminada na Copa América de 2015, contra o Paraguai nos pênaltis e na Copa América Centenário em 2016, ao ser eliminada na primeira fase num grupo com Equador, Haiti e Peru. Sendo essa a pior participação do Brasil em 93 anos disputando a Copa América.



Não só isso, o Brasil corria sérios riscos de terminar as eliminatórias sem uma vaga para a Copa do Mundo, o que seria muito pior do que aquele 7x1 sofrido pelos alemães. Até a chegada de Tite como treinador da canarinho, o país se encontrava em 6° lugar com apenas nove pontos, numa campanha de duas vitórias, três empates e uma derrota. Com a chegada do treinador, a seleção conseguiu dez vitórias e dois empates jogando um futebol envolvente e convincente, conseguindo assim a classificação antecipada – a primeira a se classificar – e o prestígio do torcedor brasileiro em ver o Brasil jogar novamente, algo até então esquecido no passado.

Surto de olho nos craques:


Neymar e Gabriel Jesus foram e são hoje fundamentais na seleção brasileira de Tite. Dos 41 gols marcados pelo Brasil, os dois foram responsáveis por 32% das bolas na rede. Se for contar apenas as assistências, os dois juntos representam um total de 61%, um número gigante, mais que a metade, sendo que Gabriel foi o artilheiro do time e Neymar o maior assistente das eliminatórias.

Neymar Jr irá disputar a sua segunda Copa do Mundo. Na primeira, marcou quatro gols, todos na fase de grupos, contra a Croácia na estreia e contra Camarões, no fechamento da fase, marcando duas vezes contra cada um. Dessa vez, Neymar está mais experiente e pronto para liderar um time que não sofre mais com a ‘’Neymardependência’’, termo muito característico nas eras de Felipão e Dunga, onde todas as jogadas de criação passavam por ele.

O jogador agora quer vencer o mundial, se tornar o melhor do mundo e ganhar a tão sonhada bola de ouro. Para isso, o jogador saiu do Barcelona e foi ser rei de Paris, no PSG e conseguiu, mesmo com críticas constantes dos parisienses por problemas com Cavani e seu estilo dentro e fora de campo. Neymar foi eleito o melhor jogador do campeonato francês, mesmo ficando de fora a maior parte do tempo, devido a uma lesão sofrida ainda no início do ano. Foram 30 jogos e 28 gols marcados.

Gabriel Jesus tem apenas 20 anos e tem muita estrela e história pra contar. Revelado no Palmeiras, já foi campeão brasileiro e da Copa do Brasil e é destaque no Manchester City de Guardiola, sendo titular e colocando o ídolo da torcida, Agüero no banco de reservas. Gabriel em pouco tempo na Inglaterra já alcançou a melhor média de gols da Premier League em 2017, ao marcar um gol a cada 88,8 minutos.

Pela seleção brasileira, já está na história por ser o atacante que fez parte do time que conquistou a inédita medalha de ouro nos Jogos Olímpicos pelo futebol masculino. Em sua estreia pela seleção, marcou logo dois contra o Equador, em Quito. Acabou 2016 marcando pelo Brasil cinco gols em seis jogos, o que o tornou o jogador mais jovem a marcar por uma seleção, superando recorde de Lionel Messi. Gabriel teve uma lesão no joelho com certa gravidade mas voltou e já está em forma para o mundial na Rússia. Na temporada, marcou 17 gols em 42 partidas.

Time titular 

A seleção foi convocada e não deve ser muito diferente o time base que disputou eliminatórias e amistosos. Os titulares devem ser Alisson; Danilo, Marquinhos, Miranda, Marcelo; Casemiro, Paulinho, Philippe Coutinho; Neymar, Willian e Gabriel Jesus.
No banco ainda tem por ordem de posição: Cássio, Ederson; Fagner, Thiago Silva, Pedro Geromel, Filipe Luís; Fred, Renato Augusto, Fernandinho; Douglas Costa, Roberto Firmino e Taison.
Técnico
Adenor Leonardo Bacchi, mais conhecido como Tite, tem 51 anos e é treinador desde 1990, iniciando pelo Guarany-RS. Tite começou a ter destaque no Brasil a partir dos anos 2000, quando no início do milênio, foi bicampeão gaúcho ao vencer com Caxias em 2000 e o Grêmio em 2001, vencendo além do estadual, a Copa do Brasil diante do Corinthians em pleno Morumbi.

Se tornou um dos principais técnicos do país na década seguinte ao voltar para uma segunda passagem no Corinthians. pelo clube paulista, venceu o Brasileirão de 2011, a Libertadores e o Mundial de Clubes de 2012, o Paulistão e a Recopa sul-americana de 2013. Foi demitido pelo ano ruim mesmo com os dois títulos. Tirou o ano sabático para estudar, foi ao Real Madrid para aprender com Carlo Ancelotti e Carlos Bianchi, voltando ao alvinegro em 2015 para sua terceira passagem, onde se tornou campeão brasileiro novamente. No ano seguinte, assumiu a seleção brasileira para comandar o time na Copa do Mundo e deve permanecer mesmo em caso de insucesso.

Conclusão

Não tenha dúvidas que o Brasil é favorito. Desde da chegada de Tite, algo que deveria ter ocorrido desde a Copa de 2014 mostra que ele é atualmente o treinador mais bem preparado do futebol brasileiro. Conseguiu recuperar o prestígio do torcedor e fazer a seleção ser respeitada no mundo novamente, conseguindo até retornar a primeira posição do ranking da FIFA. Ao contrario de outros anos, a torcida está bem mais esperançosa e tem motivos pra isso, afinal de contas, a camisa amarela é pesada e tem chances enormes de levantar a taça mais cobiçada entre seleções novamente.

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