Surto Entrevista: Bruno Fratus

Por Marcos Antônio e Regys Silva

Principal nadador brasileiro da atualidade, Bruno Fratus vem mantendo em 2018 a boa fase que ele conquistou em 2017, com excelentes tempos nos 50m livre conquistados no Troféu Brasil, disputado recentemente onde ele fez o segundo melhor tempo do mundo em 2018. Em entrevista para o surto olímpico, Fratus fala do ponto de virada na carreira após um 2016 abaixo do esperado, além da confiança que tem no revezamento brasileiro e nas suas expectativas neste ciclo olímpico para se manter no topo. confira:



- Em muitas entrevistas você admite que 2016 não foi um ano legal para você, com resultados que não te agradaram. Quais foram as lições desse período que você tirou para estar no seu melhor momento?

2016 já faz tanto tempo que é até difícil de lembrar!(risos). Eu costumo não me ater a pontos específicos tanto nos momentos de fracasso quanto nos momentos de glória. Eu acredito que independente do resultado, deve-se mirar sempre em ser não apenas um atleta melhor, mas também evoluir como homem e ser humano. Pode parecer uma resposta um pouco “profunda” demais para o contexto, mas é algo que levo comigo dentro e fora d’água.

- 2017 você conseguiu grandes marcas nos 50m e nos 100m e no troféu Brasil você já nadou novamente abaixo de 22 segundos duas vezes. Qual o seu planejamento para estender esse momento até o final do ciclo olímpico? 

Muito simples, continuar seguindo o que eu e minha equipe técnica já sabemos que funciona e continuar sempre procurando novas formas de nadar mais rápido. É tipo “tudo igual só que diferente”. Além disso, ter COB e CBDA alinhados e trabalhando em prol da Natação como um todo é um diferencial muito grande.


 - Você competiu bastante contra o Caeleb Dressel e viu a evolução dele nas piscinas - é dele o melhor tempo da era pós trajes. Ele seria o nome a ser batido neste ciclo olímpico?

Não acho que competi tanto assim com ele, pelo menos não tanto quanto caras como Ben Proud, Nathan Adrian, Florent Manaudou… Sem duvida o Caeleb é um grande nadador, um dos mais talentosos que já vi nadar além de ser um cara muito gente fina… De tempos em tempos sempre surge um novo expoente no esporte e graças aos resultados que ele vem obtendo, nada mais justo que ela seja a “bola da vez”. E o assistir nadando o 100 borboleta para 49 segundos no Mundial do ano passado foi um dos meus momentos preferidos da competição.

- Você considera o recorde mundial do Cielo feito na era dos trajes - 20s91 - mais próximo de ser batido nesse ciclo - ou por você ou outro nadador?

Bom, eu que acho que os tempos obtidos com trajes de borracha estão lá só para referencia agora. É algo a ser perseguido, mas aquela natação não existe mais. E recordes estão aí para serem batidos! Com certeza é algo que eu tenho em mente e com mais certeza ainda, sei eu não sou o único que quer bater esse tempo. 20s91 é um tempo BEM rápido, mas longe de ser imbatível.


- O revezamento 4x100m após a prata no mundial, vem com bastante expectativas para Tóquio, principalmente com o crescimento de vários nadadores querendo entrar no revezamento.Ter mais atletas nadando no mesmo nível é uma motivação para ir mais rápido? E Você crê que se manter no revezamento até Tóquio será mais difícil do que nos outros ciclos?

Fico feliz e honrado de fazer parte do grupo que quebrou esse paradigma sobre o revezamento, e eu te garanto que essa mentalidade de hoje não existia há um ano atrás e não era unânime nem mesmo dentro da Seleção Brasileira.

Com isso sendo dito fico MAIS FELIZ AINDA que hoje tenha um “exército” de nadadores dando a raça para entrar nesse grupo, acredito que o próprio 100m livre no Troféu Brasil desse ano seja um legado do que fizemos em Budapeste. Se não me engano, hoje temos o 100m livre mais forte do mundo em termos de campeonatos nacionais.

Com certeza isso só multiplica a minha vontade de trabalhar em prol desse revezamento, estar nesse time em 2020 é uma prioridade para mim e para minha equipe técnica.

 - O Revezamento do Brasil mostrou que pode ficar no pódio nas grandes competições. Com Estados unidos acima, você compartilha da opinião de que o está na disputa com a Austrália pelo segundo lugar?

Como assim “pelo segundo lugar”?????


- Então você crê que o revezamento brasileiro pode brigar de igual para igual com o revezamento americano?

Eu não vejo porque não, já brigamos de igual para igual em Budapeste (sede do mundial de 2017), portanto...


 - Ainda está longe e temos muitas competições pela frente, mas todo atleta espera estar nos jogos olímpicos. Quais as suas expectativas para as olimpíadas de Tóquio?

Você já respondeu quando disse que “todo atleta espera estar nos Jogos Olímpicos". Os jogos são o ápice de tudo e eu quero estar lá.


- O Pan pacífico será em Tóquio. Pra você, é importante sentir um pouco do clima da cidade da próxima olimpíada e defender seu título nos 50m?

Para mim é importante ser parte da Seleção Brasileira  na competição alvo do ano. Defender meu titulo do Pan-Pacífico é apenas um bônus. Estou muito mais animado em construir e conquistar algo com esse time que tem tantos atletas jovens sendo parte de um Seleção adulta pela primeira vez.


- A CBDA passou por muitas mudanças recentemente, por conta de toda crise envolvendo antigos dirigentes. O que você tem notado de evolução na nova administração da entidade em relação à antiga?

Por incrível que pareça eu não paro para comparar, mas vejo que a nova administração está com muita vontade de trabalhar e fazer um excelente trabalho. O Troféu Brasil desse ano estava lindo e com a logística fluindo perfeitamente. Todos os critérios para seleções, regras e formatos de campeonatos fazem perfeito sentido agora. O fato deles estarem escutando os atletas e técnicos de forma ampla e abrangente tem sido essencial ao meu ver.


- Se possível, deixe um recado para os leitores do surto olímpico, o espaço é seu.

Quero apenas agradecer a todos que apoiam e acreditam no esporte brasileiro, temos muito potencial e talento em todos eles e sem duvida ter o apoio de quem nos segue é algo muito importante.


fotos: Sátiro Sodré/SS Press/CBDA

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