CBHb perde patrocínio do Banco do Brasil e aumenta crise financeira e política da entidade

A crise do handebol brasileiro parece não ter fim. Nesta última terça-feira(10), o Banco do Brasil, apoiador da Confederação Brasileira de Handebol (CBHb) desde 2013, anunciou que não renovará o contrato que se encerra em maio. A informação foi publicada pela Veja e confirmada pela Confederação brasileira de Handebol em nota à imprensa. Antes, em 2017, os Correios já haviam diminuído drasticamente o aporte financeiro à entidade, que também viu diminuído para 2018 o montante a que tem direito na Lei Agnelo Piva, do COB, que reparte os recursos das loterias federais junto às confederações.

Na nota, A CBHb afirma que "lamenta muito o fim dessa parceria essencial para o handebol nacional. Sem o apoio do Banco do Brasil, a entidade terá de rever todo o seu planejamento, principalmente as ações relativas às seleções olímpicas. "

Em números, a CBHb conta agora com o valor de R$ 2.567.512,18 da Lei Agnelo Piva para 2018. Além disso, ainda tem neste ano a verba dos Correios, do contrato renovado em 2017 por dois anos. Mas, se no acordo anterior, de 2015 a 2016, teve direito a R$ 6,7 milhões, agora a verba ficou em R$ 3,2 milhões, com R$ 1,6 milhão a ser depositado em 2018. Com isso, o rompimento com o Banco do Brasil representará uma queda gigante na arrecadação da modalidade. O banco era o principal patrocinador do esporte e entre 2016 e 2018 investiu R$ 15,5 milhões. Somando todos os patrocínios e Lei Agnelo Piva entre 2011 e 2018, o montante chega próximo de R$ 89 milhões.

Como justificativa, o BB explicou que seguirá apostando no vôlei no alto rendimento e que vai investir agora nos circuitos de corridas de rua. Nos bastidores, porém, a informação é a de que o Banco do Brasil se afastou do esporte por conta da situação política da Confederação Brasileira de Handebol. 

No ano passado, Manoel de Oliveira, presidente há 28 anos, foi reeleito, mas o pleito foi parar na Justiça. Na última semana, a Justiça Federal ordenou que ele fosse afastado do cargo por uso indevido de verbas que chegam a R$ 21 milhões em convênios com o Ministério do Esporte. 

O handebol brasileiro vive momento difícil, muito diferente do que vivenciou de 2013 a 2016. Em julho de 2013, em evento em Brasília, o Ministério do Esporte apresentou um patrocínio recorde ao handebol do país para os anos de 2013/14. No fim de 2013, as meninas conquistaram na Sérvia o inédito título mundial, o que alavancou ainda mais o esporte e criou uma euforia com relação ao Rio 2016.

O esporte era o único a contar com o patrocínio de duas estatais (Banco do Brasil e Correios). De 2013 a 2015, o Banco do Brasil pagou R$ 14,6 milhões, enquanto os Correios entraram com verba de R$ 24,6 milhões de 2012 até 2016. Da Lei Agnelo Piva foram investidos R$ 16 milhões de 2013 a 2016. Os convênios com o Ministério do Esporte de 2011 a 2016 somam R$ 8,6 milhões, o que dá um total de R$ 64 milhões de 2011 até o fim do ano de 2016.

Recentemente, a confederação já vinha sofrendo com a crise financeira. Em julho do ano passado, a entidade pediu auxílio financeiro para a Federação Internacional de Handebol (IHF) para enviar seleções brasileiras sub-19 e sub-21 para campeonatos mundiais da modalidade. No handebol de areia, o time nacional chegou a ter sua participação cancelada no World Games, e as jogadoras fizeram uma campanha para conseguir o dinheiro para a competição.

Dentro de quadra, o handebol feminino, que chegou a ser campeão do mundo, não conseguiu a medalha na Rio 2016, caindo nas quartas de final. Antes, já havia sido eliminado nas oitavas de final do Mundial 2015 para a Romênia, e no Mundial de 2017 ainda na primeira fase, numa campanha muito abaixo. Já o masculino também caiu nas quartas da Olimpíada e no Mundial de 2017 teve um desempenho que o levou até as oitavas, caindo para a Espanha por apenas um gol.

Para 2018, o handebol brasileiro tem como compromissos a participação no Jogos Sul-Americanos, em Cochabamba. O torneio dá vaga nos Jogos Pan-Americanos de Lima 2019. O torneio no Peru, por sua vez, classifica o campeão para a Olimpíada de Tóquio 2020. A queda na arecadação da CBHb pode influenciar na preparação dos times nacionais para a Olimpíada. Os principais atletas do país atuam no exterior e a entidade sempre trabalhou com períodos de treino na Europa e amistosos. Na base, além das seleções brasileiras, a CBHb trabalha com acampamentos de handebol que contam com o apoio dos Correios.



foto: Reprodução
com informações de globoesporte.com

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